Maduro comanda exercícios militares e indica que quer se manter no poder

Publicado em 28/01/2019 08:49
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Ao comandar exercícios militares, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, demonstrou que está disposto a continuar no poder e não atender à manifestação feita por parte da comunidade internacional para reconhecer a legitimidade de Juan Guaidó como interino e promover novas eleições no país.

"Estamos preparando os exercícios mais importantes da história da Venezuela porque vamos demonstrar o poder militar de Forças Armadas com capacidade operacional, combate e defesa", disse o presidente que é também o comandante-em-chefe do Exército.

Os exercícios militares foram realizados ontem (27) em Fuerte Paramacay, na região de  Naguanagua, no estado de Carabobo, sob comando de Maduro. O venezuelano promete repetir as atividades até fevereiro.

Europeus

No último dia 26, os governos da Espanha, Alemanha e da França se manifestaram a favor de Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela que se autoproclamou presidente interino do país em substituição a Nicolás Maduro.

Pelo Twitter, o presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que a “o povo venezuelano deve decidir livremente seu futuro”, e que a França pode reconhecer Guaidó como presidente enquanto não são realizadas novas eleições para resolver o impasse político na Venezuela.

Em pronunciamento oficial, o primeiro-ministro da Espanha (presidente de governo), Pedro Sánchez, estabeleceu prazo de oito dias para que Maduro convoque “eleições justas, livres, transparentes e democráticas”.

Segundo a porta-voz do governo alemão, Martina Fietz, "se as eleições não forem anunciadas no prazo de oito dias, a Alemanha está pronta para reconhecer Juan Guaido como presidente interino”.

Durante a semana, a União Europeia já havia manifestado apoio às novas eleições e à Assembleia Nacional da Venezuela. Brasil, Argentina, Colômbia, Canadá e Estados Unidos já reconheceram Guaidó como presidente.

Papa

Ontem (27), o papa Francisco, que participa da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) no Panamá, pediu que seja tomada uma solução justa e pacífica para a crise na Veneuzuela.

"Aqui no Panamá, tenho pensado muito sobre o povo venezuelano, a quem me sinto particularmente unido ultimamente", afirmou o papa. “Peço ao Senhor que busque e alcance uma solução justa e pacífica para superar a crise, respeitando os direitos humanos e desejando exclusivamente o bem de todos os habitantes do país."

Aliados de Maduro

México, Cuba, Irã e Turquia declararam apoio a Maduro. Rússia e China divulgaram manifestações incisivas contra qualquer intromissão externa na política venezuelana.

Maduro governa a Venezuela desde 2013, foi reeleito em pleito em 2018 sob suspeição. Ele diz que há um  “golpe midiático” contra a Venezuela, promovido pelos Estados Unidos.

Juan GuaidóJuan Guaidó/Redes Sociais/Direitos Reservados

Guaidó fala à nação e conclama para manifestações ao longo da semana

O presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, fez um pronunciamento, por meio de transmissão ao vivo nas redes sociais, em que anunciou manifestações em todo país, na próxima quarta-feira (30) e no sábado (2). Também agradeceu o apoio internacional e a ajuda humanitária prometidos ao povo venezuelano.

A reação dele ocorre logo após a Organização das Nações Unidas (ONU) apelar para novas eleições na Venezuela e a maior parte da comunidade internacional anunciar apoio ao governo interino.  

“A nossa luta não terminou por excesso de usurpação de poder”, afirmou o interino, no início da declaração, ressaltando ter informações de que seu nome foi vetado em rádios do país. Ao conclamar para novas manifestações ao longo da semana, ele pediu que sejam “pacíficas” e frisou a palavra.

“Peço a todos os venezuelanos que saiam às ruas”, disse Guaidó. “Levando a nossa mensagem”, acrescentou o presidente interino, lembrando que a ONU deu prazo de oito dias, a contar de sábado (27), para serem realizadas novas eleições no país.

pronunciamento durou cerca de 14 minutos e foi ao ar por volta das 23h (horário de Brasília). Guaidó usou um cenário simples para discursar: sentado em uma mesa, tinha atrás dele, do lado esquerdo do vídeo, a bandeira da Venezuela e à direita um busto de Símon Bolívar, herói nacional.

Guaidó ressaltou que é necessário cessar com as “perseguições e assassinatos” na Venezuela e com o desrespeito aos direitos humanos. Também lembrou que há cerca de 160 militares presos no país. Nos últimos dias, ele tem defendido a anistia aos militares e civis que servem ao governo do presidente Nicolás Maduro.  

Sem mencionar o nome de Maduro, Guaidó se refere a ele apenas como “usurpador”. Segundo o presidente interino, o esforço será também para recuperar a economia da Venezuela, iniciando com as emergências humanitárias com apoio internacional, oferecido por vários países, inclusive os Estados Unidos e o Reino Unido.

Mais cedo, Guaidó apelou para que as Forças Armadas “não disparem mais contra o povo da Venezuela, nem reprima as manifestações que têm caráter pacífico e democrático”.

REUTERS: Enquanto países se voltam contra Maduro, líder venezuelano desfila com militares

Por Vivian Sequera

CARACAS (Reuters) - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, supervisionou uma demonstração de equipamentos russos de seu Exército neste domingo para mostrar força militar e lealdade diante de um ultimato internacional por novas eleições.

Maduro, de 56 anos, enfrenta um desafio sem precedentes à sua autoridade depois que o líder de oposição Juan Guaidó se declarou presidente interino após declarar como fraudulenta a última eleição. Guaidó conseguiu apoio internacional e oferece anistia aos militares que se juntarem a ele. No domingo, foi a vez de Israel se juntar a outros países para apoiar o novo líder de 35 anos. 

No início de domingo Maduro, ao lado de seu ministro da Defesa, Vladimir Padrino, acompanhou disparos de lançadores de granadas, de baterias anti-aéreas e de tanque em alvos numa colina levantando nuvens de fumaça e poeira no Forte de Paramacay, uma base de veículos blindados. 

Maduro disse que a exibição demonstrava ao mundo que ele tem o apoio dos militares, e que as Forças Armadas venezuelanas estão prontas para defender o país. Maduro diz que Guaidó está fazendo parte de uma tentativa de golpe dirigida pelos assessores linha dura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 

"Ninguém respeita os fracos, covardes, traidores. Neste mundo quem é respeitado são os corajosos, os bravos, o poder", disse Maduro. 

A demonstração de força foi acompanhada por uma campanha de publicidade online do governo baseada no slogan "Sempre leal, nunca um traidor" e seguiu a deserção do principal diplomata militar do país nos Estados Unidos no sábado. 

O Forte de Paramacay, cerca de duas horas a oeste da capital Caracas, foi ele próprio o local de um levante em 2017, quando um grupo de cerca de 20 soldados e civis armados atacaram a base. O líder do ataque, que foi rapidamente dominado, pedia um governo de transição. 

Guaidó também enviou uma mensagem aos militares neste domingo, pedindo seu apoio e ordenando que não reprimissem civis durante um evento em que partidários entregariam cópias de uma proposta de anistia para pessoas acusadas de crimes no governo de Maduro.

"Eu ordeno que vocês não atirem", disse Guaidó. "Eu ordeno que vocês não reprimam as pessoas."

Em debate no Conselho de Segurança da ONU no sábado, Rússia e China apoiaram fortemente Maduro e rejeitaram pedidos dos Estados Unidos, Canadá, e dos países latino-americanos e potências europeias por eleições antecipadas. 

Tanto Rússia quanto China são grandes credores da Venezuela. Desde o governo do antecessor de Maduro, Hugo Chávez, o país membro da Opep investe significativamente em armamentos russos, incluindo caças Sukhoi e blindados pesada. 

Em uma entrevista à CNN turca que foi transmitida no domingo, Maduro rejeitou o ultimato internacional para convocar novas eleições em oito dias e disse que Guaidó violou a Constituição ao se autodeclarar presidente interino. Maduro também disse que está aberto ao diálogo. 

Reino Unido, Alemanha, França e Espanha disseram que reconhecerão Guaidó se Maduro não convocar novas eleições em oito dias, um ultimato que a Rússia classificou como "absurdo" e que o ministro venezuelano das Relações Exteriores chamou de "infantil". 

Fonte Agência Brasil

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