EUA congelam bens da estatal de petróleo da Venezuela (O Antagonista)

Publicado em 28/01/2019 19:31 e atualizado em 29/01/2019 04:34
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A Casa Branca acaba de anunciar o congelamento dos bens da PDVSA, a estatal venezuelana de petróleo, informa a rede de TV americana NBC.

Cidadãos dos EUA também estão proibidos de negociar com a empresa.

Com isso, Donald Trump aumenta a pressão para que o ditador Nicolás Maduro saia do poder e Juan Guaidó, na qualidade de presidente interino, convoque novas eleições.

EUA bloqueiam acesso de Maduro a dinheiro da venda do petróleo (no ESTADÃO)

WASHINGTON -  O governo americano impôs nesta segunda-feira, 28, sanções à estatal do petróleo venezuelana PDVSA. Todo dinheiro obtido com a compra da commoditty pelos Estados Unidos irão para contas bloqueadas que só poderão ser sacadas quando "um governo democraticamente eleito estiver no controle da Venezuela", segundo o secretário do Tesouro Steve Mnuchin. O objetivo das sanções é impedir o acesso da cúpula chavista e do presidente Nicolás Maduro à renda do petróleo e pressionar os militares, que comandam atualmente a PDVSA, a mudar de lado.  

As sanções também vão congelar quaisquer bens que a PDVSA possuir nos Estados Unidos e impedir empresas americanas de fazer negócios com a estatal. "Os Estados Unidos estão punindo os responsáveis pelo declínio trágico da Venezuela e seguirão usando medidas diplomáticas e econômicas para apoiar o presidente interino Guaidó", disse Mnuchin. 

"Essa medida também impedirá Maduro de desviar recursos da PDVSA. O caminho para a remoção das sanções será transferir o controle da empresa para o presidente interino e um governo democraticamente eleito", acrescentou.

John Bolton e Steven Mnuchin Assessor de Segurança Nacional John Bolton e secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, falam sobre a Venezuela Foto: AP Photo/ Evan Vucci

Nesse sentido, pouco antes do anúncio, o líder opositor venezuelano, Juan Guaidó, que na semana passada se declarou presidente interino do país, disse nesta segunda-feira, 28, que dará  início ao processo de nomeação de novos diretores da PDVSA, a estatal venezuelana do petróleo, e da Citgo, a filial americana da empresa. Guaidó afirmou também que o Parlamento assumirá o controle de contas do Estado venezuelano em instituições financeiras internacionais. 

Reconhecido por grande parte da comunidade internacional, principalmente no continente americano, Guaidó pretende com isso ter acesso a recursos financeiros que antes eram controlados pelo presidente Nicolás Maduro.

As exportações de petróleo venezuelano para os Estados Unidos caíram bastante nos últimos anos, principalmente a partir do agravamento da crise no país sul-americano. Em 2017, segundo o Departamento de Energia, os Estados Unidos compravam diariamente 500 mil barris, frente a 1,2 milhão de 2008. 

Apesar disso, a Venezuela oscila entre o terceiro e o quarto lugar de maior fornecedor de petróleo dos Estados Unidos, com cerca de 6% das compras americanas no mercado mundial da commodity. 

Para economistas, a crise deve ter, no entanto, grave impacto na população. Maduro, que por enquanto parece ter o respaldo da cúpula das Forças Armadas, acusa os Estados Unidos de planejar  um golpe de Estado contra ele ao apoiar a decisão de Guaidó e incentivar outros países a fazerem o mesmo.

Chavismo sem acesso a recursos

A estratégia arriscada e incomum de reconhecer um governo alternativo sem poder de facto tem por trás um objetivo econômico: bloquear o acesso do regime chavista aos recursos provenientes da exportação de petróleo e ativos venezuelanos no exterior, o que traz consigo inúmeras implicações jurídicas e financeiras. 

O principal alvo dessa estratégia é a Citgo, a filial americana da PDVSA com sede em Houston, responsável por grande parte das receitas da empresa.  Outro alvo são os US$ 1,2 bilhão em reservas de ouro depositadas no Banco da Inglaterra, que correspondem a 15% das reservas em moeda forte do país. 

Guaidó determina indicação de nova diretoria para PDVSA e Citgo

CARACAS (Reuters) - O líder da oposição e autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, disse nesta segunda-feira ter determinado que o Congresso dê início ao processo de nomeação de novas diretorias para a petroleira estatal PDVSA e para a refinaria Citgo, sediada nos Estados Unidos.  

O time de assessores de Guaidó está correndo para tomar controle do principal ativo estrangeiro da Venezuela, a refinaria Citgo Petroleum, antes de uma potencial inadimplência que pode deixar a companhia nas mãos de seus credores, disseram fontes com conhecimento das negociações à Reuters nesta segunda-feira.

Guaidó, que se autoproclamou presidente da Venezuela na semana passada e ainda não indicou um gabinete, enfrenta o complexo desafio legal de nomear uma nova liderança para a PDVSA, a companhia estatal de petróleo e gás, e para suas subsidiárias, incluindo a Citgo, que poderia administrar as companhias durante um governo de transição.

A medida acontece no momento em que os Estados Unidos anunciaram novas sanções contra a PDVSA, que envolvem limitar as transações da companhia com pessoas nos EUA, embora refinarias norte-americanas ainda possam importar o petróleo venezuelano, disse o secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, nesta segunda-feira.

Guaidó, que lidera o Congresso venezuelano controlado pela oposição, reivindicou a Presidência da Venezuela na semana passada, depois que o presidente Nicolás Maduro foi reeleito em uma votação amplamente considerada uma farsa.

Proprietários dos títulos mais monitorados da PDVSA, que vencem em 2020, devem receber pagamento de juros de 72 milhões de dólares até o final de abril. Esses títulos têm como garantia 50,1 por cento do capital da Citgo Holdings, o que quer dizer que, na ausência de pagamento, os credores podem assumir o controle da companhia.

Juan Guaidó dá entrevista coletiva em Caracas
Juan Guaidó dá entrevista coletiva em Caracas 27/01/2019 REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Jornalista brasileiro é ameaçado por militares na Venezuela

Rodrigo Lopes, do jornal gaúcho Zero Hora, ficou retido em uma unidade militar na Venezuela por duas horas na última sexta-feira (25), registra a Folha.

Ele estava cobrindo um ato de apoiadores do ditador Nicolás Maduro quando foi abordado por um homem não identificado. Levado à unidade militar, teve o passaporte e o celular apreendidos, foi interrogado e impedido de ligar para a embaixada.

Ao ser liberado, Lopes recebeu de volta o celular e o passaporte, mas foi ameaçado pelo homem em trajes civis que o escoltava, que tirou fotos de seu rosto.

“Agora, o senhor está fichado conosco, conhecemos tua cara e sabemos onde escreves. Se te pegarmos novamente, tu vais ser preso e responderá processo segundo as leis venezuelanas”, disse o homem.

Lopes já voltou ao Brasil. O Grupo RBS, que edita a Zero Hora, decidiu retirá-lo da Venezuela,  “uma vez que não havia mais condições mínimas de segurança”.

Maduro ‘já está derrotado’, diz Guaidó em entrevista a TV

Em entrevista à emissora espanhola TVE, Juan Guaidó afirmou que Nicolás Maduro e seus aliados “já estão derrotados”, informa a agência de notícias Efe.

O presidente da Assembleia Nacional disse ainda que hoje Maduro é “sustentado somente pelas armas, como em qualquer sequestro de banco”, e pediu uma manifestação mais clara da União Europeia contra o ditador.

Sem plataforma clara, Guaidó se propõe a liderar apenas a transição na Venezuela (na FOLHA)

O líder oposicionista venezuelano Juan Guaidó, 35, vem sendo questionado nos últimos dias sobre seu plano de governo, desde que se declarou presidente encarregado do país na quarta (23) e foi reconhecido pelo governo dos EUA, Brasil e outros países da região.

Guaidó não é candidato ao cargo de presidente e se propõe a liderar um governo de transição, se de fato assumir o poder. Ele lidera a Assembleia Nacional, de maioria opositora e eleita pelo voto popular, que teve seu poder esvaziado pela Assembleia Constituinte, composta de aliados de Maduro, em 2017.

A principal tarefa de Guaidó será organizar eleições o mais rápido possível. Nesse caso, terá de desmontar um dos aparatos mais fieis a Maduro, o CNE (Conselho Nacional Eleitoral). 

Também terá de tomar providências quanto aos presos políticos e implementar a já polêmica lei de anistia.

Segundo a proposta, funcionários civis e militares ligados a Maduro podem ter seus delitos excluídos caso colaborem com a transição. O texto, aprovado simbolicamente por aclamação popular em atos presididos por Guaidó, passará por uma segunda votação na Assembleia Nacional. 

O vice-presidente da Assembleia Nacional, Edgar Zambrano, que assumiu o posto de Guaidó, já que este se declarou ocupante do cargo de presidente encarregado, disse nesta segunda-feira (28) que a lei de anistia “não significará impunidade”.

Zambrano saiu a explicar os detalhes da lei, uma vez que seu texto foi considerado demasiado amplo e permissivo, praticamente isentando de responsabilidades penais aqueles que cometeram delitos durante os 20 anos de chavismo.

Fonte: Antagonista/Reuters/Estadão/Folh

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