No Estadão: Banco do Brasil vai reduzir crédito a juro subsidiado para o agronegócio

Publicado em 29/01/2019 04:11 e atualizado em 29/01/2019 07:52
3574 exibições
‘Atividade rural pode se financiar no mercado’, diz Rubens Novaes, novo presidente do Banco do Brasil

BRASÍLIA - Mesmo sob pressão do agronegócio, o novo presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, mantém a posição de que o “grosso da atividade rural” pode se financiar a taxas de mercado. Da carteira de R$ 188 bilhões de crédito rural do BB, 46% foram desembolsados com subsídios do Tesouro Nacional. Em 2018, a União bancou R$ 5 bilhões de diferença entre o juro cobrado pelo BB e o custo da captação.

Rubem Novaes

Novaes, do BB, vê espaço para mais cortes de custos com pessoal na instituição. Foto: Marcos Corrêa/PR

Novaes disse que a estratégia do banco é reduzir as operações de financiamento a grandes empresas e focar pessoas físicas e pequenas empresas. “Temos vantagens comparativas e encontramos um maior retorno”, afirma. 

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Como se dará a redução dos subsídios do BB à agricultura?

A questão depende de orientação do Ministério da Economia. Percebemos a intenção de reduzir os subsídios no crédito agrícola e estimular o uso de seguros. Com a redução da taxa básica de juros, o panorama mudou. O grosso da atividade rural pode se financiar em condições próximas às de mercado.

Apesar da queda da taxa básica, os juros de mercado ainda não estão muito altos?

Em relação ao crédito rural, não. De uma maneira geral, para o tomador final, é alta. Mas no crédito rural, não é o caso.

Como reduzir os juros para a população?

A taxa de juros depende basicamente de duas coisas: da pressão do governo sobre o mercado de crédito e da concorrência bancária. O caminho para baixar juros de uma maneira geral é ter menos dívida pública e mais competição entre as instituições financeiras. Nesse sentido, o Ministério da Economia está trabalhando na direção de menor endividamento público e o Banco Central está trabalhando na direção do estímulo à concorrência bancária.

Nos últimos governos houve uma pressão dos presidentes para reduzir os juros na marra...

Nenhuma autoridade consegue derrubar as leis da oferta e da procura sem sofrer consequências. O governo pode fazer algumas coisas na microeconomia, como o cadastro positivo e redução de compulsórios e impostos.

Há ingerência do governo sobre o banco?

Acabou esta prática. Tive liberdade total para montar equipe. A correta arrumação do tabuleiro é tarefa fundamental na organização de uma empresa do tamanho do Banco do Brasil. Todas as pessoas foram convidadas para a equipe unicamente em função de suas competências. Em alguns poucos setores, achei que era necessário trazer gente de fora. Mas percebi que, para o benefício do banco, o melhor caminho era manter a maior parte do Conselho Diretor no posto, mudando apenas alguns vice-presidentes de área.

Fonte: Estadão

1 comentário

  • Fabio Correia -

    Rubens Novaes, novo presidente do Banco do Brasil, disse que não venderá " as jóias da coroa ".
    Paulo Guedes, em 02/01/2019, declarou a existência de piratas privados.
    Sérgio Moro disse que o Brasil não será mais porto seguro para criminosos.
    Pirata é um marginal que age de forma autônoma ou em grupo.
    Leia o livro Piratas do Paranoá. Que trata do Brasil que realmente queremos.
    Disponível no Google Play livros e no site das livrarias Asabeça, Cultura, Amazon, Martins Fontes.
    .

    1