Maduro rejeita convocar eleições e envia Exército para fronteiras

Publicado em 04/02/2019 08:14 e atualizado em 04/02/2019 10:38
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CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, rejeitou o ultimato dado por países europeus na semana passada para ele convocar eleições presidenciais, e afirmou que está reforçando o patrulhamento nas fronteiras com o envio das Forças Armadas. A decisão foi tomada após o líder oposicionista e autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, afirmar que pediu ajuda humanitária para Estados Unidos e países europeus.

Em entrevista à rede espanhola La Sexta, Maduro disse que não vai “ceder por covardia diante da pressão” dos europeus. “Por que a União Europeia terá que dizer a um país que já fez escolhas que têm de repetir as eleições presidenciais? Só porque seus aliados não ganharam?”, disse Maduro.

O ultimato dado Espanha, França, Alemanha, Reino Unido, Portugal e Holanda na semana passada termina à meia-noite deste domingo. Os países afirmaram que se Maduro não convocasse eleições presidenciais, eles passariam a apoiar Juan Guaidó.

Leia a notícia na íntegra no site do Estadão.

Governos europeus reconhecem Guaidó e ampliam isolamento a Maduro

GENEBRA - Países europeus começam a reconhecer Juan Guaidó como presidente da Venezuela, isolando ainda mais o regime de Nicolás Maduro. Na manhã desta segunda-feira, 4, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, anunciou que "a Espanha reconhece oficialmente a Juan Guaidó como presidente encarregado da Venezuela" e pediu que eleições sejam convocadas. A expectativa é de que outros países do bloco europeu sigam na mesma linha ao longo do dia.

Para Sánchez, as novas eleições precisam ser "livres, democráticas, com garantias e sem exclusões". De acordo com Madri, outros governos europeus se somarão ao consenso ainda nesta segunda. A uma TV espanhola, Maduro rejeitou qualquer ultimato e disse que não deixará o poder. "Não aceito ultimatos de ninguém", insistiu. 

Leia a notícia na íntegra no site do Estadão

Grupo de Lima planeja campanha de pressão contra governo Maduro

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Por David Ljunggren

OTTAWA (Reuters) - Um bloco formado por nações latino-americanas e o Canadá debaterá nesta segunda-feira como manter a pressão para que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, convoque novas eleições, agora que enfrenta clamores generalizados para renunciar após uma contestada votação presidencial no ano passado.

Mas fontes a par do assunto disseram que os 14 países do Grupo de Lima parecem inclinados a adiar novas sanções contra o governo Maduro quando se reunirem em Ottawa.

A maioria dos membros do grupo diz que Maduro deveria dar lugar ao líder opositor Juan Guaidó, que se declarou presidente interino no mês passado e está pedindo uma nova eleição presidencial.

Os Estados Unidos, que não integram o grupo, também querem a saída de Maduro.

"Como podemos continuar a ajudar a oposição a manter a pressão sobre o regime e forçar novas eleições? Certamente é algo que estudaremos", disse uma autoridade do governo canadense.

Maduro, cuja gestão mergulhou o país em um colapso econômico e provocou o êxodo de 3 milhões de venezuelanos, disse em uma entrevista transmitida na rede de televisão espanhola Antena 3 no domingo: "Não aceitamos ultimatos de ninguém", acrescentando: "Recuso-me a convocar eleições agora – haverá eleições em 2024".

O líder, que vem preservando o apoio crucial dos militares, afirmou ser alvo de um golpe de Guaidó dirigido pelos EUA.

A reunião desta segunda-feira em Ottawa também terá na pauta como ajudar o povo da Venezuela, inclusive por meio de uma assistência humanitária imediata, disse o gabinete do primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau.

No mês passado, o Grupo de Lima anunciou uma proibição de viagens a autoridades venezuelanas de alto escalão e o congelamento de seus ativos no exterior.

A fonte canadense, que pediu anonimato devido à sensibilidade da situação, não quis comentar quando indagada se mais medidas punitivas poderiam ser impostas.

Duas fontes a par das conversas disseram que tal anúncio é improvável no momento.

Na semana passada, o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, emitiu sanções contra a estatal petroleira venezuelana PDVSA, medida que deve reduzir as rendas de um país já assolado pela falta de remédios e a desnutrição.

Em uma entrevista exibida no domingo, Trump disse que uma intervenção militar na Venezuela é "uma opção".

(Reportagem adicional de Lisandra Paraguassu, em Brasília; Hugh Bronstein, em Buenos Aires; e Helen Murphy, em Bogotá)

Fonte: Estadão + Reuters

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