Maduro tenta transferir US$ 1,2 bilhão da Venezuela para o Uruguai mas é bloqueado

Publicado em 05/02/2019 18:02 e atualizado em 06/02/2019 06:13
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CARACAS (Reuters) - Um banco português bloqueou uma tentativa da Venezuela de transferir 1,2 bilhão de dólares para o Uruguai, disse um parlamentar venezuelano nesta terça-feira, conforme a oposição ao presidente Nicolás Maduro advertia sobre um possível roubo de fundos públicos e os Estados Unidos enviavam alimentos e medicamentos à fronteira entre a Venezuela e a Colômbia.

Adversários de Maduro têm advertido que autoridades venezuelanas estão tentando esvaziar os cofres públicos antes de uma possível mudança no governo.

A instituição portuguesa Novo Banco suspendeu uma transferência de 1,2 bilhão de dólares de ativos financeiros do governo venezuelano a bancos uruguaios, disse o parlamentar Carlos Paparoni durante sessão no Congresso, um dia depois de Guaidó ter dito que autoridades estavam tentando transferir recursos financeiros.  

“Estou satisfeito em informar ao povo venezuelano que essa transação foi, até agora, interrompida, protegendo os recursos de todos os venezuelanos”, disse Paparoni.

O Ministério de Informação da Venezuela, que lida com todas as perguntas da mídia, não respondeu de imediato a pedido por comentário.

O Novo Banco, do qual 75 por cento é propriedade do fundo de investimento norte-americano Lone Star Funds, não respondeu de imediato a pedido por comentário.

A pressão para o socialista Maduro renunciar está aumentando, em meio a uma crise econômica marcada pela ampla escassez de produtos e pela hiperinflação, com os Estados Unidos e um número crescente de outros países reconhecendo o líder da oposição Juan Guaidó como o presidente legítimo do Venezuela.

A Rússia, que ao lado da China tem apoiado Maduro, reiterou sua visão de que a crise pode ser solucionada apenas com negociações entre o governo e a oposição.

Guaidó, que se autoproclamou presidente interino no mês passado, deveria se reunir ainda nesta terça-feira com líderes empresariais na principal federação empresarial da Venezuela, o Fedecámaras, para discutir um plano de recuperação econômica a ser implementado durante um futuro governo de transição no país membro da Opep.

Importantes países europeus, incluindo o Reino Unido, a Alemanha, a França e a Espanha se juntaram aos Estados Unidos na segunda-feira, reconhecendo Guaidó como presidente da Venezuela, enquanto membros de um outro bloco regional, o Grupo de Lima, mantiveram a pressão política sobre Maduro.

Caminhões carregando fornecimentos de alimentos e medicamentos enviados pelos Estados Unidos, para serem armazenados até que possam ser levados à Venezuela, chegarão ainda nesta semana a pedido de Guaidó e serão levados à principal passagem de fronteira entre a Venezuela e a Colômbia, Cúcúta, disseram autoridades dos EUA com conhecimento do plano.

Não ficou claro como os suprimentos entrarão na Venezuela sem a aprovação de Maduro e a cooperação das Forças Armadas venezuelanas, que têm permanecido fiéis ao governo e que patrulham o lado venezuelano da fronteira.

Guaidó indica advogada para representar Venezuela no Brasil

BRASÍLIA (Reuters) - O autodeclarado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, apontou a advogada e professora María Teresa Belandria para ser sua representante diplomática no Brasil.

Belandria, especialista em direito econômico internacional, é professora da Universidade Central da Venezuela e coordenadora do partido de oposição Vente Venezuela, da líder oposicionista María Corina Machado.

Guaidó já havia indicado, na semana passada, representantes diplomáticos para os Estados Unidos, Colômbia e Argentina, entre outros países da região, mas ainda não havia nomes para o Brasil. Hoje, além de Belandria, foram indicados nomes para Guatemala e Paraguai.

Em sua conta no Twitter, a professora se disse honrada pela indicação e pela aprovação de seu nome pela Assembleia Nacional - a Casa, dominada pela oposição e chefiada por Guaidó, funciona como Congresso do chamado governo interino.

"Honrada pela designação que me conferiu o presidente Juan Guaidó como representante ante a República Federativa do Brasil. Agradecida pela aprovação da Assembleia Nacional. Um compromisso que assumo em defesa dos nossos interesses e da liberdade", escreveu.

O governo de Nicolás Maduro ainda mantém a embaixada aberta em Brasília, mas sem embaixador desde dezembro de 2017. Na mesma época, ainda no governo de Michel Temer, o Brasil também retirou seu embaixador em Caracas. As suas embaixadas funcionam desde então com seus encarregados de negócios.

Militares brasileiros resistem a entrar em ação na Venezuela (ESTADÃO)

A ideia do chanceler Ernesto Araújo de enviar “ajuda humanitária” à Venezuela encontra resistência nas Forças Armadas. Para os militares, qualquer tipo de missão brasileira, mesmo com nobres pretextos, estará sob risco no país vizinho, em ebulição social e política. Aos diplomatas ideológicos do Itamaraty, representantes do núcleo militar do governo avisaram que, além do alto grau de dificuldade logística da ação, qualquer incidente grave envolvendo um brasileiro em solo venezuelano abrirá um caminho sem volta na relação entre os dois países.

Fonte: Reuters

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