Ibovespa cai 3,7% e fecha abaixo de 95 mil pts com realização de lucros

Publicado em 06/02/2019 19:02 e atualizado em 06/02/2019 21:49
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SÃO PAULO (Reuters) - A bolsa paulista fechou com o Ibovespa em queda de quase 4 por cento nesta quarta-feira, em meio a movimento generalizado de realização de lucros, que alvejou principalmente ações de bancos, enquanto Vale seguiu pesando em razão dos desdobramentos da tragédia em Minas Gerais, que já deixou 150 mortos.

Índice de referência do mercado acionário, o Ibovespa caiu 3,74 por cento, a 94.635,57 pontos, maior queda percentual diária desde maio de 2018. O volume financeiro somou 17,27 bilhões de reais.

A queda ocorre após o Ibovespa acumular alta de 11,86 por cento no ano até a véspera, tento renovado máximas históricas repetidamente. Na segunda-feira, atingiu novo recorde para fechamento, a 98.588,64 pontos.

Agentes financeiros também encontraram no noticiário sobre a reforma da Previdência argumento para vendas, em meio a especulações de que a tramitação e aprovação do texto demore mais do que se previa.

Na véspera, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a reforma da Previdência do presidente Jair Bolsonaro não pode ir direto ao plenário da Casa mesmo que o governo lance mão de proposta que já tramita no Congresso.

O mercado brasileiro reagiu positivamente na terça-feira ao alinhamento sinalizado por Maia e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, após reunião sobre o tema, mas, nesta sessão, focou no possível atraso do andamento da reforma.

"A bolsa estava buscando um motivo para realizar, e a chance de o processo de aprovação da reforma se estender mais que o esperado é suficiente para um ajuste negativo, após ganhos fortes na bolsa neste começo de ano", disse um operador.

Na visão do estrategista Dan Kawa, sócio na TAG Investimentos, "com a perspectiva de um longo caminho para a aprovação das reformas, o mercado parece fazer um movimento natural de realização de lucros", conforme nota enviada a clientes nesta tarde.

Ele disse que não vê mudança no cenário estrutural mais positivo para o país, mas reforça que o caminho não será linear.

O quadro externo pouco favorável chancelou as perdas locais, com o dólar valorizando-se globalmente, enquanto Wall Street tinha uma sessão negativa, com notícias corporativas e à espera de novidades sobre as negociações EUA-China.

DESTAQUES

- BRADESCO PN e ITAÚ UNIBANCO PN desabaram 4,71 e 4,21 por cento, respectivamente, maiores contribuição negativas para o Ibovespa na sessão, após acumularem valorização de 18,3 e 7,13 por cento em 2019 até a véspera. BANCO DO BRASIL sofreu um tombo de 6,09 por cento, após alta de 17,55 por cento no acumulado do ano. SANTANDER BRASIL UNIT fechou em baixa de 4,18 por cento.

- VALE recuou 4,88 por cento, fechando na mínima da sessão e próxima do patamar da última segunda-feira, após declarar força maior em uma série de contratos de venda de minério de ferro e de pelotas, na esteira de uma decisão judicial na véspera que determinou a paralisação de barragens em Minas Gerais. A mineradora também divulgou que o governo mineiro cancelou a Autorização Provisória para Operar (APO) da barragem de Laranjeiras, utilizada na operação da mina de Brucutu. Mais cedo, havia anunciado plano de investir cerca de 1,5 bilhão de reais, a partir de 2020, para disposição de rejeitos a seco. Desde o desastre, o papel acumula queda de mais de 24 por cento.

- CCR despencou 6,22 por cento, conforme investidores embolsaram lucros após os papéis terem subido 32,05 por cento no ano, apoiados, entre outros fatores, em perspectivas relacionadas à renovação de contratos de rodovias no Estado de São Paulo. ECORODOVIAS caiu 3,64 por cento.

- PETROBRAS PN recuou 2,15 por cento, contaminada pelo viés negativo, apesar da melhora dos preços do petróleo. Também no radar esteve reportagem do Valor Econômico de que um grupo de investidores quer nova arbitragem coletiva contra a empresa, para ressarcimento por perdas com a desvalorização das ações da estatal após a operação Lava Jato. A empresa disse que não foi notificada.

- CIELO caiu 7,42 por cento, no terceiro pregão seguido de perdas, após forte valorização em janeiro e conforme permanecem dúvidas sobre os resultados da empresa de meio de pagamentos dado o aumento da competição no setor, apesar de medidas agressivas da companhia para enfrentar rivais.

- SUZANO subiu 1,18 por cento, única alta do Ibovespa na sessão, favorecida pela valorização do dólar em relação ao real.

Índices acionários em Wall Streat têm leve recuo após previsões decepcionantes de resultados

NOVA YORK (Reuters) - Os principais índices de ações dos EUA caíram nesta quarta-feira, com fabricantes de videogames apresentando previsões de receita decepcionantes e investidores aguardando os desenvolvimentos nas relações comerciais EUA-China.

O Dow Jones caiu 0,08 por cento, para 25.390 pontos, o S&P 500 perdeu 0,22 por cento, para 2.731 pontos, e o Nasdaq recuou 0,36 por cento, para 7.375 pontos.

O S&P 500 e o Nasdaq foram influenciados pela queda nas ações da Electronic Arts, que caíram 13,3 por cento após a produtora de videogames prever receita para 2019 abaixo das estimativas de Wall Street.

Apesar da queda, os índices de Wall Street mantiveram-se perto das máximas de dois meses.

"O mercado está se sentindo um pouco exausto após termos tido uma boa corrida em janeiro e início de fevereiro", disse Nathan Thooft, diretor global de alocação de ativos da Manulife Asset Management, em Boston.

Os investidores citaram um vazio de catalisadores para ganhos de mercado.

"As negociações comerciais são provavelmente a coisa mais intrigante para o mercado, mas isso é em março", disse Kim Forrest, gerente de portfólio do Fort Pitt Capital, referindo-se ao prazo para Estados Unidos e a China chegarem a um acordo comercial antes que tarifas adicionais entrem em vigor.

Fonte Reuters

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