Bolsonaro diz que voltou a comer após cirurgia (caldo e gelatina)

Publicado em 07/02/2019 17:13 e atualizado em 08/02/2019 13:28
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Febre e pneumonia nunca é bom, muito menos para presidente recém-empossado (por ELIANE CANTANHÊDE, no ESTADÃO)

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(Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira, em publicação no Twitter, que voltou a ingerir alimentos nas últimas horas, um dia após confirmação dos médicos de que teve detectada uma pneumonia que está sendo tratada por antibiótico.

"Nas últimas horas tive o prazer de voltar a comer. Ontem pela noite um caldo de carne e hoje uma boa gelatina. Estou feliz, apesar de não ser aquele pão com leite condensado", disse o presidente na mensagem, acompanhada de uma foto no leito do hospital em que aparece com sonda nasogástrica e segurando uma colher de gelatina.

Bolsonaro, de 63 anos, se submeteu a uma cirurgia em 28 de janeiro para retirada de uma bolsa de colostomia e para reconstrução de seu trânsito intestinal que durou cerca de sete horas. Foi a terceira cirurgia a que ele se submeteu depois de sofrer uma facada em setembro do ano passado, durante evento de campanha.

O porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, informou na quinta-feira que Bolsonaro teve um episódio isolado de febre na noite anterior e teve detectada uma pneumonia que está sendo tratada por antibiótico. Segundo boletim médico do hospital Albert Einstein, onde Bolsonaro passou pela cirurgia, exames de imagem tiveram resultados compatíveis com pneumonia.

A previsão inicial dos médicos era de que Bolsonaro ficaria internado por 10 dias após a operação e receberia alta nesta semana, mas, após apresentar um primeiro episódio de febre no fim de semana, os médicos decidiram mantê-lo internado por mais tempo e, por ora, não há previsão para que receba alta.

O presidente tem despachado e assinado atos no hospital.

Bolsonaro vai ficar por mais ‘cinco a sete dias’ no hospital (no ESTADÃO)

Antonio Luiz Macedo, médico responsável pela cirurgia de Jair Bolsonaro, disse que o quadro do presidente “é sutil e leve”, mas deve fazer com que ele permaneça no hospital por mais, pelo menos, “cinco a sete dias”, registra o Estadão.

Boletim médico de Bolsonaro às 16h

O porta-voz Otávio do Rêgo Barros deve falar com a imprensa sobre o estado de saúde de Jair Bolsonaro às 16h, mesmo horário da previsão de divulgação de novo boletim médico pelo Albert Einstein.

Áudio: Deputado do PSOL que disse que Bolsonaro ‘está para morrer’ foge de entrevista a O Antagonista

Em entrevista à TV Câmara veiculada ontem, o deputado federal Edmilson Rodrigues, do PSOL do Pará, disse que Jair Bolsonaro “está para morrer” (veja o vídeo abaixo).

A repórter havia perguntado se o parlamentar — o mais votado em seu estado nas últimas eleições — achava que seria bem-sucedida a tentativa do governo de avançar, ao mesmo tempo, com as tramitações no Congresso da reforma da Previdência e do pacote anticrime de Sergio Moro. O psolista respondeu assim:

“Olha, eu acho que o governo deve ter sua estratégia, mas não se entende. Nem vice… o presidente está para morrer. Mas a sua assessoria mais direta praticamente o obrigou, o constrangeu a reassumir o cargo porque ele não tem confiança no vice.”

Há pouco, Diego Amorim, de O Antagonista, ligou para o deputado, que começou reclamando da qualidade da ligação.

“Tá meio baixo.”

O repórter fala mais alto e pergunta se o deputado o escuta:

“Sim, pode falar.”

Questionado se se arrepende de ter dito que Bolsonaro “está para morrer”, Rodrigues fica em silêncio.

“Alô?”

O repórter insiste na pergunta.

“Não tô entendendo, porque eu tô na rua. Alô?”

A ligação, então, cai. O repórter tenta contato novamente, mas, depois de algumas chamadas, é direcionado para a caixa-postal do deputado.

Escute clicando aqui embaixo a tentativa de entrevista:

 

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Deputado do PSOL: O presidente tá pra morrer 01:17

Bolsonaro teve febre na 4ª e exame indicou pneumonia, diz boletim médico

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro teve um episódio isolado de febre na noite de quarta-feira e teve detectada uma pneumonia que está sendo tratada por antibióticos, disse nesta quinta-feira o porta-voz da Presidência da República, general Otávio Rêgo Barros.

Segundo boletim médico do hospital Albert Einstein, onde Bolsonaro passou por uma cirurgia no dia 28 de janeiro, o presidente realizou exames de imagem e os resultados foram compatíveis com pneumonia.

"O excelentíssimo presidente da República, Jair Bolsonaro, permanece internado na Unidade Semi-Intensiva do hospital Israelita Albert Einstein. Apresentou, ontem à noite, episódio isolado de febre sem outros sintomas associados, foi submetido à tomografia de tórax e abdome que evidenciou boa evolução do quadro intestinal e imagem compatível com pneumonia", afirma o boletim desta quinta-feira.

"Foi realizado um ajuste na antibioticoterapia e mantidos os demais tratamentos. Continua sem dor, com sonda nasogástrica, dreno no abdome e recebendo líquidos por via oral em associação à nutrição parenteral. Hoje, realizou exercícios respiratórios e caminhou no corredor", acrescentou o boletim.

Em entrevista à imprensa no hospital, Rêgo Barros disse que a febre de Bolsonaro foi de 38 graus e que os médicos acrescentaram um novo antibiótico aos medicamentos ministrados ao presidente.

"O presidente vem recebendo administração de antibióticos de amplo espectro. Os médicos acharam por bem acrescentar à antibioticoterapia um novo componente, uma nova droga, de forma que esse espectro possa ser ainda maior, e têm a convicção de que essa ação vai debelar essa pneumonia que foi encontrada em seu pulmão", disse o porta-voz.

"Eles fizeram os exames tanto viral quando bacteriano e descartaram o viral. Então trata-se de uma questão bacteriana. Não sei se posso aprofundar um pouco mais, algumas causas podem ser a geradora dessa pneumonia, mas ficar na suposição não me parece adequado, de forma que eu não vou citar", acrescentou.

Indagado, o porta-voz disse que não sentiu dos médicos um aumento da preocupação com o estado de saúde do presidente.

Rêgo Barros disse ainda a jornalistas que Bolsonaro está com bom estado de ânimo e que, inclusive, fez brincadeiras com enfermeiras e com o operador da máquina de tomografia quando ele se submeteu ao exame na noite de quarta-feira.

Em Brasília, o vice-presidente Hamilton Mourão procurou minimizar o assunto. Questionado se não seria o momento de voltar a assumir a Presidência, para que Bolsonaro possa se restabelecer com tranquilidade, Mourão foi sucinto: "Não."

"Vamos aguardar o que é esta questão da pneumonia. O dado que tem ainda é incipiente, né? É normal quando a pessoa fica muito tempo deitada. Ambiente de hospital tem esse problema, então vamos aguardar", disse a jornalistas.

No dia 28 de janeiro, Bolsonaro se submeteu a uma cirurgia para retirada de uma bolsa de colostomia e para reconstrução de seu trânsito intestinal que durou cerca de sete horas. Foi a terceira cirurgia a que ele se submeteu depois de sofrer uma facada em setembro do ano passado durante evento de campanha.

O primeiro procedimento foi uma operação de emergência em Juiz de Fora (MG), onde ele sofreu o atentado, e posteriormente, já em São Paulo, ele teve de passar por nova cirurgia por conta de aderências na parede intestinal.

O presidente tem despachado e assinado atos no hospital.

Febre e pneumonia nunca é bom, muito menos para presidente recém-empossado (por ELIANE CANTANHÊDE, no ESTADÃO)

Elogiável o presidente Jair Bolsonaro manter a sociedade informada sobre o seu quadro clínico, com boletins e entrevistas do porta-voz, Otávio Rêgo Barros. Dito isso, não é possível achar que a situação está absolutamente sob controle, após dez dias no hospital Albert Einstein. Não é tão tranquila e reconhecer isso não é “sensacionalismo”, como advertiu Bolsonaro pelo Twitter, mas sim trabalhar com a realidade.

Normalmente, fechar uma colostomia é um procedimento rápido, de baixo risco, sem complicações. Não é o que vem ocorrendo no caso do presidente, esfaqueado grave e covardemente num comício em que era carregado pela multidão.

A bolsa seria retirada em dezembro, mas adiaram para janeiro. A cirurgia era estimada em três horas, mas durou sete. Ele sairia do hospital na quarta-feira passada, mas os médicos adiaram a alta, sem nova previsão. Primeiro, enjoo e vômitos. Depois, febre. Em seguida, volta ao semi-intensivo. E, ontem, a notícia de que, apesar dos antibióticos, os exames de tórax detectaram pneumonia. Bom não é.

Do ponto de vista do governo, o impacto é quase imperceptível, já que Bolsonaro vem recebendo todas as informações no hospital, os dois ministros-chave, Paulo Guedes e Sérgio Moro, estão a mil por hora e o Planalto e o próprio governo estão sob o controle do ministro Augusto Heleno, do GSI.

Guedes cumpre uma agenda cheia, com governadores, presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo, assuntando, sentindo o ambiente político, vendendo a reforma da Previdência. E Moro repete o script, estreando inclusive numa seara que não costuma ser muito fácil para neófitos em política: o corpo a corpo com parlamentares, para ouvir mais do que falar e garantir viabilidade ao seu pacote – que, na verdade, são dois em um, contra a corrupção e contra o crime organizado.

Assim, o que incomoda na internação de Bolsonaro, mais longa do que o previsto e mais difícil do que o desejável, é que ele continua sendo coadjuvante no seu governo, assim como na sua campanha à Presidência. Após a facada, a campanha andou sozinha e Bolsonaro se limitava a posts pelas redes sociais e a entrevistas pontuais à mídia mais camarada. Com a terceira cirurgia, ele está comandando o País a partir do hospital e do Twitter e o governo também anda sozinho.

Na campanha, o resultado foi a forte entrada em cena de seus três filhos mais velhos, Flávio, agora senador, Eduardo, o deputado metido em política externa, e Carlos, o responsável pela imagem do pai. No governo, o resultado é um constrangimento: a desenvoltura do vice Hamilton Mourão.

General de quatro estrelas, bem preparado, com opiniões fortes sobre tudo e sem papas na língua, Mourão deu de ombros à ordem de Bolsonaro para todos calarem a boca durante as eleições e também dá de ombros à sugestão (em falta de uma palavra melhor) de Augusto Heleno, seu colega de farda e de Alto-Comando do Exército, no mesmo sentido. Não calou a boca na campanha, não cala agora no governo.

Bolsonaro e seu entorno providenciaram um “gabinete de emergência” no hospital, mas as visitas estão vetadas, as videoconferências não deslancharam e eles não estão conseguindo evitar o protagonismo do vice-presidente. 

Se mudança houve, foi no tom de Mourão. Na eleição, conservador e polêmico. No governo, equilibrado e até surpreendente. Já falou com naturalidade sobre aborto, embaixada em Israel e ameaças contra o ex-deputado Jean Wyllys. E, ontem, recebeu a CUT, nada mais nada menos. Mourão politicamente correto?

Homem saudável e razoavelmente jovem, Jair Bolsonaro deve estar louco para ter alta logo e assumir, de fato, a Presidência. Bons votos!

Fonte: O Antagonista/Reuters

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