Coronel do Exército venezuelano rompe com Maduro e pede ajuda humanitária

Publicado em 10/02/2019 15:29
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Rubén Alberto Paz Jiménez, coronel da ativa do Exército venezuelano, publicou nas redes um vídeo em que apoia Juan Guaidó como presidente interino.

Jiménez também pediu que seus colegas militares permitam a entrada de ajuda humanitária que começou a chegar na fronteira do país com a Colômbia.

“Como médico, reconheço a problemática questão sanitária que o país vive. Peço a todos os integrantes das Forças Armadas: permitam a entrada de ajuda humanitária”, afirmou.

Clique abaixo para assistir ao vídeo:

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Ajuda humanitária cruzará fronteira de Venezuela com Brasil, promete povo indígena Pemon

Por Maria Ramirez

PUERTO ORDAZ, Venezuela (Reuters) - Na Venezuela, os Pemon, povo indígena que vive na fronteira com o Brasil, estão determinados a permitir a entrada de qualquer ajuda estrangeira que chegue ao país, mesmo que isso signifique bater de frente com as forças de segurança venezuelanas e o governo do presidente Nicolás Maduro.

Em meio à hiperinflação e a uma economia em colapso, o que tem resultado em casos de desnutrição e no êxodo de milhões de pessoas, a ajuda humanitária se tornou um dos pontos críticos em uma cada vez mais grave crise política.

Seis líderes da comunidade Pemon que vive no município de Grand Sabana, na fronteira com o Brasil, disseram à Reuters que a população em necessidade deve ignorar qualquer politização da ajuda humanitária.

A área de Gran Sabana, composta por campos planos com imensos chapadões esparsos e que fica no sul do estado de Bolívar, abriga a única via pavimentada que liga o Brasil e a Venezuela.

"Estamos fisicamente preparados – sem armas – e dispostos a abrir a fronteira para receber a ajuda humanitária", disse o prefeito de Gran Sabana, Emilio Gonzales, à Reuters. "Nem a Guarda Nacional nem o governo podem parar isso."

As comunidades indígenas gozam de um grau maior de autonomia em relação a outros grupos naVenezuela.

O governador de Bolívar e o chefe militar para a região de Guayana, que engloba os estados de Bolívar e Amazonas, não estavam disponíveis para comentar sobre o assunto.

"Somos os nativos de Gran Sabana e não vamos permitir que alguns generais de fora decidam por nós", disse Jorge Perez, conselheiro regional para as comunidades indígenas. "Somos as autoridades legítimas."

Perez disse que faz visitas diárias ao hospital local, onde pacientes e médicos se desesperam juntos pela falta de remédios. "Para qualquer emergência eles estão nos levando para o Brasil – é vergonhoso. O hospital de Boa Vista está cheio de pacientes venezuelanos", disse.

Nos últimos anos, a capital de Roraima tem sido o destino de dezenas de milhares de venezuelanos que fogem da crise em seu país. O Monte Roraima, de 2,8 mil metros de altitude e que fica encravado na fronteira, é território sagrado para os Pemon e considerado um símbolo espiritual por muitosvenezuelanos.

O prefeito Gonzalez disse que as autoridades no Brasil ainda não o informaram sobre uma data precisa para a chegada de carregamentos de ajuda humanitária na fronteira.

Uma representante do governo brasileiro não quis comentar sobre ajuda humanitária, mas confirmou que o transporte via terrestre até Gran Sabana é uma possibilidade.

Até o momento, a oposição venezuelana confirmou a chegada somente de ajuda em Cúcuta, na fronteira com a Colômbia, onde os carregamentos estão sendo armazenados após as autoridadesvenezuelanas deixarem claro que não permitirão a entrada no país. 

Juan Guaidó, o auto-proclamado presidente interino da Venezuela, prometeu a chegada de ajuda humanitária à população e negociou o envio de medicamentos e alimentos com Estados Unidos, Canadá, Brasil, Colômbia e outros países da região. Maduro, no entanto, nega a autorização para entrada de ajuda e esta semana disse que os venezuelanos não são "pedintes.

O governo venezuelano fechou a fronteira com a Colômbia para impedir a passagem de caminhões.

Maduro usa ouro de garimpeiros para financiar importações e dribla sanções americanas

Por Corina Pons e Maria Ramirez (EL CALLAO, Venezuela (Reuters) -

A operação financeira mais exitosa da Venezuela nos últimos anos não aconteceu em Wall Street, mas em primitivos campos de garimpo de ouro no sul do país.

Com o derretimento da economia do país, cerca de 300.000 garimpeiros invadiram essa área de floresta rica em ouro para tentar fazer fortuna em minas improvisadas. Suas picaretas e pás estão ajudando o governo de Nicolás Maduro. Desde 2016, o governo comprou 17 toneladas de ouro, que valem cerca de 650 milhões de dólares, dos garimpeiros, de acordo com os números mais recentes do Banco Central venezuelano.

Pagos com a moeda local praticamente sem valor, os garimpeiros amadores por sua vez abastecem o governo com moeda forte para que possa importar alimentos e produtos de higiene.

Apesar do pequeno impacto desse comércio de ouro nos mercados internacionais, o governo americano tem usado sanções e intimidação em um esforço para evitar que Maduro uso o ouro para se manter seu governo.

Donald Trump tem pressionado o Reino Unido a não liberar reservas de 1,2 bilhões de dólares em ouro que a Venezuela tem depositadas no Banco da Inglaterra. Recentemente, uma empresa de investimentos dos Emirados Árabes Unidos foi punida pelos EUA por ter comprado ouro venezuelano.

A existência do programa de ouro de Maduro é conhecida, mas sua operação não.

Para tentar entendê-lo, a Reuters rastreou o ouro das minas na selva através do Banco Central em Caracas até refinarias de ouro e exportadores de alimentos no exterior, conversando com mais de 30 pessoas.

O que surge é um retrato de um experimento desesperado de laissez-faire na política industrial pelos líderes venezuelanos. As sanções americanas abateram a indústria do petróleo e prejudicaram a capacidade de empréstimo do país. O setor formal de mineração foi dizimado pela nacionalização. O governo de Maduro então liberou aos garimpeiros para extrair a riqueza mineral do país sem qualquer regulação ou investimento estatal.

A revolução bolivariana agora depende pesadamente de trabalhadores como José Aular, um adolescente que diz ter contraído malária cinco vezes em uma mina na fronteira com o Brasil. Aular trabalha 12 horas por dia carregando sacos de terra para um pequeno moinho que usa mercúrio para extrair o ouro. Acidentes são comuns nos garimpos, assim como tiroteios e assaltos.

"O governo sabe o que acontece nas minas e se beneficia disso. O ouro vai para as mãos deles", diz Aular, 18 anos.

Maduro também recebeu apoio crucial do presidente da Turquia, Recep Erdogan. A Venezuela vende a maior parte do seu ouro para refinarias na Turquia e então usa parte do lucro para comprar bens de consumo, de acordo com pessoas com conhecimento direto do tema. Massa e leite em pó turcos são agora parte do programa de alimentos subsidiados. O comércio entre os dois países cresceu oito vezes no ano passado.

Uma ordem executiva do governo americano proíbe empresas e nacionais americanos de comprar ouro venezuelano, mas a norma não se aplica a estrangeiros. Ankara afirmou aos EUA que todo o comércio com a Venezuela está de acordo com a legislação internacional.

Em dezembro de 2016, a Venezuela anunciou um voo direto entre Caracas e Istambul pela Turkish Airlines. Dados de comércio desde então mostram que os aviões estão levando mais que passageiros. No dia 1o de janeiro de 2018 o Banco Central da Venezuela começou a enviar ouro para a Turquia, com uma carga de 36 milhões de dólares do minério para Istambul.

As remessas chegaram a 900 milhões no ano passado, de acordo com relatórios de comércio da Turquia.

O Banco Central da Venezuela tem vendido o seu ouro direto para refinarias turcas, de acordo com duas fontes governamentais da Venezuela. A receita é direcionada ao banco venezuelano de desenvolvimento Bandes para importação de bens de consumo.

Os compradores incluem a Istambul Gold Refinery (IGR), e a Sardes Kiymetli Mandele, uma empresa de importações turca, de acordo com uma pessoa que trabalha na indústria de ouro turca, assim como um diplomata baseado em Caracas e dois servidores venezuelanos.

A IGR negou em entrevista à Reuters estar negociando com Caracas. A Sares não respondeu aos pedidos de comentário.

Petroleira venezuelana PDVSA muda para banco russo contas de empresas mistas de exportação de petróleo

CARACAS (Reuters) - A estatal de petróleo venezuelana PDVSA instruiu os presidentes de joint venturas da qual faz parte a depositar os recursos recebidos da exportação de petróleo em uma conta recentemente aberta no banco russo Gazprombank AO, de acordo com fontes e um documento interno a que a Reuters teve acesso no último sábado.

O movimento da estatal venezuelana é uma forma de tentar evitar as novas sanções impostas pelos Estados Unidos em 28 de janeiro que tentam evitar que o governo de Nicolás Maduro tenha acesso à receita da venda de petróleo. O governo americano e vários outros, inclusive o Brasil, recusaram-se a aceitar a reeleição de Maduro, apontando indícios de fraude no pleito de 2018.

Segundo fontes, desde a implementação das novas sanções a PDVSA vem pressionando seus sócios nas operações na faixa do Orinoco para decidirem se continuaram a exploração com a estatal - entre as empresas estão a norueguesa Equinor, a americana Chevron e a francesa Total.

Além disso, as empresas devem notificar a seus clientes que farão pagamentos em dólares ou euros nesta conta bancária em Moscou, de acordo com uma carta assinada pelo vice-presidente de Finanças da PDVSA, Fernando de Quintal, com data de 8 de fevereiro.

"Gostaríamos de tornar formal as novas instruções bancárias para pagamentos em dólares ou euros", diz o texto da carta dirigida ao setor que supervisiona as joint ventures da empresa.

As instruções foram dadas há várias semanas aos clientes e então a empresa passou a transferir as contas das empresas, que podem operar exportações de petróleo independentemente.

Maduro importa inteligência artificial da China criada para controle social (ESTADÃO)

“Todo mundo deve tirar seu cartão da pátria, porque isso nos permitirá saber quem está se beneficiando de qual projeto, quem não é beneficiado, e desmascarar alguns salafrários.” Nicolás Maduro descrevia assim em 2017 o documento com tecnologiacapaz de cruzar, em menos de 30 segundos, as informações do titular: de exames de sangue à retirada de comida, gastos com gasolina e hábitos na internet. A ferramenta importada da China permite ao chavismo monitorar dois terços dos 30 milhões de venezuelanos.

Nicolás Maduro “Todo mundo deve tirar seu cartão da pátria, porque isso nos permitirá saber quem está se beneficiando de qual projeto, quem não é beneficiado, e desmascarar alguns salafrários", disse Maduro em 2017 Foto: Miguel Gutiérrez / EFE

Quem desenvolveu o novo sistema usado no cartão da pátria foi a gigante chinesa ZTE, em uma parceria que se estendeu para outras áreas. A empresa tem um largo histórico de controvérsias – sofreu sanções e proibições nos EUA por supostamente usar programas e softwares para espionar americanos e empresas americanas. A ZTE é a menina dos olhos do governo chinês, que cada vez mais está exportando seus programas de inteligência artificial.

Em 2015, a China lançou seu plano “Made in China 2025”, para dominar as indústrias tecnológicas de ponta. Isso foi seguido, no ano passado, pelos planos para o país ser líder mundial no campo da inteligência artificial até 2030 e construir uma indústria de US $ 150 bilhões.

O mundo em desenvolvimento é uma grande oportunidade para concretizar tais ambições. A China não quer apenas dominar esses mercados. Ela quer usar os países em desenvolvimento como um laboratório para melhorar as próprias tecnologias de vigilância. Só no ano passado, a China exportou mais de US$ 5 bilhões em tecnologia de inteligência artificial (IA). 

A China não faz distinção entre clientes. Nos últimos dois anos, exportou para países democráticos, como Alemanha, França e Argentina. Mas seus clientes mais assíduos têm sido regimes com diferentes graus de viés autoritário: Venezuela, Rússia, Azerbaijão, Armênia, Irã, Turquia, Paquistão, Ruanda e Quênia. 

Em geral, regimes com traços autoritários que desejam manter um rígido controle social sobre a população e sobre seus opositores. “É uma via de duas mãos: ao mesmo tempo em que exportam tecnologia, os chineses usam esses países como cobaias para os próprios experimentos”, afirma Steven Feldstein, professor de políticas públicas da Universidade Boise. 

Quando os governos que adotam os softwares fiscalizam manifestações e reuniões de opositores, dão acesso a empresas chinesas a um banco de dados cada vez maior.

Fonte O Antagonista/Reuters/Estadão

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