No Estadão: ‘Desmame de subsídios não pode ser radical', diz ministra da Agricultura

Publicado em 11/02/2019 08:26
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BRASÍLIA - Em meio à tensão dos produtores com o risco de corte pela equipe econômica da oferta de crédito com taxas subsidiadas pelo Tesouro Nacional, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, alerta que um "desmame" radical dos subsídios pode desarrumar o agronegócio, que responde por 20% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. "Vamos quebrar a Agricultura? É esse o propósito? Tenho certeza que não é", diz a ministra. "Não pode criar um pânico no campo: acabou o dinheiro! Não é assim".

A tensão entre os produtores cresceu depois que o presidente do Banco do Brasil (BB), Rubens Novaes, em entrevista ao Estado afirmou que o "grosso da atividade rural" pode se financiar com as taxas de mercado. O ministro da Economia, Paulo Guedes, também avisou no Fórum Econômico Mundial de Davos que pretende cortar esse ano US$ 10 bilhões da conta de todos os subsídios do Tesouro em 2019. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Tereza Cristina, que liderou a bancada ruralista no Congresso, diz que o governo desenha um novo modelo de financiamento do setor agrícola, mas assegurou que nada será feito de forma unilateral pela área econômica. Veja a seguir os principais pontos da entrevista:

Depois da declaração do presidente do BB de que o grosso da atividade rural pode se financiar a taxas de mercado, o setor ficou apreensivo. O que mudará no novo financiamento?

No Plano Safra atual, que não fui eu quem fiz, já foi difícil porque o dinheiro do Tesouro está cada dia mais curto. Enquanto não resolvermos esse déficit público, é uma briga porque está todo mundo dentro da caixinha. Tira daqui e põe ali. É uma dança das cadeiras dentro do mesmo salão. Não dá para crescer o salão. Já estamos conversando sobre novas maneiras de financiamento.

Leia a entrevista na íntegra no site do Estadão.

Fonte Estadão

3 comentários

  • Carlos William Nascimento Campo Mourão - PR

    Parabéns Ministra. Defenda os produtores. Se a equipe econômica continuar a prejudicar o campo, peça demissão . Terá o apoio de todo o setor.Se o Guedes é tão corajoso assim, que elimine as tarifas de importação de defensivos genéricos, de máquinas e insumos agrícolas, de carros chineses. Vamos, será corajoso ministro. Epa... aí vai prejudicar a Anfavea, Andef, Abimaq, e esse povo é poderoso. Leiteiro é um coitado, que assim como os outros produtores carrega todo esse povo e o resto do país nas costas. Se o Bolsonaro tivesse dito na campanha que iria fazer isso, não teria votos do campo. Disse sim que iria ajudar, reduzir impostos, melhorar o seguro, ampliar crédito. Mas pelo jeito, estelionato eleitoral não é exclusividade do PT. Vamos aguardar, mas o começo não está nada bom. Só bateção de cabeça, um querendo falar mais abobrinha que o outro. Deslumbrados com um microfone.

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    • GERALDO GENTILEIBAITI - PR

      Mas você está condenando o Bolsonaro com 45 dias de governo? Nestes 45 dias creio que foi o governante mais operativo que já vi em minha vida. De outro lado, a retirada das tarifas antidumping não terá efeito na economia leiteira, pois este setor já vinha competindo com o leite em pó da União Européia importado "por debaixo dos panos" pela Argentina e Uruguai e vendido dentro do Brasil via Mercosul. Estas tarifas só causavam enorme desgastes e custos políticos em negociações.internacionais.

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    • CARLOS WILLIAM NASCIMENTOCAMPO MOURÃO - PR

      Não estou condenando o governo. Estou dizendo que ele prometeu algo completamente diferente ao setor agrícola. O leite será só o começo. Vão tirar as barreiras do trigo americano, canadense, russo, do café do Vietnã, do DDG americano , e assim por diante. Se você acredita que pode competir contra o Federal reserve ou o Banco Central Europeu, boa sorte.

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    • PAULO ROBERTO RENSIBANDEIRANTES - PR

      Embora existam grandes grupos que produzem commodities agrícolas no país, a realidade é que o setor de produção das commodities agrícolas tem a característica de uma concorrência perfeita, ou seja, nenhum participante tem tamanho suficiente para ter o poder de mercado para definir o preço. Somos tomadores de preço de nossos insumos para a produção e, do produto final. ... Às vezes, faço a comparação aos "integrados" que criam frangos para as empresas. ... São (obrigados) a adquirir os pintinhos de 1 dia, a ração, seguir as orientações e, na hora da venda só tem a opção de um único comprador. ... Aí, ficam tentando descobrir qual é o melhor caminho para chegar no "ponto final"... Que é sempre o mesmo, ou seja, a largada e a chegada é do mesmo dono. ... ... Você só tem a opção de caminhar, caminhar... e, .... ...

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    • DALZIR VITORIAUBERLÂNDIA - MG

      Caro Rensi...o integrado não compra pintinho....não compra ração.. Ele recebe..usa a instalação e a mão de obra e tem uma renda por isto...veja o oeste..meio oeste catarinense tão desenvolvido quanto oeste do Paraná.. Veja as pirambeiras em SC...este progresso se deve aos sistema integrado de aves e suínos...

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    • PAULO ROBERTO RENSIBANDEIRANTES - PR

      ÃHÃ !!! Numa relação onde o interesse é financeiro, as trocas não têm valor monetário... ... Ah! Esqueci, você foi do setor e é o maior conhecedor das realidades... ... ... Quanto a palavra "compra", onde ela consta no minha mensagem ... ...

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  • JUSTINO CORREIA FILHO Bela Vista do Paraíso - PR

    O setor produtivo agropecuário, paga uma enormidade de tributos! Movimentamos a economia, gerando superavit comercial e acho que realmente deveria ter mais incentivo com juros subsidiados e não o contrário.

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  • Dalzir Vitoria Uberlândia - MG

    Ministra você não esta comendo bola da Jbs....acabou as balinha...não sabe se impor....não tem cacife..lhe falta postura de ministro...cai fora..senão a conta vai para os produtores...volta ser deputada e coitado dos seus eleitores se você não manda nada e não resolve porá nenhuma...barra do guarita no RS...salete em SC...pranchita no PR...campo florido em minas precisam de auxiliar para secretaria da agricultura...que sabe a senhora serve...

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    • GERALDO GENTILEIBAITI - PR

      Cacilda ....toda essa reflexão com apenas 40 dias de Governo? Quer dizer que o Setor Leiteiro não pode competir com uma tarifa de 28%? Que dizer dos produtores Argentinos e Uruguaios que importam o leite em pó da União Européia e vendem para o Brasil mediante as tarifas do Mercosul? Na verdade o Setor Leiteiro Brasileiro já vem competindo com o leite da União Européia (via Mercosul) há muitos anos e nem por isso houve "quebradeira generalizada e extinção do setor", muito pelo contrário. No mais tudo é gritaria de qualquer setor que se acha prejudicado. É normal. Mas a verdade é que a retirada das tarifas antidumping é estratégica pois seu custo político internacional tornou-se muito caro. Melhor, caso se faça necessário, é, simplesmente, aumentar as taxas de importação diretas que não agregam o citado custo político. O Governo Bolsonaro joga com as regras internacionais e não com o primarismo político/econômico do PT e de seus acólitos.

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    • SANDRO ROBERTO LAUTERTCONDOR - RS

      Sr. Geraldo.O Sr. fala assim, porque nunca vendeu um Litro de LEITE a $ 0,85 ctvs. Como está acontecendo na minha Região. Lástima. vendo as pequenas propriedades sendo exterminadas.

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    • CARLOS WILLIAM NASCIMENTOCAMPO MOURÃO - PR

      Segundo a Emater-RS, em 2017, 25.000 produtores abandonaram a atividade leiteira naquele estado. Pouca coisa né.Deixa liberar o DDG americano subsidiado e você vai ver para onde vai o preço do milho aí em Ibaiti.

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