O Brasil chora a morte do jornalista Ricardo Boechat

Publicado em 11/02/2019 14:07 e atualizado em 11/02/2019 21:40
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Talvez o jornalista Ricardo Boechat não soubesse, ao certo, o quanto ele significava e vai significar para sempre para os brasileiros. E hoje, neste triste 11 de fevereiro de 2019, o Brasil chora sua partida tão precoce. A lacuna deixada pelo acolhedor e empático jornalismo de Boechat jamais será preenchida. Sua forma de lidar com as notícias era única, afinal. 

O jornalista, de 66 anos, foi morto nesta segunda-feira no acidente de um helicóptero que caiu sobre um caminhão, na rodovia Anhanguera. O piloto, Ronaldo Quattrucci, também foi vitimado. 

Boechat se tornou o melhor amigo dos brasileiros ao trazer as informações mais importantes do dia de uma forma tão particular que aproximava qualquer ouvinte ou telespectador que se deparasse com uma sua voz marcante e característico sotaque carioca. 

O respeito de Boechat pela notícia era sua principal marca. 

A saudade e a homenagem de toda a equipe de jornalismo do Notícias Agrícolas ao nosso Ricardo Boechat. Seu trabalho será sempre inspiração para nós, colega. 

Vídeo: helicóptero com Boechat em chamas

Veja o vídeo que circula nas redes do momento imediatamente posterior ao choque do caminhão que trafegava no Rodoanel, em São Paulo, com o helicóptero que transportava o jornalista Ricardo Boechat:

Testemunha diz que viu Boechat pular de helicóptero

A vendedora Leilaine Rafael da Silva, que estava numa moto com o marido no momento do acidente com o helicóptero de Ricardo Boechat, disse que viu o passageiro pulando da aeronave, que depois caiu sobre ele, informa o G1.

O helicóptero levava apenas o jornalista e o piloto Ronaldo Quattrucci, ambos mortos no acidente.

“Uma pessoa pulou do helicóptero. O piloto ficou dentro do helicóptero. A pessoa que caiu na pista. Era o que tinha pulado primeiro. Ele pulou na pista, caiu no chão e o helicóptero caiu em cima dele”, disse Leilaine, que prestou depoimento na polícia.

“Mas eu queria salvar ele. Porque o piloto não pulou, ficou dentro do helicóptero”, completou a vendedora, que ajudou a retirar o motorista de dentro do caminhão que se chocou com a aeronave.

O Globo: Peço licença para falar de dois Boechats

POR ANCELMO GOIS

Peço licença para falar de dois Boechats.

O primeiro: o colega e amigo. O Boechat boa gente, embora de temperamento difícil, até mesmo explosivo, mas que, no fim das contas, sempre pedia desculpas. Quando eu assumi o seu lugar neste espaço, em 2001, no meio de uma crise, Boechat foi de extrema generosidade comigo.

Começamos a conversar às 9h da manhã, numa padaria em Ipanema. Terminamos quase ao pôr do sol. Pacientemente, ele me dava dicas, sugestões, opiniões de como eu deveria ocupar o espaço que era dele. Não é comum, convenhamos, alguém deixar um posto de tanto prestígio profissional e ficar torcendo pelo sucesso do cara que vai ficar em seu lugar. E mais: no rádio, ficava falando da coluna e elogiando o colunista. Isso é raro.
Mostra a marca da generosidade que sempre o acompanhou.

Mas não foi só comigo que houve essa suprema gentileza. Até hoje, vários motoristas de táxi do ponto em frente ao GLOBO recordam-se de gestos semelhantes do amigo - que, inclusive, ajudou um deles a comprar o próprio carro. Jogava pelada com todo mundo. Era uma figuraça.

O outro Boechat, o Brasil conheceu. O seu amor pela notícia levou alguns amigos, eu entre eles, a inventarem que ele tinha até um calo na orelha de tanto ficar pendurado ao telefone, à cata de novidades. Fumava escondido na redação (a mesa dele era cheia de queimaduras de cigarro). É difícil dizer, neste momento, o que ele era: um colunista inovador, um grande repórter, um ótimo apresentador de telejornal ou um estupendo homem do rádio.

Na verdade, era tudo isso.

Como colunista, assim como outros como o mestre Zózimo, Boechat ajudou a fazer uma importante transposição: do colunismo social de vaidades que exaltava bem-nascidos e celebrava - como se notícia fosse - uma simples festa de 15 anos, para um colunismo de notas variadas onde há espaço para informações relevantes sem jamais perder o humor.

Como repórter, deu vários furos, o que o fez ser um dos jornalistas mais premiados de sua geração, incluindo três Esso - durante muito tempo a maior honraria que um jornalista poderia receber. Aliás, modéstia à parte, ele ganhou um Esso em cima de uma nota minha (eu estava na Veja) que denunciava, veja só, a roubalheira na Petrobras, em 1989. Como apresentador de telejornal, ele deu conta do recado. E, finalmente, foi um gigante do rádio. Soube se reinventar. Acho que nem ele sabia que era tão bom assim com o rádio popular. Os seus comentários - algumas vezes inconvenientes, para o meu gosto - faziam um tremendo sucesso. A quem quiser comprar briga com motorista de táxi no Rio: tente falar mal do Boechat. Era e é simplesmente adorado.

À sua família, deixo uma certeza: Boechat foi uma grande figura humana e um dos melhores jornalistas da minha geração. Foi mesmo. Saudades.

Políticos e jornalistas lamentam a morte de Ricardo Boechat nas redes sociais

SÃO PAULO - Políticos, jornalistas e admiradores lamentaram nas redes sociais a morte do apresentador e comentarista Ricardo Boechat, de 66 anos, nesta segunda-feira, 11, na cidade de São Paulo. O jornalista morreu na queda de um helicóptero no quilômetro 7 do Rodoanel, próximo ao acesso à Rodovia Anhanguera.

"É com pesar que recebo a triste notícia do falecimento do jornalista Ricardo Boechat, que estava no helicóptero que caiu hoje em SP. Minha solidariedade à família do profissional e colega que sempre tive muito respeito, bem como do piloto. Que Deus console a todos!", escreveu o presidente Jair Bolsonaro (PSL) nas redes sociais. 

Em nota, o Palácio do Planalto lamentou a morte. O texto afirma que o País perdeu "um dos principais profissionais da imprensa brasileira". "A Presidência da República expressa seu pesar e condolências em razão do falecimento do jornalista Ricardo Boechat, vitimado em um acidente aéreo, neste dia. O País perde um dos principais profissionais da imprensa brasileira. Sentiremos a falta de seu destacado trabalho na informação da população, tendo exercido sua atividade por mais de quatro décadas com dedicação e zelo."

Leia a notícia na íntegra no site do Estadão

Ricardo Boechat: jornalista ganhou três prêmios Esso e atuou em alguns dos principais veículos e canais do Brasil

Ricardo Boechat, que morreu nesta segunda-feira (11) aos 66 anos após a queda de um helicóptero em São Paulo, ganhou três vezes o Prêmio Esso, um dos principais do jornalismo brasileiro e atuou em alguns dos principais veículos e canais do país. Nos últimos anos, foi âncora da BandNews FM e no Jornal da Band. Também era colunista da revista “Istoé”.

Ao longo de uma carreira iniciada na década de 1970, escreveu em jornais como “O Globo”, “O Estado de S. Paulo”, “Jornal do Brasil” e “O Dia”. Na década de 1990, teve uma coluna diária no “Bom Dia Brasil”, na TV Globo.

Boechat era o recordista de vitórias no Prêmio Comunique-se, com 17 troféus, e o único a ganhar em três categorias diferentes (Âncora de Rádio, Colunista de Notícia e Âncora de TV).

Em pesquisa do site Jornalistas & Cia em 2014, que listou cem profissionais do setor, Boechat foi eleito o jornalista mais admirado.

Boechat lançou em 1998 o livro “Copacabana Palace – Um hotel e sua história” (DBA).

Ricardo Eugênio Boechat nasceu em 13 de julho de 1952, em Buenos Aires.

Leia a notícia na íntegra no site do G1.

Padre Fábio de Melo sobre Ricardo Boechat

No Estadão: Jornalista Ricardo Boechat morre em queda de helicóptero em São Paulo

SÃO PAULO - O jornalista Ricardo Eugênio Boechat, de 66 anos, morreu na queda de um helicóptero no Rodoanel no início da tarde desta segunda-feira, 11. A aeronave caiu no quilômetro 7, próximo ao acesso à  Rodovia Anhanguera, na chegada a São Paulo, em cima de um caminhão. 

O piloto e o copiloto da aeronave também morreram. O motorista do caminhão foi socorrido.  

Boechat era apresentador do Jornal da Band e da rádio BandNews FM, além de ser colunista da revista IstoÉ. Trabalhou no Estado e, também, nos jornais O Globo e O Dia. É ganhador de três prêmios Esso e, segundo o site da Band, é um dos maiores ganhadores da história do Prêmio Comunique-se, em que foi reconhecido como âncora de rádio, âncora de televisão e colunista. Também foi eleito o jornalista mais admirado do País na pesquisa do site Jornalistas&Cia em 2014.

Leia a notícia na íntegra no site do Estadão

 

Ricardo Boechat

Fonte: Estadão + G1

1 comentário

  • Fernando Luis Floriano São José do Rio Preto - SP

    Sr.RICARDO, por que??! !nunca saberemos pois como dizia não ser da alçada... ESTOU MUITO TRISTE, PESSOA COM SABEDORIA. CERTEZA QUE A FAMÍLIA O ADMIRAVA. TAMBÉM EU.

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    • CARLO MELONISAO PAULO - SP

      Boechat era o jornalista que conseguiu a lista de votaçao secreta do senado de 2.000... Criou embaraços para o senador Antonio Carlos Magalhaes e a senadora Heloisa Helena que nao votou no PT e acabou tendo que sair do partido por causa disso---Em 2001 revelou na sua coluna as trambicagens dos leiloes da telefonia celular e foi demitido da Globo por causa disso... -Era muito amigo da terrorista Miriam Leitao e inimigo declarado de Silas Malafaia, parceiro de Bolsonaro---

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