Guaido anuncia retorno à Venezuela por rota desconhecida; Maduro agora quer conversar com a oposição

Publicado em 03/03/2019 16:03 e atualizado em 04/03/2019 10:35
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SALINAS, Equador (Reuters) - O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, deixou neste domingo o Equador, depois de anunciar sua intenção de voltar à Venezuela e liderar novos protestos contra o presidente Nicolás Maduro, mas sua rota de volta para casa permanece desconhecida.

Guaidó, que passou os últimos dias em viagens a países da América do Sul para angariar apoio, deixou a cidade litorânea de Salinas em um avião da Força Aérea Equatoriana em direção a cidade de Guayaquil, depois de se encontrar com o presidente do Equador, Lenin Moreno, no sábado.

De Guayaquil não está claro para onde Guaidó irá em seguida. Para chegar em Caracas na segunda-feira, ele pode usar voos comerciais via Bogotá ou Cidade do Panamá, mas seus assessores não revelaram quais são seus planos.

Guaidó desprezou uma proibição de deixar a Venezuela, determinada pela Suprema Corte do país - ligada ao governo chavista de Maduro - quando cruzou a fronteira com a Colômbia para coordenar os esforços para enviar ajuda humanitária a seu país. Tropas leais a Maduro bloquearam os esforços.

Seu retorno à Venezuela abre caminho para uma possível prisão, como já ameaçou Maduro. Ainda assim Guaidó afirmou que irá retornar ao país.

O líder da oposição convocou novos protestos em Caracas para a segunda e a terça-feira.

Rússia diz aos EUA estar preparada para negociações bilaterais sobre Venezuela

MOSCOU (Reuters) - A Rússia está pronta para tomar parte em negociações bilaterais com os Estados Unidos sobre a questão da Venezuela, disse o ministro das Relações Exteriores da Rússia a seu colega norte-americano neste sábado.

A situação na Venezuela foi o principal tópico de uma ligação telefônica entre o ministro das Relações Exteriores russo Sergei Lavrov e o secretário de Estado dos Estados Unidos Mike Pompeo, que ocorreu no dia 2 de março, disse o ministério russo em seu site.

"Em conexão com a proposta de Washington de realizar consultas bilaterais sobre o assunto da Venezuela, ficou posto que a Rússia está pronta para participar disso", disse o Ministério em comunicado.

"É vital (esta discussão) ser estritamente guiada pelos princípios da Carta das Nações Unidas, uma vez que apenas o povo venezuelano tem o direito de determinar seu futuro", disse o comunicado.

A Rússia e os Estados Unidos têm estado em desacordo sobre uma campanha liderada pelos EUA pelo reconhecimento internacional de Juan Guaidó, líder da oposição venezuelana que se autodeclarou chefe de estado interino, sobre o presidente Nicolás Maduro.

Na ligação telefônica, iniciada pelos EUA, Lavrov condenou as ameaças que Washington fez em direção à “liderança legítima do país”, disse o ministro referindo-se a Maduro.  

A presidente da Câmara Alta do Parlamento, Valentina Matvienko, advertiu, no entanto, que a Rússia fará todo o possível para evitar uma intervenção militar americana na Venezuela.

De acordo com a agência de notícias estatal Tass, Matvienko diss a vice-presidente da Venezuela Delcy Rodriguez, que está em visita a Moscou, que existe muita preocupação que "os EUA levem adiante provocações para encontrar uma justificativa para uma intervenção. "Mas faremos todo o possível para evitar isso", afirmou Matvienko, que é aliada muito próxima do presidente russo, Vladimir Putin.

Mais cedo no mês, os Estados Unidos impuseram novas sanções a seis autoridades de segurança da Venezuela e revogaram os vistos de dezenas de associações e seus familiares com laços a Maduro, na última medida para fazer mais pressão para que Maduro renuncie.

Lavrov e Pompeo também concordaram em continuar as negociações no nível de expertise sobre Síria, Afeganistão e a península coreana.

O autodeclarado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, e o presidente do Equador, Lenin Moreno, durante reunião em Salinas, Equador.Daniel Tapia/Reuters/Direitos reservados  

No Equador, Guaidó diz que transição busca resgate democrático

O autodeclarado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, anunciou, na sua conta no Twitter, o retorno ao país. O regresso dele é observado pelos líderes políticos estrangeiros, inclusive do Brasil, em decorrência de risco de prisão por parte do governo de Nicolás Maduro. Guaidó disse que promoverá mobilizações amanhã (4) e depois em favor da democracia.

“Anuncio meu regresso ao país e a convocação de mobilizações em todo o território nacional para segunda e terça-feira. Vamos difundir essa mensagem e estejam atentoso ao nosso chamado nas redes sociais”, afirmou o interino nas redes sociais.

Na sua conta no Twitter, o venezuelano convoca a população para uma mobilização amanhã às 11h (horário de Caracas).  Segundo ele, os locais de concentração serão divulgados nas redes sociais.

Guaidó está no Equador.

Nota

Ontem (2), em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que o governo brasileiro espera que o retorno de Juan Guaidó ocorresse sem incidentes. Também afirmou que manifestava a expectativa de que os direitos e a segurança de Guaidó, seus parentes e assessores sejam plenamente respeitados.

“O governo brasileiro, ao rechaçar as intimidações e ameaças do regime Maduro contra o presidente encarregado da Venezuela, Juan Guaidó, e sua família, manifesta a expectativa de que sua volta à Venezuela ocorra sem incidentes e que os direitos e segurança do presidente Guaidó, seus familiares e assessores sejam plenamente respeitados por aqueles que ainda controlam o aparato de repressão do regime.”

Apoio

Há mais de uma semana, Guaidó está longe da Venezuela. Ele foi à Colômbia, onde participou da distribuição de ajuda humanitária e também da reunião do Grupo de Lima, que reafirmou a legitimidade de seu governo.

Em seguida, Guaidó veio ao Brasil, onde em Brasília ele se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro, ministros e parlamentares, no Congresso Nacional. Anteontem (1º) o venezuelano esteve com os presidentes da Argentina, Mauricio Macri, e do Paraguai, Mario Abdo Benítez.  Por último passou pelo Equador onde está neste domingo.

Governo Maduro se diz disposto a negociar com oposição, mas impõe condições (Agência Brasil)

O governo de Nicolás Maduro, na Venezuela, anunciou que está disposto a abrir o diálogo com a oposição. O porta-voz da decisão foi o vice-presidente de Comunicação, Cultura e Turismo, Jorge Rodríguez. Porém, ele impôs cinco exigências, como o fim das sanções impostas à Venezuela e a não ingerência a temas internos.

A lista de exigências inclui ainda o respeito à soberania e a paz, a suspensão das sanções e a implementação de um mecanismo para resolver as diferenças políticas entre o governo e a oposição, assim como a não-interferência em temas internos.

Em relação à possibilidade de novas eleições na Venezuela, como propôs o Grupo de Contacto convocada pela União Europeia, Rodríguez ressaltou que o pleito de 20 de maio de 2018 na qual Maduro foi reeleito, com 67,84% do votos para 2019-2025, cumpriu as normas internacionais.

A eleição de Maduro é questionada pelo Brasil e por mais de 50 países que levantam dúvidas sobre a existência de fraudes.

"Desde que as eleições presidenciais foram realizadas, não só padrões internacionais, mas com o sistema eleitoral venezuelano, que é o mais blindado em todo o mundo, mais confiável do que o sistema eleitoral dos Estados Unidos, Espanha, e, certamente, o da Colômbia", afirmou Rodríguez.

Nas eleições que deram vitória a Maduro, a oposição boicotou. Para Rodríguez, foi um ato de agressão. "O boicote da eleição venezuelana [da oposição] foi para ter o argumento de agressão que estão atualmente tentando perpetrar contra a Venezuela, o boicote começou antes mesmo de negociações", acrescentou.

Rodríguez disse que o comportamento de Juan Guaidó, autodeclarado presidente interino da Venezuela, é “uma agressão, uma intenção inconstitucional, agressivo da mudança de regime para substituir” o governo Maduro.

O nome de Guaidó conta com apoio do presidente Jair Bolsonaro e de líderes políticos de mais de 50 nações, como o norte-americano, Donald Trump.

*Por Agência Brasil, com informações da AVN, agência pública de notícias da Venezuela.

Morre indígena ferido em conflito com militares venezuelanos (Ag. Brasil)

Morreu neste sábado (2) o indígena venezuelano Rolando Garcia Martinez, de 52 anos, baleado durante um confronto entre manifestantes e militares, na fronteira do Brasil com a Venezuela. Segundo a Secretaria de Saúde de Roraima, essa é a segunda morte decorrente do conflito, em 22 de janeiro, após o bloqueio militar na região fronteiriça para impedir a entrada de medicamentos e ajuda humanitária.

Martinez encontrava-se em estado grave e respirava com a ajuda de aparelhos, internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral de Roraima.

A primeira morte, de Kliver Alfredo Pérez Rivero, de 24 anos, foi comunicado pelo governo roraimense na última quarta-feira (27). O jovem morreu de falência múltipla de órgãos, devido a complicações provocadas pelos ferimentos. A pasta informa também que 19 indígenas feridos no confronto ainda estão internados, todos em um quadro de saúde estável.

O conflito ocorreu a 60 quilômetros da fronteira, na comunidade indígena da etnia Pemon. O conflito teve início quando os indígenas tentaram desobstruir a via, impedida pelos militares venezuelanos.

Fechamento da fronteira do Brasil com a Venezuela entra no 10º dia (Ag Brasil)

O fechamento da fronteira entre Brasil e Venezuela entrou hoje (3) no décimo dia ainda sem solução à vista. O presidente venezuelano Nicolás Maduro anunciou no dia 21 de fevereiro o fechamento da fronteira com o Brasil.

Na quarta-feira (27), o governador de Roraima, Antonio Denarium, reuniu-se com o governador do estado de Bolívar, Justo Nogueira Pietri, para discutir a reabertura da fronteira terrestre. No encontro, eles conversaram sobre tratativas comerciais que possibilitem abastecer as cidades fronteiriças de Pacaraima e Santa Elena de Uairén. Ambos demonstraram preocupação com o desabastecimento de produtos básicos para as duas regiões.
Segundo o secretário adjunto de Comunicação do governo de Roraima, Ricardo Amaral, os representantes venezuelanos ficaram de levar o pleito de restabelecimento das relações comerciais na fronteira terrestre para o governo central da Venezuela, mas ainda não houve resposta.

De acordo com Amaral, não há registros recentes de casos de conflitos entre manifestantes e forças de segurança observados nos primeiros dias de fechamento da fronteira. “O maior impacto é para os comerciantes da fronteira porque, com a crise econômica e a escassez de produtos, os venezuelanos vinham comprar insumos do lado brasileiro”, disse.

Ontem (1º), Maduro afirmou, no Twitter, que sua determinação é promover, de forma pacífica, a cooperação e compreensão dos países com respeito e fraternidade. Ele não mencionou as reuniões do autodeclarado presidente venezuelano, Juan Guaidó, com os presidentes Jair Bolsonaro e Mario Abdo Benítez, do Paraguai, ocorridas em momentos distintos. (Por Ana Cristina Campos - Reporter da Agência Brasil

Guaidó volta a convocar protestos para esta segunda-feira, às 11 horas (no ESTADÃO)

O líder oposicionista da Venezuela, Juan Guaidóvoltou a convocar protestos ao anunciar seu retorno ao país. Desta vez, ele estabeleceu um horário: às 11 horas (meio dia no horário de Brasília) da segunda-feira, 4. 

"Tal y como dije ayer, anuncio mi regreso al país.

Convoco al pueblo venezolano a concentrarse, en todo el país, mañana a las 11:00 am.

Atentos a las redes oficiales, estaremos informando puntos de concentración #VamosBien porque vamos todos. ¡Vamos Venezuela! "

O anúncio foi feito via Twitter neste domingo, 3. "[Fiquem] Atentos às redes sociais, estaremos informando os pontos de concentração."

Na última semana, ele visitou o Brasil, Colômbia, Paraguai e Argentina, onde foi recebido com honras de chefes de estado. A última parada foi o Equador.

Guaidó anuncia seu retorno à Venezuela e convoca manifestações contra Maduro

Reconhecido como presidente interino por mais de 20 países, Guaidó retorna à Venezuela após ter desobedecido uma ordem judicial que o proibia de deixar o território nacional. Há a possibilidade de que ele seja preso por violar a proibição. 

Não se sabe, porém, os detalhes sobre como pretende retornar ao país nem o momento exato de sua chegada.

Intervenção militar

A convocatória de Guaidó aconteceu no mesmo dia em que a presidente do Senado russo, Valentina Matviyenko, se reuniu com a vice-presidente da Venezuela, a chavista Delcy Rodríguez, a quem garantiu que Moscou fará tudo o que estiver ao alcance para impedir uma intervenção militar dos Estados Unidos no país latino-americano.

Matviyenko entregou a Rodríguez uma versão em espanhol da declaração aprovada pelo Senado russo que adverte aos Estados Unidos que qualquer intervenção na Venezuela seria interpretada como um "ato de agressão" e convoca a comunidade internacional a apoiar o diálogo no país latino-americano.

"Nos preocupa em grande medida que os Estados Unidos possam realizar qualquer provocação para causar derramamento de sangue e encontrar assim uma desculpa e um motivo para intervir na Venezuela. Mas nós faremos o possível para que isso não ocorra."

Delcy Rodrígues

Vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, na época em que era ministra das Relações Exteriores, durante Conselho de Direitos Humanos da ONU de 2015 em Genebra Foto: Pierre Albouy/ Reuters.

A senadora chavista ainda chamou de "grosseira violação do direito internacional e dos estatutos da Organização das Nações Unidas (ONU)" as tentativas de "derrubar ilegalmente o atual presidente" e "a nomeação como chefe do país de um político opositor no exterior".

Matviyenko afirmou que na lista de países nos quais os EUA pretendem provocar mudanças de poder por meios ilegais estão Cuba e Nicarágua.

Na sexta-feira, 1, a vice-presidente da Venezuela se reuniu com o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, e com o presidente da Câmara dos Deputados, Viacheslav Volodin. Delcy Rodríguez afirmou que Caracas está disposta a trocar petróleo pela cooperação com a Rússia em matéria de energia, armamento, tecnologia e finanças.

"A Rússia tem tudo o que a Venezuela necessita. Por sua vez, a Venezuela pode dar o petróleo que a Rússia precisa", afirmou a vice-presidente.

Depois de se reunir com Lavrov, Rodríguez anunciou a transferência para Moscou do escritório da companhia estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) que fica em Lisboa e revelou as instruções do presidente Nicolás Maduro para adquirir na Rússia os alimentos e remédios que os venezuelanos necessitam.

A vice-presidente também antecipou a criação de um grupo na ONU, por iniciativa dos dois países, que se dedicará a defender os princípios do direito internacional.

Fonte: Reuters/Agência Brasil

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