Guaidó retorna à Venezuela em afronta a Maduro (Reuters)

Publicado em 04/03/2019 17:28 e atualizado em 05/03/2019 13:30
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Nos últimos dias, Guaidó esteve em Colômbia, Brasil, Paraguai, Argentina e Equador, desafiando uma determinação do Tribunal Supremo venezuelano, que o havia proibido de deixar o país no final de janeiro.

CARACAS (Reuters) - O líder da oposição na Venezuela, Juan Guaidó, voltou ao seu país nesta segunda-feira, depois de desrespeitar uma proibição de viajar imposta pela Justiça para visitar países latino-americanos a fim de reunir apoio em sua campanha para tirar o presidente Nicolás Maduro do poder.

Uma multidão de apoiadores recebeu Guaidó e sua esposa na chegada à área de desembarque do Aeroporto Internacional Maiquetía e depois partiram para uma manifestação da oposição no leste de Caracas, onde milhares de pessoas se reuniram para recebê-lo.

O retorno de Guaidó, reconhecido por várias nações ocidentais como legítimo chefe de Estado da Venezuela, indica que os adversários de Maduro, pelo menos temporariamente, evitaram a prisão de um líder que uniu a oposição tradicionalmente fragmentada.

Mas também aumentará a pressão sobre Maduro para agir contra Guaidó enquanto sua autoridade continua a diminuir e o colapso econômico do país alimenta a desnutrição e a fome.

"A esperança nasceu e não vai morrer - as coisas estão indo bem", disse Guaidó à multidão em uma praça no distrito de Las Mercedes. "Vamos celebrar essa pequena vitória hoje."

Ele anunciou planos de se reunir na terça-feira com funcionários públicos, que foram historicamente pressionados pelo Partido Socialista no poder para participar de comícios pró-governo, bem como para uma grande marcha no sábado.

Guaidó deixou a Venezuela secretamente pela Colômbia, em violação de uma ordem da Suprema Corte, para coordenar esforços no país vizinho em 23 de fevereiro para enviar ajuda humanitária para a Venezuela para aliviar a escassez de comida e remédios.

Tropas, porém, bloquearam os caminhões com ajuda enviados da Colômbia e do Brasil, levando a conflitos que mataram pelo menos seis pessoas na fronteira com o Brasil, disseram grupos de direitos humanos.

Da Colômbia, ele viajou para Argentina, Brasil, Equador e Paraguai para reunir apoio latino-americano para um governo de transição que precedesse eleições livres e justas.

No domingo, ele partiu de avião da cidade equatoriana de Salinas, mas não apareceu em público desde então. A imprensa venezuelana publicou que ele viajou da Cidade do Panamá para Caracas.

Ele manteve detalhes de sua viagem sob sigilo e chegou sem aviso prévio, encontrando-se com embaixadores de países europeus no aeroporto.

Guaidó chama Maduro de usurpador e diz que sua presidência é ilegítima depois que ele conseguiu a reeleição no ano passado em uma votação amplamente considerada uma farsa. Maduro mantém o controle de instituições estatais e a aparente lealdade de figuras importantes das forças armadas.

Perguntado por um repórter como foi recebido no aeroporto pelas autoridades de imigração, que poderiam ter impedido sua entrada por violar a proibição de viagens, Guaidó disse que se dirigiram a ele como presidente - um golpe em Maduro, que o chama de fantoche dos EUA.

"Aqui está meu passaporte, são e salvo", disse Guaidó, mostrando para a multidão.

O Ministério da Informação não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

"ENCARAR A JUSTIÇA"

Maduro, que nega que haja uma crise humanitária na Venezuela, afirmou que a prisão de seu opositor depende do sistema judiciário.

"Ele não pode entrar e sair como quiser. Ele tem que encarar a Justiça, e a Justiça o proibiu de deixar o país", disse, à ABC News, semana passada.

Manifestantes em Caracas, muitos usando branco e carregando bandeiras da Venezuela, disseram que a prisão de Guaidó levaria a novos protestos.

"Se o regime tem pelo menos um pouco de consciência, não deveria prender Guaidó porque as pessoas realmente não tolerariam isso", disse Franklin López, um administrador de 60 anos.

O governo prendeu dúzias de líderes opositores e ativistas que tentaram derrubar Maduro por meio de manifestações violentas entre 2014 e 2017, incluindo o mentor de Guaidó, Leopoldo López, que segue em prisão domiciliar.

  • Reuters
Juan Guaidó desembarca em Caracas
Líder oposicionista venezuelano, Juan Guaidó, desembarca em Caracas, nesta segunda-feira, após tour para obter apoio internacional contra Nicolás Maduro. REUTERS/Carlos Jasso.

Guaidó: “O momento é agora” (em O Antagonista)

Em Caracas, Juan Guaidó fez novo apelo à cúpula militar para deixar o apoio a Nicolás Maduro.

“Agora, o momento é agora. É agora que teremos que fazer a mudança na Venezuela”, disse.

Afirmou que somente 20% dos militares apoiam o ditador e relatou aos apoiadores o respaldo internacional recebido dos vizinhos.

Guaidó pede que militares detenham ‘coletivos’

Em seu retorno à Venezuela, Juan Guaidó fez um apelo para que o Exército do país detenha os chamados “coletivos” –grupos paramilitares que apoiam a ditadura chavista.

Esses grupos tiveram papel central na repressão à tentativa de entrada de ajuda humanitária no país, em 23 de fevereiro.

Guaidó chamou os “coletivos” de “última linha de defesa” de Nicolás Maduro. Com isso, o líder da oposição evita atribuir responsabilidade direta pela repressão às Forças Armadas, de cujo apoio ele ainda precisa.

Guaidó se reúne amanhã com sindicatos de servidores

Juan Guaidó informou que amanhã vai se reunir com sindicatos de funcionários públicos para um “importante anúncio”.

Não detalhou que medida tomará contra o regime de Nicolás Maduro, mas convocou a população para novas manifestações contra a ditadura no sábado (9).

Juan Guaidó fala agora em Caracas. Veja:

Maduro: “Venezuela está em paz”

No momento em Juan Guaidó protesta, junto aos apoiadores em Caracas, contra massacres promovidos pelo regime, Nicolás Maduro postou no Twitter propaganda de atrações da Venezuela no Carnaval.

Terminou o post escrevendo que o país “está em paz”.

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Nicolás Maduro -- En los #CarnavalesFelices2019 nuestro pueblo disfruta de grandes expresiones culturales, playas, parques y montañas. ¡Venezuela está en Paz!

Guaidó volta à Venezuela e discursa em Caracas: 'Vamos com tudo até conseguir a liberdade do nosso país' (G1)

O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, voltou à Venezuela nesta segunda-feira (4), para participar das manifestações contra o governo de Nicolás Maduro.

Ele foi recebido por uma multidão no Aeroporto de Maiquetía, que atende a capital, e depois foi até uma praça onde era esperado por seus apoiadores.

"Vamos com tudo até conseguir a liberdade do nosso país", discursou, convocando uma nova mobilização para o próximo sábado (9).

O retorno do opositor de Maduro contraria ordem judicial que o proibia de deixar o seu país. Durante a última semana, ele se reuniu com os presidentes de Colômbia, Brasil, Paraguai, Argentina e Equador. Em sua fala em Caracas, Guaidó afirmou que seu passaporte ficou "intacto" ao voltar, apesar do descumprimento da ordem do tribunal controlado por Maduro.

Resumo:

Guaidó voltou a Caracas nesta segunda em voo de Bogotá e foi recebido por uma multidão de apoiadores.
Ele não cumpriu uma proibição de sair da Venezuela, o que pode levar à sua prisão. No entanto, entrou sem problemas no país.
Em discurso, ele invocou novos protestos para o próximo sábado: "Vamos com tudo até conseguir a liberdade do nosso país".
Guaidó disse que tem amplo apoio entre militares (seriam 80%), apesar de só cerca de 700 terem desertado.
Ele disse que conversará nesta terça com funcionários públicos para conseguir mais apoio.

Leia a reportagem completa no site do G1

Agência Brasil : Nas redes sociais, Guaidó avisa que retornou à Venezuela

O autodeclarado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, usou hoje (4) as redes sociais para dizer que chegou à Venezuela. Sem dar detalhes sobre o pouso, ele apenas informou que estava no país. “Já em nossa terra amada. Venezuela, acabamos de passar pela imigração e vamos nos mobilizar para onde está o povo”, avisou o líder na sua conta pessoal no Twitter.

Em seguida, o interino acrescentou que: “Entramos na Venezuela como cidadãos livres, que ninguém nos dia o contrário. Sinto o sol de Guaíra e o brilho do povo que nos esperou aqui”.

Guaidó retorna à Venezuela no momento em que convocou uma mobilização nacional tanto em Caracas como em várias cidades do interior. As manifestações também estão organizadas para amanhã (5).

Em transmissão ao vivo ontem (3) nas redes sociais, o interino fez um balanço de sua viagem por cinco países da América do Sul: Colômbia, Brasil, Paraguai, Argentina e Equador. Segundo ele, foi firmada uma “coalizão” internacional em favor da democracia.

“As opções de recuperação econômica estão sobre a mesa. Isso está acompanhado da mobilização cidadã e do povo venezuelano”, destacou Guaidó em visita a Brasília.

Riscos

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse hoje (4) que as autoridades do governo Nicolás Maduro analisam o comportamento de Guaidó para tomar as medidas necessárias contra ele.

Ameaçado pelo governo Maduro de prisão, o interino disse não temer os riscos por retornar à Venezuela. De acordo com ele, seu regresso ao país é acompanhado pelo mundo e povo venezuelano. Na  transmissão ao vivo, Guaidó estava acompanhado pela mulher, Fabiana.

“Se tentarem me seqüestrar, temos todos os passos a seguir”, disse. “Hoje estamos mais mobilizados do que nunca”, acrescentou. “Se me seqüestrarem, será um dos últimos horrores. No passado, seqüestraram e mataram nossa gente e estamos mais fortes do que nunca”, afirmou. “A força é a união.”

Em janeiro, a Suprema Corte da Venezuela, sob controle de Maduro, proibiu Guaidó de deixar o país e congelou seus bens. Porém, a Assembleia Nacional, de maioria oposicionista, aprovou uma licença para o interino deixar a região.

Fonte G1 + Agência Brasil

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