Bolsonaro reclama que fala sobre democracia e Forças Armadas teve as "mais variadas interpretações possíveis"

Publicado em 07/03/2019 22:12
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BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro queixou-se na noite desta quinta-feira de que a declaração feita mais cedo durante cerimônia para comemorar o aniversário do Corpo de Fuzileiros Navais no Rio de Janeiro, de que a democracia e a liberdade dependem do desejo das Forças Armadas, foi distorcida.

"Essa fala já começou a levar para o lado das mais variadas interpretações possíveis", disse ele em uma transmissão ao vivo no Facebook, ao anunciar que todas as quintas-feiras vai adotar a prática.

Na transmissão, Bolsonaro perguntou ao seu ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, se tinha achado seu pronunciamento de mais cedo polêmico ou se ele deixava alguma dúvida sobre o caminho das Forças Armadas no Brasil.

"Claro que não", respondeu Heleno. "Ao contrário, as suas palavras foram ditas de improviso, para uma tropa qualificada, foram colocadas para aqueles que amam a sua pátria e vivem diariamente o problema da manutenção da democracia e da liberdade, caracterizando e exortando para que continuem a fazer o papel que vêm fazendo, serem os guardiões da democracia e da liberdade", acrescentou o ministro, ao lado de Bolsonaro.

Segundo Heleno, "tentaram distorcer isso" como se a democracia fosse um presente dos militares para os civis. Ele explicou que pela Constituição os militares são os detentores legais do emprego da violência.

"Se quiserem um exemplo, veja o exemplo da Venezuela. Por que o (Nicolás) Maduro está sendo mantido no poder? Porque as Forças Armadas estão segurando um presidente já praticamente deposto", avaliou.

Bolsonaro disse na transmissão ao vivo que, diferentemente do que aconteceu nos últimos 20 anos, os militares serão tratados com respeito e dignidade.

Mais cedo, na solenidade, Bolsonaro disse que pretende cumprir sua missão como presidente do Brasil “ao lado das pessoas de bem do nosso Brasil, daqueles que amam a pátria, daqueles que respeitam a família, daqueles que querem aproximação com países que têm ideologia semelhante à nossa, daqueles que amam a democracia e a liberdade. E isso, democracia e liberdade só existe quando a sua respectiva Força Armada assim o quer”. [nL1N20U0XG]

Na ocasião, o presidente estava acompanhado de Heleno e do ministro da Defesa, general Fernando e Silva.

Em sua live, o presidente disse que o governo quer desfazer aquilo que foi feito de errado nos últimos 20 anos.

Bolsonaro diz que democracia e liberdade só existem quando as Forças Armadas desejam

RIO DE JANEIRO/BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira, durante cerimônia para comemorar o aniversário do Corpo de Fuzileiros Navais, que tem uma missão a cumprir e ressaltou que a democracia e a liberdade dependem do desejo das Forças Armadas.

Bolsonaro disse em discurso que pretende cumprir sua missão como presidente do Brasil ”ao lado das pessoas de bem do nosso Brasil, daqueles que amam a pátria, daqueles que respeitam a família, daqueles que querem aproximação com países que têm ideologia semelhante à nossa, daqueles que amam a democracia e a liberdade. E isso, democracia e liberdade só existe quando a sua respectiva Força Armada assim o quer“.

O presidente estava acompanhado no evento por dois ministros que são militares da reserva: o general Fernando e Silva (Defesa) e general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional). O primeiro escalão tem ao todo oito ministro de origem militar.

No início da tarde ao chegar a seu gabinete no Palácio do Planalto, o vice-presidente Hamilton Mourão saiu em defesa da fala de Bolsonaro.

"(Ele) está sendo mal interpretado. O presidente falou que onde as Forças Armadas não estão comprometidas com democracia e liberdade esses valores morrem. É o que acontece na Venezuela, lá as Forças Armadas venezuelanas rasgaram isso aí" afirmou Mourão.

Já no início da noite, em transmissão ao vivo em uma rede social, Bolsonaro reclamou que sua declaração já tinha "as mais variadas interpretações".

Na transmissão, o presidente perguntou a Heleno se tinha achado seu pronunciamento de mais cedo polêmico ou se ele deixava alguma dúvida sobre o caminho das Forças Armadas no Brasil.

"Claro que não", respondeu Heleno. "Ao contrário, as suas palavras foram ditas de improviso, para uma tropa qualificada, foram colocadas para aqueles que amam a sua pátria e vivem diariamente o problema da manutenção da democracia e da liberdade, caracterizando e exortando para que continuem a fazer o papel que vêm fazendo, serem os guardiões da democracia e da liberdade", acrescentou o ministro, ao lado de Bolsonaro.

 

PREVIDÊNCIA

No discurso, Bolsonaro reiterou que os militares serão atingidos pela reforma da Previdência, mas fez a ressalva de que serão respeitadas as especificidades de cada Força. Sem dar detalhes sobre a mudança nas aposentadorias dos militares, dizendo apenas que ela vai exigir sacrifícios.

“O que eu quero dos senhores é sacrifício também, entraremos sim numa nova Previdência que atingirá os militares, mas não deixaremos de lado e não esqueceremos as especificidades de cada Força“, disse ele em discurso ao participar de cerimônia em homenagem ao aniversário de 211 anos do Corpo de Fuzileiros Navais, em evento no Rio de Janeiro.

O governo enviou no mês passado ao Congresso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma da Previdência, e prometeu enviar o projeto de lei referente aos militares até o dia 20 de março.

Parlamentares, no entanto, mostraram resistência em fazer avançar a tramitação da reforma geral enquanto não for enviado pelo governo o projeto que envolve as Forças Armadas.

O evento com militares no Rio foi a primeira agenda oficial de Bolsonaro após a polêmica causada durante o Carnaval por um vídeo controverso publicado pelo presidente no Twitter para criticar as festividades.

Bolsonaro não fez qualquer comentário no breve discurso sobre a repercussão da postagem, mas declarou que quer ao seu lado pessoas que apoiam a família, a democracia e aqueles que têm uma ideologia semelhante à dele.

“O que eu quero é colocar o Brasil em lugar de destaque que merece no mundo”, finalizou.

Bolsonaro confirma visitas a EUA, Israel e Chile em primeiro giro internacional

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro confirmou na noite desta quinta-feira, em transmissão ao vivo que fez por uma rede social, que vai fazer neste mês visitas oficiais a três países --Estados Unidos, Israel e Chile-- com o objetivo de fechar acordos e parcerias no seu primeiro giro internacional como chefe de Estado.

"Neste mês de março, nós faremos três visitas oficiais a outros países, Estados Unidos, Israel e Chile. Obviamente vamos trazer algo de concreto nessas visitas, não só o Itamaraty bem como os ministérios interessados nessas viagens estão ultimando as propostas de possíveis acordos e parcerias que teremos com esses países", disse Bolsonaro.

O presidente visitará os Estados Unidos entre os dias 17 e 19 de março e vai se reunir com o presidente dos EUA, Donald Trump, segundo afirmou à Reuters uma fonte envolvida com as tratativas. Outros detalhes dessa agenda presidencial nos Estados Unidos estão sendo fechados nos próximos dias. Uma equipe presidencial segue para os EUA na próxima semana a fim de fechar o roteiro.

Na transmissão, Bolsonaro não detalhou sobre as agendas que terá no giro internacional.

Fim das barreiras eletrônicas nas estradas (Ag. Brasil)

Bolsonaro também citou a intenção do governo em aumentar a validade da carteira de motorista, de cinco para dez anos. Além disso, o presidente anunciou a decisão de acabar com as barreiras (ou lombadas) eletrônicas nas estradas do país. “Há uma quantidade enorme de lombadas eletrônicas no Brasil. É quase impossível você viajar sem levar uma multa. E sabe, ou desconfia, que, no fundo, o objetivo não é diminuir acidentes”.

Para Bolsonaro, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) estava agindo por interesse de políticos antes do início de seu mandato e que o grande número de barreiras eletrônicas está ligada à arrecadação, e não à redução de acidentes.

“Decisão nossa: não teremos mais nenhuma nova lombada eletrônica no Brasil. As que existem, quando forem perdendo a validade, não serão renovadas. […] Vale lembrar que o DNIT estava, até pouco tempo, na mão de partidos políticos. Isso acabou e esse departamento está, agora, voltado para trabalhar 100% em benefício dos condutores”.

Fonte: Reuters

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