Manifestantes entram em confronto com polícia na Venezuela; energia segue instável

Publicado em 09/03/2019 15:58 e atualizado em 09/03/2019 19:56
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CARACAS (Reuters) - Manifestantes da oposição na Venezuela entraram em confronto com a polícia na manhã deste sábado, nos preparativos de um comício que pretende pressionar o presidente Nicolás Maduro, enquanto a eletricidade permanece intermitente, depois do pior blecaute do país em décadas. 

Dúzias de manifestantes tentaram caminhar em uma avenida de Caracas, mas foram movidos às calçadas pela tropa de choque da polícia, levando-os a gritar contra os policiais e empurrar seus escudos. Uma mulher foi atingida com spray de pimenta, de acordo com uma emissora local.

A nação da Opep entrou na escuridão na noite de quinta-feira, no que o governo do Partido Socialista chamou de sabotagem patrocinada pelos Estados Unidos, mas críticos da oposição ridicularizaram o blecaute como o resultado de duas décadas de administração ruim e corrupção.

“A polícia bate em nós, embora sofra da mesma calamidade”, disse Lilia Trocel, 58, uma comerciante. “Eu ainda não tenho energia e perdi parte da minha comida”, disse ela, referindo-se à comida estragada pela falta de energia.

Ao longo da noite, a polícia impediu organizadores da manifestação de armarem um palco no local do comício, disseram parlamentares de oposição no Twitter.

O Partido Socialista convocou uma manifestação paralela para sábado para protestar contra o que chama de imperialismo dos Estados Unidos, que impôs severas sanções ao governo de Maduro, tentando cortar suas fontes de financiamento.

Equipe da ONU irá à Venezuela avaliar as condições da população

Uma equipe vinculada ao Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos vai à Venezuela na segunda-feira (11) e terça-feira (12) próximas. Segundo a entidade, a visita atende um convite do governo venezuelano.

Os especialistas vão se reunir com integrantes do governo, da Assembleia Nacional da Venezuela, da sociedade civil, além de vítimas de violações dos direitos humanas. A equipe irá a Caracas e outras cidades venezuelanas.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) informou que o número de pedidos de asilo por parte de venezuelanos chega a 414 mil, desde 2014. Cerca de 60% deste total apenas em 2018.

O Acnur alerta sobre a necessidade de manter o caráter “civil e humanitário” para a concessão de asilo.

Segundo o alto comissariado, os países latino-americanos concederam 1,3 milhão de permissões de residência e outras de status para regularizar a situação de venezuelanos, permitindo assim que tenham acesso à educação, saúde e oportunidades de trabalho.

*Com informações da agência de notícias da ONU.

Alta comissária da ONU alerta sobre crises na Venezuela e Nicarágua

Ao apresentar hoje (6) o relatório anual ao plenário do Conselho de Direitos Humanos da na Organização das Nações Unidas em Genebra, a alta comissária para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, concentrou as atenções nas crises que atingem a Venezuela e Nicarágua. Também mencionou a situação dos imigrantes nos Estados Unidos.

Segundo Michelle Bachelet, as novas regras norte-americanas limitam o acesso ao asilo e obrigam os solicitantes a esperar no México, ações que preocupam. De acordo com ela, há violações dos direitos civis, na Venezuela, enquanto na Nicarágua, é preciso retomar o diálogo entre o governo Daniel Ortega, a oposição e a sociedade civil.

"A situação na Venezuela ilustra claramente a maneira pela qual as violações dos direitos civis e políticos, incluindo a falta de defesa das liberdades fundamentais e a independência das instituições essenciais, podem acentuar o declínio dos direitos econômicos e sociais."

Michelle Bachelet afirmou que as sanções econômicas "exacerbaram" gerando uma sequência de problemas políticos, econômicos, sociais e institucionais. Para ela, a situação é "alarmante".

Na Nicarágua, Bachelet pediu que o diálogo fosse retomado para tratar dos graves problemas que o país está enfrentando, incluindo "restrições crescentes ao espaço civil, perseguição de vozes dissidentes e campanhas contra a liberdade de imprensa".

Desde abril de 2018, há na Nicarágua protestos contínuos em várias cidades contra o governo Ortega, a falta de liberdade e o desrespeito aos direitos civis. Uma estudante brasileira foi morta no caminho para casa por passar em uma área onde havia manifestações.

*Com informações da agência ONU.

OEA: número de refugiados venezuelanos deve superar 5 milhões até 2020

Relatório elaborado pelo Grupo de Trabalho da Organização dos Estados Americanos (OEA) alerta que a migração forçada de venezuelanos ultrapassará 5 milhões de pessoas até o final de 2019. O relatório também prevê que, se a situação não mudar na Venezuela, até o ano 2020, entre 7,5 e 8,2 milhões de venezuelanos poderão fazer parte da migração forçada.

De acordo com a OEA, trata-se da segunda maior crise de imigrantes e refugiados no mundo, depois da que envolveu os sírios. O secretário-geral da entidade, Luis Almagro, afirmou que a crise venezuelana tende a expulsar cada vez mais cidadãos. Segundo ele, são mais de 3,4 milhões de venezuelanos que buscam refúgio em outros países.

“Os venezuelanos são a segunda população com mais refugiados do mundo, perdendo apenas para a Síria, que está em guerra há sete anos. As previsões indicam que até o final de 2019 o êxodo chegará a 5,4 milhões de pessoas" disse Almagro.

O coordenador do Grupo de Trabalho, David Smolansky, afirmou que a assistência internacional para migrantes e refugiados venezuelanos é escassa. "Agradecemos a generosidade da comunidade internacional, mas essa contribuição hoje não chega a US$ 200 milhões e, em uma comparação, a crise síria recebeu mais de US$ 30 bilhões e a do Sudão do Sul recebeu quase US$ 10 milhões.”

Segundo o relatório, para os refugiados sírios são destinados US$ 5 mil por pessoa e para os venezuelanos, menos de US$ 300 por pessoa. O relatório mostra ainda que na Colômbia há 1,2 milhão de venezuelanos; no Peru, 700 mil; no Chile, 265 mil; no Equador, 220mil e na Argentina, 130 mil. O estudo não menciona o Brasil.

No ESTADÃO: Apoiadores de Maduro e Guaidó saem às ruas da Venezuela

CARACAS - O governo e a oposição da Venezuela foram às ruas neste sábado, 9, em todo o país, que está saindo do mais longo apagão em décadas, embora ainda haja algumas zonas sem luz.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e o opositor Juan Guaidó incentivaram os seus apoiadores a irem para as ruas, em uma nova escalada de tensões.

Apoiadores de Maduro e Guaidó vão às ruas da Venezuela neste sábado, 9 Oposição vai às ruas contra o governo de Nicolás Maduro.  Foto: REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Maduro, que convocou os seus seguidores para uma marcha “anti-imperialista”, quando completam quatro anos desde que os Estados Unidos declararam que a Venezuela era uma ameaça para a sua segurança, atribuiu o apagão a uma “guerra elétrica” promovida pelo “imperialismo norte-americano”.

“Seguimos em batalha e vitória frente à permanente e brutal agressão contra o nosso povo. Hoje, mais do que nunca, somos anti-imperialistas. Jamais nos renderemos!”, escreveu neste sábado no Twitter. O presidente não fez nenhuma aparição pública durante o apagão, mas é esperado que compareça à manifestação chavista no centro de Caracas.

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Apoiadores de Maduro também foram às ruas. Foto: Photo by Cristian Hernandez / AFP

“Convoco todo o povo venezuelano a nos expressarmos maciçamente nas ruas contra o regime usurpador, corrupto e incapaz que deixou o nosso país às escuras”, disse, em uma mensagem pelo Twitter, na sexta-feira, o presidente do Parlamento, Juan Guaidó.

O líder da oposição esteve nas ruas de Caracas e discursou, em cima de um carro, para seus apoiadores. "Não há nenhuma opção para sair disso que não seja pela mobilização nas ruas", disse.

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Guaidó foi à manifestação e discursou para grupo de apoiadores. Foto: EFE/ Rayner Pe

Guaidó se autoproclamou presidente interino do país em 23 de janeiro, invocando artigos da Constituição, e foi reconhecido pelos Estados Unidos, Brasil e dezenas de países, que acusam o presidente Nicolás Maduro de ganhar a reeleição em eleições fraudulentas.

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Apoiadores de Maduro.  Foto: Cristian Hernandez / AFP

Confrontos

Opositores ao regime de Maduro e a polícia venezuelana entraram em confronto na manhã deste sábado. Muitos manifestantes tentaram andar por uma avenida em Caracas, mas foram removidos para a calçada pela polícia em uma tentativa de evitar o motim. De acordo com uma emissora local, uma mulher foi atingida por spray de pimenta.

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Polícia venezuelana bloqueia uma multidão que se reunia para marchar contra o governo de Maduro. Foto: AP Photo/Eduardo Verdugo

“A polícia é abusiva mesmo que eles também sofram da mesma calamidade que a gente”, disse a comerciante Lilia Trocel, de 58 anos. “Eu ainda não tenho energia e perdi parte da minha comida”, declarou em referência à comida que estragou durante o apagão.

“Queremos marchar”, gritava um grupo de seguidores de Guaidó a um contingente policial que bloqueava o acesso à Avenida Victoria, no leste de Caracas.

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Apoiadores de Guaidó.  Foto: EFE/ Rayner Pe

Deputados de oposição denunciaram em suas contas no Twitter que três motoristas que ajudavam, na madrugada de sábado, a instalar um palco onde Guaidó apareceria foram detidos pela polícia, que os obrigou a desmontar os andaimes.

Na sede da estatal telefônica, por outro lado, já era possível identificar um dos palcos do governo, que também fechou uma das principais avenidas de Caracas, onde há a previsão de uma atividade. Não foi confirmada a presença de Maduro.

Agentes do serviço de inteligência rondavam a zona. “Não há água, não há luz, não há comida. Já não aguentamos”, disse Jorge Lugo, venezuelano que levava uma bandeira no pescoço.

Apagão

Depois de mais de 20 horas sem energia elétrica, o serviço foi retomado parcialmente em algumas áreas de Caracas e do interior do país, mas outras cidades, como Maracaibo e Barinas, completavam 40 horas sem fornecimento, segundo a Reuters. 

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Venezuela se recupera de um apagão devastador em Caracas.  Foto: Meridith Kohut/The New York Times

O apagão da Venezuela, que começou na tarde de quinta-feira, afetou inclusive o Estado de Roraima, que precisou recorrer às suas cinco termoelétricas para suprir a energia normalmente procedente da principal hidroelétrica venezuelana de Guri.

A extensa interrupção ocorre em um momento em que o país é sacudido por instabilidade política, hiperinflação e recessão econômica. 

Organizações não governamentais denunciaram que a falta de fornecimento de energia e o mal funcionamento, ou a falta de geradores de emergência em hospitais públicos, provocaram, na sexta-feira, as mortes de um recém-nascido e de um adolescente de 15 anos em Caracas.

Fonte: Reuters/Agência Brasil/ESTADÃO

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