Bolsonaro com Trump; jantar de chegada nos EUA tem a China como assunto principal

Publicado em 17/03/2019 05:01 e atualizado em 18/03/2019 14:19
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"É o começo de uma parceria pela liberdade e prosperidade, como os brasileiros sempre desejaram", escreveu o presidente brasileiro Jair Bolsonaro pouco depois de pousar na capital norte-americana.

O presidente Jair Bolsonaro disse, em sua conta no Twitter, que sua visita aos Estados Unidos representa o começo de uma parceria pela “liberdade e prosperidade”. Bolsonaro posou neste domingo (17) na Base Aérea de Andrews, em Washington. À noite, em discurso durante jantar com integrantes do movimento conservador americano, o presidente  brasileiro enalteceu a aproximação entre Brasil e  Estados Unidos e criticou o "antigo comunismo".

Segundo o porta-voz da presidência, general Otávio Rêgo Barros, Bolsonaro apresentou ideias de "fortalecer o comércio, reconhecendo que os EUA são o segundo mercado para os produtos brasileiros, reconhecendo que a diplomacia de fortalecer a democracia neste lado do Ocidente é importante, reconhecendo que aspectos relativos ao antigo comunismo não podem mais imperar".

A correspondente do jornal Folha de S. Paulo, Patricia Campos Mello, informa que a ameaça estratégica representada pela China e a necessidade de reduzir a codependência com o gigante asiático foi um dos principais assuntos do jantar na residência do embaixador do Brasil em Washington.

Segundo a Folha apurou, o ex-estrategista de Donald Trump, Steve Bannon, discorreu longamente sobre a necessidade de reduzir a “co-dependência” da China e como administrar a relação com Pequim de modo a proteger os interesses nacionais brasileiros.

Presidente Bolsonaro discursa durante jantar em Washington, nos Estados Unidos; ao seu lado, o escritor Olavo de Carvalho

Uma das ideias abraçadas por uma ala do governo é uma cooperação entre Brasil e EUA para se coordenar em produção agrícola e ganhar alavancagem em seu poder de negociação com o mundo.

O chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, e o ideólógo do bolsonarismo, Olavo de Carvalho, são dois dos maiores defensores de uma redução de exposição à China.

Já a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, está em sintonia com as queixas dos produtores agrícolas e organiza uma missão para a China no início de maio, com o objetivo de aumentar o número de estabelecimentos que podem exportar carne bovina, suína e frango para os chineses, além de aumentar a pauta exportadora para o país.

No jantar, Tereza ressaltou a importância das exportações agrícolas do Brasil para a China —o país asiático absorve cerca de 35% das vendas externas de produtos agrícolas do Brasil. O embaixador Sergio Amaral foi na mesma linha.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, ouviu atento às observações de Bannon e teria concordado em parte.

Bannon teria dito que os chineses veem o Brasil da mesma forma que enxergam a Austrália e que o país está se tornando muito vulnerável à Pequim.

Esses temores estão em linha com as preocupações do governo americano sobre a expansão chinesa e o avanço tecnológico do país, principalmente com a Huawei na rede 5G — além dos problemas de segurança e da possibilidade de espionagem.

Autoridades americanas vêm falando com o governo brasileiro sobre isso.

Bannon também abordou a falta de liberdade religiosa na China e o programa de investimentos chinês Belt and Road.

As grandes prioridades da política externa brasileira no momento, na visão da cúpula do Itamaraty e de olavistas, seriam a entrada na OCDE, o clube dos países ricos; ganhar o status de membro afiliado da OTAN e evitar uma relação co-dependente da China.

O entendimento é que, a longo prazo, seria mais inteligente uma maior aproximação com Coreia do Sul e Japão do que com Pequim.

Produtores agrícolas vinham se queixando da posição anti-China do Itamaraty, após o chanceler Ernesto Araújo afirmar que o Brasil não vai vender sua alma para exportar minério de ferro e soja e questionar se a relação com o país é benéfica para o Brasil.

Soja e China, assuntos sensíveis

Já o Estadão/Broadcast Agro informa que oprincipal comprador de soja do planeta, a China, é um assunto "sensível" quando se fala em negociação comercial. Os EUA são o maior produtor de soja do mundo, seguido pelo Brasil, enquanto o Brasil é o maior exportador, seguido pelos EUA.

Como o conflito EUA-China gerou dividendos ao País, que embarcou mais soja aos chineses, o setor sojicultor brasileir espera que o encontro entre Bolsonaro e Trump não traga nenhum mal-estar que possa melindrar essa relação.
-- "A dependência do Brasil do mercado chinês é grande. E a China se interessa pelo Brasil porque o País tem potencial para aumentar a produção e alimentá-la anos e anos para frente", disse uma fonte do setor ao Estadão/Broadcast Agro.

Na pauta da Agricultura, abertura do mercado americano para a carne bovina brasileira

Na pauta agrícola, entre os assuntos que deverão ser discutidos com o presidente norte-americano, Donald Trump, e sua equipe, estão a reabertura do mercado para a carne bovina in natura do Brasil.

Segundo o Broadcast Agro, a ministra Tereza Cristina disse, nesta semana em São Paulo, que a expectativa de abrir o mercado norte-americano para carne bovina in natura é "muito boa", já que há garantia de que a questão burocrática "foi resolvida".

Segundo ela, o retorno ao comércio da proteína só depende da "boa vontade dos americanos".

A fala da ministra foi suficiente para dar otimismo aos investidores e impulsionou os ativos das companhias brasileiras do setor no acumulado semanal, informou o serviço Agro do Estadão.

Do pregão de segunda-feira (11) até esta sexta, as ações da JBS subiram 7,53%, as da Minerva Foods aumentaram 5,72% e os papéis da Marfrig Global Foods avançaram 4,97%.

De acordo com analistas do segmento, as três empresas seriam diretamente beneficiadas pela reabertura do mercado.

A questão principal não seria nem o volume que os Estados Unidos poderão adquirir, mas sim o atestado de qualidade para o produto nacional, que funcionará como importante argumento junto a outros possíveis compradores, como México, Canadá e países do Caribe. Por enquanto, apenas a proteína bovina industrializada no Brasil pode entrar nestes mercados. (+ informações no Estadão/Broadcast Agro).

Açúcar do Brasil sem impostos

O açúcar poderá entre no mercado americano sem imposto adicional desde que o etanol daquele país seja vendido no Brasil sem sobretaxa, acrescenta Estadão/Broadcast Agro

O diretor-presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Evandro Gussi, reforça a necessidade do "livre comércio de verdade" com os Estados Unidos. 

A Unica pede o fim de tarifas que variam de US$ 338,63 por tonelada para o açúcar bruto e de US$ 357,37 para o açúcar branco, sobre o volume que superar uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas do adoçante. 

Em contrapartida, o setor canavieiro do Brasil estaria disposto a não brigar pela manutenção da tarifa de 20% imposta ao etanol norte-americano, prevista para acabar em agosto deste ano.

Fim de tarifa no suco de laranja 

Ainda de acordo com o Estadão/Broadcast Agro outros segmentos também já apresentaram demandas. O setor citrícola, por exemplo, pediu ao governo que negocie o fim da tarifa aplicada pelos norte-americanos sobre o suco de laranja nacional. 

A ideia é que o Governo Bolsonaro discuta com a taxa de US$ 505 por tonelada da bebida congelada brasileira. 

Segundo o diretor-executivo da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), Ibiapaba Netto, não faz sentido a cobrança da tarifa já que os norte-americanos são cada vez mais dependentes da bebida brasileira para compensar a queda na oferta interna de suco. 

Além disso, o Brasil perde mercado para o México, isento de tributos para exportar aos Estados Unidos. O setor calcula que os mexicanos enviam entre 80 mil e 90 mil toneladas de suco de laranja ao país vizinho por ano, um mercado estimado em quase US$ 200 milhões que o Brasil poderia ocupar não fosse a tarifa.
Quando o tema é infraestrutura para exportação de commodities agrícolas, a recomendação também é de cautela porque a China vem demonstrando inclinação em investir nessa área no Brasil. "Existe uma distância entre o Brasil e seus concorrentes em logística, então é possível que haja interesse da China em investir nisso", comentou uma fonte ao Estadão/Broadcast Agro

Viagem de Bolsonaro deve trazer investimentos, mas acordo amplo com EUA segue distante, diz Reuters

WASHINGTON (Reuters) - Em sua primeira viagem oficial aos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro não trará na mala a promessa de um acordo de livre comércio amplo, mas a visita deve abrir espaço para que, nos próximos meses, os dois países avancem em acordos setoriais e, principalmente, em um acordo de investimentos, disse à Reuters uma fonte que acompanha de perto as negociações.

"Nos próximos meses o que devemos trabalhar é quais acordos comerciais gostaríamos de fazer. Existem hoje questões que precisam ser resolvidas, mas não podemos ficar no varejo. Vamos começar a trabalhar as questões maiores", disse a fonte.

Se a questão de liberação de tarifas pode ainda demorar, a dinâmica da relação dos presidentes Bolsonaro e Donald Trump pode tirar do papel o acordo de investimentos, empacado há anos.

Até o governo de Barack Obama, os EUA insistiam na inclusão de uma cláusula que permitia a empresas que se sentissem prejudicadas acionar seu governo para agir, mas o Brasil não aceitava. Agora, na renegociação dos termos do Nafta, Trump pediu a retirada de uma cláusula idêntica.

"O acordo de investimentos está maduro para ser implementado. Nós não aceitamos, mas Trump não quis no Nafta. É um bom sinal", defendeu a fonte.

Ao finalizar a visita com uma declaração, os dois países devem optar pelo anúncio de boas intenções para começar uma negociação, mesmo que os EUA tenham outras prioridades antes do Brasil. A primeira delas, a de finalizar o novo Nafta, com Canadá e México. Depois, as negociações com a China, com quem Trump entrou em uma guerra comercial aberta.

Mas, se na área comercial a visita pode levar apenas a promessa do início de uma negociação que, até hoje, nunca foi adiante, em outros temas o Brasil deve levar para casa acordos que podem trazer ganhos significativos para o país.

O primeiro deles é o status de aliado preferencial extra-Otan, que dará ao país acesso a tecnologias, preferência para aquisição de material de defesa e outros benefícios.

Também já estão acertados acordos na área de Segurança Pública. Em um deles, a Polícia Federal irá assinar com o FBI um acordo de cooperação interinstitucional para a troca de informações biométricas que permitirá melhorar investigações criminais.

Os dois países também irão retomar o Fórum de CEOs, parado há dois anos, e anunciar a criação de um novo, na área de energia, para discutir oportunidades de defesa.

OUTROS PONTOS

Em algumas questões, no entanto, o Brasil não obteve o que veio buscar.

Apesar da decisão de Bolsonaro de anunciar em Washington unilateralmente o fim dos vistos para norte-americanos, o Brasil está longe de receber a mesma cortesia do governo dos EUA. Nesta visita, nem mesmo o Global Entry --sistema de facilitação de entrada com o visto-- deve avançar.

De acordo com outra fonte que acompanha as conversas, o Brasil ainda não cumpre questões técnicas que os Estados Unidos exigem para retirada geral dos vistos. Já o Global Entry estaria encaminhado, mas existem questões tecnológicas e de troca de informações que o país não conseguiu resolver.

Da mesma forma, o governo brasileiro almejava uma declaração formal em relação a sua intenção de entrar na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mas fontes do governo norte-americano já avisaram que isso não vai ocorrer agora.

O Brasil apresentou sua candidatura em maio de 2017 e o governo de Michel Temer chegou a nomear um embaixador para a organização em Paris, mas não houve avanços. Uma das razões é a própria resistência norte-americana, que não apoia o crescimento do grupo agora.

Já na agricultura, uma das questões centrais que a ministra Tereza Cristina pensava adiantar, o fim da suspensão de compra de carne in natura, em vigor desde julho de 2017, não vai acontecer.

"Está caminhando, mas não vai se resolver agora", disse uma terceira fonte que acompanha o tema. "O que devemos ter nessa viagem são acordos de cooperação para abertura de terceiros mercados."

Os dois governos, que são hoje os maiores produtores e exportadores de commodities agrícolas do mundo, querem cooperar para derrubar barreiras, especialmente fitossanitárias, em outros países.

"Brasil e EUA são competidores no mercado internacional, não há dúvidas. Mas em muitos fóruns internacionais estão do mesmo lado, dos grandes produtores, com alta tecnologia de produção. Tem que atuar junto onde é possível", disse a fonte.

Nesta segunda-feira, Bolsonaro participará de painéis na Câmara de Comércio dos Estados Unidos e, na terça, será recebido na Casa Branca.

Brasil vai a Trump atrás de investimentos (por Albert Fishlow, em O Estado de S.Paulo)

Bolsonaro vai finalmente reunir-se com Trump na Casa Branca. O terreno foi preparado pelo chanceler Araújo em reuniões com o secretário de Estado Pompeo. A economia é a área em que o Brasil  mais espera se beneficiar. Uma expansão futura mais rápida, requerendo grandes importações de bens de capital, não traz preocupações imediatas porque esse crescimento combina como mercantilismo de Trump.

O Brasil precisa muito de investimentos nos próximos anos, em infraestrutura, energia, mineração e outras atividades, tendo em vista seu grande mercado interno, espera que isso produza avanços tecnológicos. Mas essa abertura não pode excluir as muitas vantagens de maior globalização e mercado para as exportações brasileiras.

Importações apenas não vão resolver o problema. A tecnologia tem de melhorar internamente, permitindo ao Brasil um papel maior em novas especializações que vão muito além da histórica e excessiva de dependência de carros subsidiados. O País deve entrar decisivamente no campo da eletrônica, biotecnologia e outras áreas nas quais a capacidade brasileira pode levá-lo a ocupar seu lugar no mundo.

Abrindo parênteses: os erros já encontrados na área da educação, especialmente na educação secundária, são perturbadores. Ideologia não leva a aprendizado adequado.

Os dois líderes compartilham e têm um interesse limitado em mudanças climáticas. O governo brasileiro, em lugar de continuar a exercer um papel positivo e significativo, está seguindo a linha de Trump.

Existem seguramente conquistas a destacar. Os esforços para se forjar uma aliança militar mais estreita trazem algumas vantagens conjuntas. Deve-se também enfatizar as visitas regulares entre ministros. Esse comprometimento, claro, é um mecanismo que proporciona poucos ganhos reais. Isso ficou patente em uma aliança anterior, nos anos 1970. Ela teve poucas consequências quando logo em seguida surgiu o problema da dívida. Quem sabe desta vez será diferente.

Bolsonaro na China

Bolsonaro vai em breve à China, o que é importante para o Brasil por duas razões. Uma é a posição do País como fornecedor de commodities; outra é o fracasso dos planos da Embraer. A China está desenvolvendo o próprio setor industrial, o que leva ao risco de ela tornar mais competidora que colaboradora garantida.

Poderia Trump usar Bolsonaro para aumentar a pressão sobre os chineses, visando assegurar concessões aos EUA, ou tentaria Bolsonaro integrar o Brasil a uma região ainda em expansão substancial, embora mais lenta que antes?

Impacto do Acordo EUA-China no agro brasileiro, por MARCOS YANK

Brasil pode ser atingido em soja, milho, algodão, etanol e todas as carnes, (Coluna na Folha de S. Paulo, em co-autoria com o André Soares do CEBRI)

O encontro entre Jair Bolsonaro e Donald Trump no dia 19 se dará às vésperas da conclusão de um acordo histórico entre EUA e China que pode ser altamente disruptivo para o agronegócio mundial, afetando principalmente o Brasil.

O acordo pode representar o fim de uma era em que o comércio se expandia baseado essencialmente na competitividade dos países, sem grande esforço.

Ele traz novos elementos para a equação: pressionados por imenso déficit comercial de US$ 420 bilhões, os EUA deram início a uma guerra mercantilista com a China impondo elevadas tarifas sobre US$ 250 bilhões em importações. O gigante asiático retrucou impondo tarifas sobre US$ 110 bilhões dos EUA, o que atingiu em cheio a soja americana. A disputa trouxe US$ 8 bilhões adicionais às nossas exportações de soja para a China, levando os incautos a inclusive “comemorar” a guerra comercial.

Tudo indica que os EUA vão forçar a China a ampliar as suas compras de produtos agropecuários americanos em absurdos US$ 30 bilhões anuais, que, na melhor das hipóteses, se somariam aos US$ 14 bilhões que foram adquiridos em 2018. Previsões mais sombrias dizem que as importações chinesas vindas dos EUA poderiam ultrapassar US$ 50 bilhões anuais, se somadas ao valor de 2017, que foi de US$ 22 bilhões.

Acreditamos que as exportações mundiais de soja voltarão ao seu curso normal pré-2017, com os chineses se beneficiando plenamente da alternância das safras americana (EUA) e sul-americana (Brasil e Argentina), que ocorrem em diferentes momentos do ano. Essa complementariedade garante estabilidade de oferta e menor risco para a China.

Ocorre, porém, que, para chegar aos US$ 30 bilhões adicionais, a China teria de oferecer acesso privilegiado aos EUA em outros produtos.

Dois casos com forte impacto sobre o Brasil são o milho e o algodão. O consumo de milho da China é gigante (280 milhões de toneladas), porém as suas importações têm sido muito reduzidas —apenas 3,5 milhões de toneladas em 2018. Os EUA pressionarão a China a importar muito mais milho, flexibilizando o seu regime restritivo de cotas de importação e facilitando o ingresso de milho transgênico.

Outros produtos americanos que seriam beneficiados pelo acordo são o etanol de milho, o DDG (subproduto da produção de etanol usado em alimentação animal) e as carnes. No caso do etanol, a importação viria da obrigatoriedade de mistura de 10% de etanol na gasolina da China (E10), que foi mandatada no passado, mas jamais cumprida.

Estimamos que, entre produtos e subprodutos de milho, etanol e algodão, a China poderia ampliar suas importações dos EUA em mais de US$ 10 bilhões adicionais por ano.

Nas carnes, se a China retirar as restrições técnicas e sanitárias que foram impostas aos americanos nos últimos anos, certamente seremos prejudicados em todas as proteínas animais —aves, suínos e bovinos—, com destaque para as perdas de mercado em pés e coxas de frango.

A China certamente tem meios para atender à forte pressão dos EUA, ampliando o acesso de soja e de outros produtos agropecuários. Resta saber se isso será feito à luz das regras da OMC, se ela vai “forçar a barra” na flexibilização das barreiras técnicas e sanitárias e se usará a sua estrutura estatal (estoques estratégicos e empresas públicas) para operacionalizar o acordo.

Enfim, se esse acordo se concretizar, poderemos estar entrando numa era de “comércio administrado” caso a caso, sob a égide de interesses geopolíticos, que pode reduzir o nosso acesso à China, ao Brics e a outros mercados emergentes. Aí sim estaríamos entregando a nossa alma.

(*) Marcos Sawaya Jank é especialista em questões globais do agronegócio. 

(**) André Soares é Senior Fellow do CEBRI (Centro Brasileiro de Relações Internacionais).

 

Hoje Bolsonaro tem reuniões com ex-secretário do Tesouro e empresários (Agencia Brasil)

Em Washington (EUA), o presidente  Jair Bolsonaro tem reuniões hoje (18) com o ex-secretário do Tesouro norte-americano Henry "Hank" Paulson, participa de cerimônia de assinatura de atos e janta com executivos do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos. É a primeira viagem internacional com caráter bilateral. Antes, o presidente foi a Davos, na Suíça, para o Forum Econômico Mundial.

Às 15h30, Bolsonaro se reúne com Henry "Hank" Paulson. No final da tarde, participa da cerimônia de assinatura de atos. As atenções estão voltadas para o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas entre o Brasil e os Estados Unidos.

A medida permitirá o uso comercial da Base de Lançamentos Aeroespaciais de Alcântara (MA). Estima-se que, em todo o mundo, exista uma média de 42 lançamentos comerciais de satélites por ano.

Blair House

O presidente da República está hospedado na Blair House, um palácio no qual ficam os convidados do governo norte-americano.  A construção, de meados do século XIX, fica próxima à Casa Branca.

O prédio foi comprado em 1942 pelo governo dos Estados Unidos e tornou-se um complexo formado por quatro casas interligadas, incluindo o edifício original.

Amanhã (19) está previsto o encontro de Bolsonaro com o presidente Donald Trump. Haverá uma declaração à imprensa no Rose Garden. Em seguida, ele irá ao cemitério de Arlington.

Bolsonaro deve chegar a Brasília na quarta-feira (20). Em seguida, no dia 21, irá para o Chile onde participa da Cúpula do Prosur, grupo que se destina a implementar medidas de interesse dos países da América do Sul.

Integram a comitiva brasileira os ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Paulo Guedes (Economia), Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Tereza Cristina (Agricultura) e Ricardo Salles (Meio Ambiente), além do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Fonte: Estadão/Reuters/FSP/Ag. Brasil

3 comentários

  • Elói Petry Batista Cerro Largo - RS

    Os fanáticos não conseguem ver. O atual governo está destruindo o agronegócio.

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    • CARLO MELONISAO PAULO - SP

      O FANATICO do sr Eloi e' na realidade, uma pessoa com muita vivencia , aquela que nao se deixa influenciar por midia tendenciosa e mentirosa----Aqui vai a frase de Juca Chaves ****A midia brasileira e' tao competente, que, pagando, publica ate' a verdade ******

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    OU de outra forma, por que exportar commodities em vez de produtos industrializados?

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    • FLÁVIO VIANATABOÃO DA SERRA - SP

      Seria cômico, não fosse trágico! Que tristeza! Como o cidadão de bem pode aplaudir um descalabro dessa magnitude.

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Para alguém ocorreu que o que quer o ministro das relações exteriores é, ao invés de exportar minério de ferro, exportar chapas e aço? Ao invés de exportar milhões de toneladas de soja e milho, exportar suinos, frango e carne de boi? (Ou de outra forma, por que exportar commodities em vez de produtos industrializados?)

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    • RAFAEL ANTONIO TAUFFERPASSO FUNDO - RS

      Seria uma boa o Brasil exportar produtos industrializados, mas para isso acontecer o ministro deve saber que primeiramente depende das decisões e atitudes aqui dentro do Brasil.

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    • RONALDO REGOPETRóPOLIS - RJ

      De longa data estamos insistindo na exportação de produtos já industrializados,pois seu valor é maior, como fazem as nações mais avançadas. Temos que exportar lingotes de aço e minérios trabalhados em lingotes, com maior valor agregado.

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    • MÁRIO NORBERTO SLOMPPORTO UNIÃO - SC

      Acabou a lua de mel, meus queridos! agora os agricultores vão sentir na pele o que é um governo de malucos (fundamentalistas evangélicos) com ideias delirantes de extrema direita com submissão aos interesses de nosso maior competidor. Dentre os 10 maiores compradores de carne do Brasil, só o Chile e a Itália não são "comunistas que comem criancinhas" ou muçulmanos. O crédito rural com juros subsidiados ACABOU! e os agricultores votaram nesse maluco porque achavam que poderiam derrubar árvores! derrubar prá que? para plantar soja? e vão vender prá quem????

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    • RAFAEL ANTONIO TAUFFERPASSO FUNDO - RS

      Por qual motivos outros países deixariam de comprar carne do Brasil?

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