Paulo Guedes diz que, apesar de amar os EUA, o Brasil irá negociar com quem estiver disposto a negociar

Publicado em 18/03/2019 20:23 e atualizado em 19/03/2019 03:59
1372 exibições
“Não precisamos reduzir a exposição à China, precisamos comercializar com todo mundo”, disse

WASHINGTON (Reuters) - O ministro da Economia, Paulo Guedes, cobrou em Washington nesta segunda-feira que os Estados Unidos se abram para o Brasil e disse que, apesar de ele e do presidente Jair Bolsonaro amarem os EUA, o Brasil irá negociar com quem estiver disposto a negociar.

“Não precisamos reduzir a exposição à China, precisamos comercializar com todo mundo”, disse.

Entendimento na área econômico é de que é importante ter igualdade de condições entre os países para competir, e o Brasil se alinha a democracias liberais capitalistas, mas está aberto a fazer comércio com todo mundo.

“O Brasil tem que comercializar com todo mundo. Vamos seguir o jogo com a China. O que temos de fazer é aumentar o comércio com os Estados Unidos”, defendeu Guedes em conversa com jornalistas em Washington, onde acompanha Bolsonaro e outros ministros.

“Nós tivemos uma atitude de desinteresse por um parceiro extraordinário que está aqui do nosso lado e isso se agudizou no período de governo do PT”, acrescentou.

Guedes disse ainda que a essência do comércio é o “ganha-ganha” e que a intenção de aumentar o comércio com os norte-americanos não é o mesmo que se contrapor à China.

Em discurso em evento com a presença de Bolsonaro e de empresários, Guedes lembrou que, ao contrário da China, o Brasil tem déficit comercial com os Estados Unidos.

Guedes reclama de tratamento e cobra abertura dos EUA

WASHINGTON (Reuters) - O Brasil vai abrir sua economia e quer a parceria dos Estados Unidos, mas irá negociar com quem estiver disposto a negociar, disse nesta segunda-feira o ministro da Economia, Paulo Guedes, em um longo recado ao grupo de empresários que foram assisti-lo em um evento da Câmara de Comércio dos EUA, em Washington.

"Nós estamos aqui, estamos convidando vocês para uma parceria. Agora nós estamos dançando com os chineses. Eles querem dançar com a gente e dançam muito bem. Eles são nossos parceiros comerciais número um, o que é incrível. Nós estamos tão perto e nossa complementaridade é muito boa, mas nós negociamos mais com os chineses", disse Guedes, lembrando ainda que a China quer investir no Brasil, especialmente em infraestrutura.

"O presidente ama a América. Eu amo a América. Mas eu sempre digo, 'presidente, nós os amamos, mas nos deixe negociar com quem seja mais lucrativo para nós. Porque essa é a maneira que os americanos dançam também. Eles vem dançando com os chineses há muito tempo'", disse.

Na manhã desta segunda, Guedes teve uma reunião com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, em uma conversa justamente sobre até onde vai a abertura comercial do Brasil e, em sua fala, Guedes deixou claro que não gostou do que ouviu. Segundo ele, Lighthizer pensa que o Brasil é a China, com quem os Estados Unidos tem déficit comercial. "Nós não somos. Nós que temos déficit com os Estados Unidos. E nós vamos dançar com quem nos chamar", afirmou.

Guedes reclamou ainda que o governo norte-americano cobra limites na relação do Brasil com a China quando ele mesmo negocia com os chineses há décadas.

"Se abrirmos um pouco nossa economia vamos crescer rapidamente. Se alguém nos oferecer um negócio melhor nós vamos aceitar, nós vamos vender", disse. "Vocês negociam com a China há décadas, então por que nós não podemos negociar com eles, por que não podemos deixá-los investir em infraestrutura?".

OCDE

A lista de cobranças do ministro da Economia foi além. Guedes deixou claro o descontentamento com a dificuldade dos norte-americanos em dar um apoio claro à entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o clube dos países liberais.

Um apoio explícito era um dos principais pontos na agenda do governo para essa viagem mas, ao contrário do esperado, as conversas não avançaram. Ao contrário, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters, o governo norte-americano muda as justificativas para não apoiar o Brasil a cada vez. As chicanas diplomáticas incomodaram Guedes.

Em seu discurso, o ministro acusou os Estados Unidos de ser o principal obstáculo para entrada do Brasil na OCDE.

"Nós precisamos de ajuda. Incrivelmente, os Estados Unidos são o único obstáculo para o Brasil entrar na OCDE. É até compreensível, porque estávamos no lado esquerdo pela maior parte do tempo. Mas agora estamos no lado direito e não merecemos o mesmo tratamento que tínhamos antes", cobrou Guedes.

Em um sinal de que também não estava satisfeito com as negociações comercias durante a visita, o ministro cobrou o "tit for tat" nas conversas, o que significa uma relação equivalente.

"Quer vender porco, ok, compre minha carne. Quer me vender etanol, compre meu açúcar. Carne por porco, etanol por açúcar, trigo por autopeças. São pequenas coisas", defendeu.

Os temas citados por Guedes são alguns dos pontos que o governo pretendia resolver durante a visita, mas até agora não avançaram.

Nesta terça, Bolsonaro tem encontro com o presidente norte-americano, Donald Trump, e o Brasil ainda aposta na "química" entre os dois para resolver algumas das questões pendentes.

Estadão diz que reabertura do mercado de carne bovina nos EUA não será resolvida

Nesta terça-feira, 19, os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro vão se encontrar na Casa Branca. No comunicado que farão à imprensa após a reunião, devem afirmar que os dois países querem caminhar para um livre-comércio. No médio prazo, no entanto, isso significa trabalhar por acordos de convergência regulatória e facilitação de comércio e investimentos.

Algumas questões práticas da pauta agropecuária não devem ser resolvidas, como a reabertura do mercado americano para compra de carne in natura brasileira. Na outra ponta, EUA pressionam pela abertura do mercado brasileiro para importação de carne de porco dos americanos.

“Se os EUA querem vender carne de porco para nós, então comprem nossa carne (bovina). Querem vender etanol? Ok, comprem nosso açúcar”, apontou o ministro. “Querem vender trigo, então comprem nossas autopeças”, destacou. “O mais  importante é que sejamos parceiros comerciais estratégicos para o futuro.” 

O ministro teve uma reunião com o secretário do Comércio dos EUA, Wilbur Ross, na qual ressaltou a importância de as grandes corporações dos dois países ampliarem o diálogo para aumentarem  a realização de negócios. “Vamos pegar as 50 maiores empresas dos EUA e do Brasil para conversarem”, apontou.”

Ao mesmo tempo, o ministro da Economia fez um apelo para que os Estados Unidos ajudem o Brasil na candidatura do País à Organização para Cooperação de Desenvolvimento Econômico e Social (OCDE). A entrada na organização, considerada um clube dos países ricos, é vista por Guedes como um selo de confiança internacional. “Por favor, nos ajudem a entrar na OCDE”, disse. “Os EUA são o único obstáculo para que entremos e é compreensível, porque estávamos na esquerda a maior parte do tempo, mas agora estamos na direita”, afirmou o ministro. Os Estados Unidos planejam dizer que apoiam o trabalho e reformas estruturais do Brasil que o cacifam para a candidatura, sem se comprometer com uma data para endossar politicamente a adesão do País ao organismo.

Em defesa do governo Bolsonaro

Aos empresários, Guedes também saiu em defesa do governo Bolsonaro e disse que o País é uma democracia muito estável. Ao falar da composição do governo, ele disse que a aliança entre conservadores e liberais é a “música” do Brasil no momento. Sobre a reforma da Previdência, Guedes insistiu que “nenhum brasileiro será deixado para trás”, mas disse que a seguridade social não será uma “fábrica de privilégios”.

“Em dois meses de governo, dez dias ele (Bolsonaro) estava no hospital e durante 30 dias o Congresso não estava lá. Em 60 dias o presidente enviou ao Congresso duas reformas muito importantes”, disse, citando o pacote anticrime, de Sérgio Moro, como a segunda reforma importante.

Guedes ressaltou que o excesso de gastos públicos levou o Brasil a um patamar de gastos com juros muito elevado, de US$ 100 bilhões ao ano, o equivalente ao Plano Marshall de reconstrução da Europa após a Segunda Guerra Mundial, a valor presente. “Ninguém tinha colhões para fazer o controle do gasto público. Agora temos alguém que tem colhões”, afirmou. Ele prometeu descentralização política e privatizações, além de redução e simplificação de tributos.

Mais cedo, Guedes disse a jornalistas que o governo vai correr para que a proposta de reforma da Previdência dos militares entre no Congresso na quarta-feira, 20. "Todo mundo entrou na reforma da Previdência e militares têm de entrar também", disse ele a jornalistas. Ele ressaltou que se economia com a reforma for menor de R$ 1 trilhão, o "compromisso com futuras gerações será relativo". Sobre os militares, o ministro disse que o texto vai ser avaliado pelo presidente Jair Bolsonaro, que em seguida vai mandar as medidas para o Congresso.

Bolsonaro se diz amigo dos EUA e quer aprofundar parcerias com país

WASHINGTON (Reuters) - Em seu primeiro discurso público na visita aos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro repetiu a fórmula que agora os EUA tem um presidente "amigo" no Brasil, defendeu muitas parcerias e, apesar de falar a uma plateia de empresários, discorreu sobre o conservadorismo no Brasil e se disse contra o politicamente correto e a ideologia de gênero.

"Nas últimas décadas a tradição do Brasil, desculpem a sinceridade, foi de eleger presidentes de mãos dadas com a corrupção e inimigos dos Estados Unidos. Hoje vocês tem um presidente amigo dos Estados Unidos, que admira esse país maravilhoso e que quer sim aprofundar as parcerias, não apenas as militares mas as mais variadas áreas", disse Bolsonaro em um painel na Câmara de Comércio dos Estados Unidos

Mais de uma vez, o presidente enfatizou que o "Brasil mudou" e a relação agora será diferente.

"Estamos prontos para ouvi-los de modo a chegar a um bom entendimento, de modo que as políticas adotadas por nós tragam paz e prosperidade para o Brasil e para os Estados Unidos", prometeu. "Estou aqui estendendo às minhas mãos e tenho certeza que o (presidente dos EUA, Donald) Trump fará o mesmo. Queremos um Brasil Grande, assim como vocês querem uma América Grande."

"O povo americano e os Estados Unidos sempre foram inspiradores em grande parte das decisões que eu tomei e essa vinda aqui hoje e amanhã com Trump com toda a certeza que estaremos materializando. O Brasil tem muito a oferecer, gostaria de fazer muitas parceiras, muito mais que assinar agora o Centro de Lançamento de Alcântara, mineralogia, agricultura, biodiversidade, gostaria de termos muita parceira desse Estado que admiro", afirmou.

Bolsonaro não deixou de lado a questão de costumes, e fez questão de frisar que o povo brasileiro é "conservador e temente a Deus".

"Alavancaremos não só nossa economia, bem como os valores que, ao longo dos últimos anos, foram deixados para trás. Acreditamos em Deus, somos contra o politicamente correto, não queremos a ideologia de gênero. Queremos um mundo de paz e liberdade. Precisamos trabalhar duro para que seja alcançado, afirmou.

VENEZUELA

Bolsonaro destacou a situação na Venezuela como uma das ações de cooperação entre Brasil e Estados Unidos. O presidente destacou que "temos de resolver a questão da nossa Venezuela" -- numa referência à crise por que passa o país do presidente Nicolás Maduro. E sugeriu uma atuação conjunta entre os dois países.

"Temos alguns assuntos que estamos trabalhando em conjunto, reconhecendo a capacidade econômica, bélica, entre outras, dos Estados Unidos. Temos que resolver a questão da nossa Venezuela", defendeu. "A Venezuela não pode continuar da maneira que se encontra , aquele povo tem que ser libertado e contamos obviamente com o apoio norte-americano para que esse objetivo seja alcançado."

Este foi o único compromisso público do presidente na terça-feira. Pela manhã, Bolsonaro visitou a Cia, agência de inteligência norte-americana, em uma agenda que só foi revelada pela indiscrição de seu filho Eduardo no Twitter. Até ali, a assessoria do presidente afirmava que ele tinha apenas uma agenda privada.

Segundo o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, Bolsonaro visitou a CIA para "confirmar a importância que ele dá ao combate ao crime organizado e estabelecer uma integração na atividade de inteligência".

Depois dessa agenda, o presidente "fugiu" mais uma vez. Acompanhado do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, foi passear por duas horas por Washington, mas não foi revelado para onde foi.

Presidente Jair Bolsonaro participa de evento com empresários em Washington

Em seu discurso na Câmara de Comércio dos EUA, o ministro Paulo Guedes explicou aos presentes que ninguém no Brasil “had balls to control public spending –so we got a guy that has balls“, referindo-se a Jair Bolsonaro. Em bom português, o ministro da Economia disse que o presidente da República tem “colhões” para controlar o gasto público.

Bolsonaro: “A grande transformação do Brasil vem pelas mãos de Deus”

No discurso na Câmara de Comércio, em Washington, Jair Bolsonaro atribuiu a transformação pela qual o Brasil passa à providência divina.

“A grande transformação do Brasil vem pelas mãos de Deus. Primeiro por eu estar vivo, depois de um atentado ainda não elucidado. E depois, o outro milagre, por ocasião das eleições, em que povo brasileiro, muito parecido com o povo americano, povo conservador, temente a Deus e portanto cristão, e que não aceitava mais lá, diferente daqui nesse aspecto, o crescimento da esquerda. E o exemplo negativo da Venezuela, de maneira bastante forte, se fez presente por ocasião das eleições.”

Jair Bolsonaro afirmou que somente agora o Brasil tem um presidente que é amigo dos Estados Unidos…

Segundo ele, presidentes anteriores andavam de “mãos dadas com a corrupção” e eram contra os EUA –os petistas Lula e Dilma Rousseff foram citados explicitamente.

Bolsonaro destacou ainda o interesse do novo governo brasileiro em fortalecer sua parceria com os americanos:

“O Brasil tem potencial enorme, precisamos de bons parceiros. Temos no mundo todo alguns bons parceiros, mas acredito que de forma especial estou aqui estendendo as minhas mãos, e tenho certeza que [Donald] Trump fará o mesmo amanhã, para que essa parceria se faça cada vez mais presente em nosso meio.”

Família

No discurso, Bolsonaro afirmou que alguns de seus ministros constituem uma família e citou o ministro da Economia, Paulo Guedes, como exemplo. O presidente disse que eleição foi um verdadeiro "milagre", já que, segundo ele, sofreu com oposição de setores da mídia e com notícias falsas, as chamadas fake news.

"Tínhamos fake news contra, grande parte da mídia brasileira também contra, não tínhamos tempo de televisão e só arranjamos um partido político meses antes [das eleições], porque a política, no Brasil, eu acredito que tem muito a melhorar. Mas a guinada da esquerda para a centro-direita fez a diferença, o povo cansou-se do toma lá dá cá e o péssimo exemplo dos governos do PT". 

Ao final de seu discurso, Bolsonaro falou em unidade entre Estados Unidos e Brasil e citou valores cristãos compartilhados entre os países. "Juntos, podemos fazer muito e essa essa união, até pela proximidade, Brasil e Estados Unidos, alavancaremos mais ainda não só a nossa economia, bem como os valores que, nos últimos anos, foram deixados para trás. Acreditamos na família, acreditamos em Deus, somos contra o politicamente correto, não queremos a ideologia de gênero, queremos um mundo de paz e liberdade."

EUA advertem Brasil sobre Huawei e 5G em conversas, diz autoridade norte-americana

WASHINGTON (Reuters) - Autoridades norte-americanas advertiram autoridades brasileiras sobre suas preocupações de segurança envolvendo a fabricante de equipamentos de telecomunicações chinesa Huawei Technologies durante conversas em Washington, disse uma graduada autoridade dos EUA nesta segunda-feira.

Os Estados Unidos têm dito que a tecnologia da Huawei para a próxima geração de redes 5G pode ser utilizada para espionar no Ocidente. A China tem negado as acusações.

A questão das redes 5G é um dos diversos temas de segurança, defesa e comércio na agenda do primeiro encontro do presidente Jair Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcado para terça-feira.

"Eles tiveram toda uma série de diferentes reuniões aqui onde ouviram de nossos especialistas em segurança, questões de inteligência e outras áreas para entender as consequências dessas redes e o quão francamente perigosas, e como elas podem minar sua segurança internamente", disse a autoridade a repórteres sob condição de anonimato.

Uma autoridade brasileira, também falando sob condição de anonimato, disse que o Brasil não quer ficar no meio da disputa entre Estados Unidos e China em relação à Huawei. A autoridade disse que, no momento não é previsto nenhum impedimento para a companhia chinesa no Brasil.

Bolsonaro, que defendeu laços mais próximos com os Estados Unidos durante sua campanha no ano passado, visitou a CIA nesta segunda-feira.

Durante a viagem de Bolsonaro a Washington, o Brasil também está trabalhando para conquistar o apoio dos EUA para o ingresso do país na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A autoridade norte-americana disse que os esforços brasileiros para reformas econômicas e regulatórias são bem-vindos.

"Nós vemos esses esforços e esse movimento positivo em uma luz favorável e claramente nós queremos ajudar o Brasil a atingir seus objetivos e faremos tudo que pudermos para ajudá-los a alcançar seu objetivo", disse a autoridade.

Fonte: Reuters/Folha/Ag Brasil

1 comentário

  • Rafael Antonio Tauffer Passo Fundo - RS

    Para quem falava que o governo iria brigar com a China, depois dessa declaração do ministro Paulo Guedes já podemos ficar mais tranquilo.... Volto a dizer, temos um excelente ministro, isso comparado com outros ministros da economia que o Brasil já teve.

    2
    • MARTINS KAMPA -

      É, nesse caso não pode deixar a ideologia aflorar, para não se parecer com os outros. E tem como funcionar como mascate, oferece o seu produto à todos, para que possa vender há alguns.

      0