EUA ordena empresas estrangeiras a cortar ainda mais comércio de petróleo com Venezuela

Publicado em 28/03/2019 21:25
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LONDRES (Reuters) - Os Estados Unidos orientaram empresas de comércio e refino de petróleo por todo o mundo a reduzir ainda mais as transações com a Venezuela, sob o risco de enfrentarem elas próprias sanções, mesmo se as operações não sejam proibidas por sanções norte-americanas em vigor, disseram três fontes com conhecimento do assunto.

A medida acontece no momento em que os esforços de Washington para depor o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, beneficiando o líder da oposição Juan Guaidó estão estagnados, e é uma evidência adicional de como os Estados Unidos estão dependendo de empresas estrangeiras para conduzir sua política externa.

Os Estados Unidos impuseram novas sanções contra a indústria petroleira da Venezuela no início deste ano, mas algumas companhias têm continuado a abastecer o país com combustível da Índia, Rússia e Europa.

Washington está particularmente interessado em interromper o fornecimento de gasolina e de produtos refinados usados para diluir o pesado petróleo venezuelano, o tornando apto para exportação. Combustíveis para aviões e o diesel estariam isentos por razões humanitárias, segundo as fontes.

A Agência de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) do Tesouro dos EUA anunciou no início de fevereiro a proibição do uso de seu sistema financeiro para transações de petróleo com a Venezuela a partir de abril.

Mas, ainda esta semana, o Departamento de Estado procurou empresas estrangeiras para dizer que o escopo das sanções é mais amplo.

Segundo as fontes, o Departamento de Estado deixou claro que qualquer tipo de transação de petróleo, seja ela direta, indireta ou permuta, seria considerada uma violação das sanções.

A Ofac não respondeu de imediato a pedidos por comentário.

  • Source: Reuters
Pessoas fazem fila em supermercado durante apagão em Caracas, na Venezuela
Pessoas fazem fila em supermercado durante apagão em Caracas, na Venezuela 27/03/2019 REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Venezuelanos enfrentam "desafios sem precedentes", diz relatório da ONU

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que cerca de um quarto dos venezuelanos necessitam de assistência humanitária, segundo um relatório interno da entidade visto pela Reuters nesta quinta-feira e que pinta um quadro aterrador de milhões de pessoas sem alimentos e serviços básicos.

As conclusões do relatório contrastam com comentários do presidente Nicolás Maduro, que disse não haver crise nem necessidade de ajuda humanitária, atribuindo os problemas econômicos do país às sanções dos Estados Unidos.

A ONU se viu no meio de uma batalha política entre Maduro e o líder opositor Juan Guaidó, que tem apoio de Washington e que invocou a Constituição para assumir uma presidência interina em janeiro, argumentando que a reeleição de Maduro em 2018 foi ilegítima.

No mês passado, tropas do governo venezuelano impediram a entrada de comboios de ajuda saídos da Colômbia e do Brasil e apoiados pelos EUA.

Mas Caracas aceitou ajuda da aliada Rússia.

"A politização da assistência humanitária no contexto da crise dificulta a entrega de assistência de acordo com os princípios de neutralidade, imparcialidade e independência", disse a ONU no relatório de 45 páginas intitulado "Visão Geral das Necessidades Humanitárias Prioritárias" na Venezuela.

O Ministério da Informação venezuelano não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

A avaliação de março de 2019 da ONU usou uma "gama ampla" de fontes – incluindo agências da ONU, a Cruz Vermelha, acadêmicos e a sociedade civil – e é parte de uma iniciativa da entidade global para tentar intensificar sua reação humanitária na Venezuela.

"Muitas ações mais são necessárias para atender às necessidades crescentes do povo venezuelano", diz o relatório, que alertou que a falta de dados oficiais confiáveis dificulta se determinar precisamente a extensão das necessidades.

O documento estima que 94 por cento dos 28,8 milhões de habitantes vivem na pobreza, enquanto cerca de 3,4 milhões de pessoas fugiram e outras 1,9 milhão devem fazê-lo neste ano.

"Devido a uma economia cada vez mais contraída e ao tumulto político, a população venezuelana está enfrentando desafios sem precedentes para acessar serviços essenciais, incluindo proteção, saúde, remédios, vacinações, água, eletricidade, educação e acesso a alimentos", explicou o relatório.

Fonte: Reuters

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