China inclui no projeto "Rota da Seda" financiamento para desenvolver tecnologia verde

Publicado em 21/04/2019 18:20 e atualizado em 22/04/2019 10:39
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Programa transnacional "Belt and Road" sofre oposição do governo norte-americano

XANGAI (Reuters) - Líderes mundiais reunidos em Pequim nesta semana para uma reunião sobre a iniciativa chinesa "Nova Rota da Seda" ("Belt and Road", em inglês) devem concordar com financiamentos a projetos que respeitem as metas de dívida globais e que promovam o crescimento sustentável, de acordo com um rascunho de um comunicado visto pela Reuters.

A iniciativa é uma polícia chave do presidente Xi Jinping que prevê reconstruir a antiga Rota da Seda para conectar a China com Ásia, Europa e além. Para tanto, o governo chinês promete fazer investimentos massivos em infraestrutura.

A palavra “verde” aparece no rascunho sete vezes. Ela não havia sido mencionada nem uma vez no comunicado de dois anos atrás.

“Nós sublinhamos a importância de promover o desenvolvimento verde”, afirma o comunicado. “Encorajamos o desenvolvimento de financiamento verde, incluindo a emissão de títulos verdes de dívida, bem como o desenvolvimento de tecnologia verde.”

O projeto, no entanto, tem se provado controverso em muitas capitais ocidentais, particularmente Washington, que o vê como mera forma de espalhar a influência chinesa pelo exterior e sobrecarregar países com dívidas insustentáveis através de projetos não transparentes.

Os Estados Unidos têm sido particularmente críticos da decisão da Itália de aderir ao plano no mês passado-- os italianos foram o primeiro país do G7 a fazê-lo.

Em um aparente aceno à essas preocupações, o comunicado em preparação na reunião reitera compromissos alcançados em um último encontro, em 2017, de que o financiamento à iniciativa será sustentável – mas acrescenta uma linha sobre dívida, que não foi incluída da última vez.

"Apoiamos a colaboração entre instituições financeiras nacionais e internacionais para providenciar apoios financeiros diversificados e sustentáveis para os projetos”, diz o rascunho do comunicado.

“Encorajamos o financiamento em moeda local, o estabelecimento mútuo de instituições financeiras e um papel maior de desenvolver os financiamentos em linha com as respectivas prioridades nacionais, leis, regulações e compromissos internacionais, e os princípios acordados pela UNGA sobre sustentabilidade da dívida”, acrescenta o texto, em referência à Assembleia Geral das Nações Unidas (UNGA, na sigla em inglês).

O principal diplomata do governo chinês, Wang Yi, afirmou na sexta-feira que o projeto Nova Rota da Seda não é uma “ferramenta geopolítica” e que a iniciativa não gerará uma crise de dívida para os países participantes, mas acrescentou que Pequim dá boas-vindas a sugestões construtivas sobre como abordar essas preocupações.

Um total de 37 líderes estrangeiros devem participar da reunião entre 25 e 27 de abril, ainda que os Estados Unidos estejam enviando apenas representantes de baixo nível, refletindo seu desconforto com a iniciativa.

O número de líderes estrangeiros para a reunião é maior que os 29 presentes da última vez, com a presença principalmente de aliados próximos à China como Paquistão e Rússia, mas também de Itália, Suíça e Áustria.

123 países e 29 organizações internacionais assinaram documentos de cooperação do Cinturão e Rota com a China

A China tem dito repetidamente que programa seria benéfico para todo o mundo e que está comprometida em manter as normas aceitas globalmente e em garantir projetos que sejam transparentes e representem ganhos para todas as partes.

“Enfatizamos a importância do Estado de Direito e de oportunidades iguais para todos”, diz o rascunho.

Nos últimos seis anos, após a apresentação do Cinturão e Rota, o consenso sobre esta iniciativa chinesa pela comunidade internacional foi aprofundado, diz texto da Rádio China Internacional.. O direitor do Departamento da Economia Internacional do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Xiaolong, disse:

“Até o momento, 123 países e 29 organizações internacionais assinaram documentos de cooperação do Cinturão e Rota com a China. Nos últimos seis anos, um grande número de projetos em infraestrutura foram iniciados, injetando força motriz no crescimento econômico tanto no lado da oferta quanto na demanda. As cooperações industriais elevaram o status dos países envolvidos na cadeia de indústria e oferta, aumentaram a energia interna e estão transformando a recessão do desenvolvimento em novos pontos do crescimento.”

Atualmente, a Ferrovia Mombasa-Nairobi de que várias empresas chinesas participaram já completou mais de 660 dias de operação segura. O responsável pela operação de negócios da Agência Ferroviária do Quênia, James Kimutai Siele, comentou que o projeto alcançou benefícios econômicos e sociais.

“Antigamente, precisávamos de 12 horas na viagem entre Mombasa e Nairobi. Mas, hoje, são apenas quatro horas. Estou muito contente em informar que transportamos um total de 2,6 milhões de passageiros e a ferrovia se tornou a melhor opção para os viajantes no Quênia.”

 

China seguirá apoiando economia diante de "pressões negativas" persistentes, diz politburo

PEQUIM (Reuters) - A China manterá o apoio político à economia, que ainda enfrenta "pressões negativas" e dificuldades após um crescimento melhor que o esperado no primeiro trimestre, disse nesta sexta-feira um importante órgão de decisão do Partido Comunista.

O comunicado do politburo ocorre dois dias após a China ter registrado um crescimento anual de 6,4 por cento no trimestre de janeiro a março, desafiando as expectativas de uma nova desaceleração, com a produção industrial subindo acentuadamente e a demanda dos consumidores mostrando sinais de melhora.

"Embora afirmando plenamente as conquistas, devemos ver claramente que ainda há muitas dificuldades e problemas nas operações econômicas", afirmou a agência de notícias oficial Xinhua, citando uma reunião do politburo comandada pelo presidente da China, Xi Jinping.

"O ambiente econômico externo está se contraindo no geral e a economia doméstica está sob pressão descendente".

A China implementará ajustes anticíclicos "de maneira oportuna e apropriada", enquanto a política fiscal pró-ativa se tornará mais contundente e eficaz, e a política monetária prudente não será nem muito apertada nem muito frouxa, disse.

Para este ano, o governo chinês divulgou cortes de impostos e taxas no valor de 2 trilhões de iuanes (298,35 bilhões de dólares) para aliviar o peso sobre as empresas, enquanto o banco central reduziu as reservas compulsórias cinco vezes desde o início de 2018 para estimular os empréstimos.

Mais medidas de flexibilização política são amplamente esperadas.

Nesta sexta-feira, o politburo reiterou que o governo chinês apoiará efetivamente a economia privada e o desenvolvimento de pequenas e médias empresas.

O crescimento econômico da China deve desacelerar para uma mínima recorde em quase 30 anos de 6,2 por cento neste ano, mostrou uma pesquisa da Reuters na semana passada, à medida que a demanda fraca no país e no exterior pesa sobre a atividade, apesar de uma enxurrada de medidas de apoio.

Xi Jinping: Internet é um espaço com grande potencial (Radio China)

O número de internautas na China já ultrapassou 829 milhões de pessoas

 

Com a implementação do plano de ação “Internet +”, a economia cibernética ocupa uma porcentagem cada vez maior no PIB da China. No dia 19 de abril de 2016, foi realizada uma reunião de trabalho sobre a segurança cibernética e a informatização, quando o presidente chinês, Xi Jinping, indicou uma direção clara para o desenvolvimento do espaço cibernético e de informatização da China. Hoje, três anos depois, sua exigência de reforçar a construção da infraestrutura cibernética e promover a convergência entre Internet e economia real continua desempenhando um papel positivo no reajuste da estrutura econômica do país. Xi Jinping disse que os fluxos de informação devem ser uma força de motor para promover os fluxos de capitais, técnicos, talentos e materiais para melhorar o modelo de crescimento econômico do país.

Até o momento, o número de internautas na China já ultrapassou 829 milhões de pessoas. Na reunião realizada três anos atrás, Xi Jinping disse que os cidadãos chineses navegam na Internet porque a opinião pública é naturalmente expressa nas redes. Ele pediu que os quadros diligentes de diversos níveis usem a Internet para responder às preocupações do público. As sugestões, críticas e supervisões ao governo ou ao indivíduo, sejam suaves ou severas, precisam todas ser aplaudidas e levadas a sério, disse Xi Jinping.

A China é a segunda maior economia do mundo. No entanto, a disparidade que a China tem com o nível avançado mundial reside em tecnologias-chave, disse Xi Jinping. Uma empresa cibernética, não importa quão grande ou rica seja, seu destino sempre dependerá de outros se não possuir uma tecnologia-chave própria. Ele pediu que os empresários, especialistas acadêmicos e tecnológicos lutem para alcançar uma nova conquista de tecnologias-chave do nosso próprio país.

Ao mesmo tempo, Xi Jinping disse que as empresas chinesas do setor cibernético devem buscar uma maior cooperação no cenário mundial e a China dá boas vindas às empresas estrangeiras que respeitem as leis e regulamentos chineses.

A infraestrutura cibernética em áreas de finanças, energia elétrica e comunicações são centro de nervos do estável funcionamento socioeconômico e é a prioridade da segurança cibernética da China. Xi Jinping enfatizou a importância de acelerar a construção de um sistema para garantir a segurança da infraestrutura cibernética em importantes áreas sociais.

Nesta reunião, Xi Jinping também falou de concorrência viciosa no mercado cibernético da China. Ele pediu aos departamentos relacionados para padronizem as ordens do mercado, além de acelerar o trabalho de legislação do setor e aperfeiçoar as medidas de supervisão conforme a lei. Quanto maior a escala que uma empresa fica, mais responsabilidade social e moral tem, disse Xi Jinping.

Fonte: Reuters

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