Disparada do petróleo pressiona governo-caminhoneiros, mas dá vantagem ao etanol

Publicado em 22/04/2019 17:47 e atualizado em 23/04/2019 01:43
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O presidente americano Donald Trump tirou as isenções que oito países tinham para negociar petróleo com o Irã, livres de sanções, e fez disparar os preços em Londres e Nova York. Aqui no Brasil a decisão americana adicionou mais pressão sobre o governo nas negociações com os caminhoneiros (que ameaçam greve com o reajuste do diesel na semana passada). Ao mesmo tempo, ajudou a garantir ao etanol mais competitividade com a safra tendendo a ganhar mais corpo.

O movimento do óleo cru nesta segunda (22) praticamente encostou na máxima do ano, em US$ 75 na praça londrina, e recuou levemente ao final da sessão. O cash fechou acima de 3%, em mais de US$ 74, e o barril para entrega em junho ganhou 1,73%, acima de US$ 73. O WTI, referência em Nova York, quase mais 2,60%.

Magda Chambriard, ex-diretora geral da Agência Nacional de Petróleo, lembra que a "a subida do petróleo e a importação aquecida tira espaço por reajustes por períodos mais longos".

Na quarta, a Petrobras sancionou aumento acima de 4%, depois do presidente Jair Bolsonaro ter impedido aumento acima de 5% na semana anterior, e o governo voltou a ficar ameaçado pelos caminhoneiros, agora num movimento que está dividido.

"O fator cambial amplia os gastos da Petrobras", destaca a consultora em energia e pesquisadora da FGV.

A situação deste primeiro dia da semana, com os Estados Unidos praticamente alijando o Irã do mercado formal do petróleo (a isenção aos importadores ia até 2 de maio), veio juntar-se ao corte de produção do países produtores alinhados na Opep, mas a participação da Rússia.

No mês passado, a Arábia Saudita suprimiu mais de 500 mil barris/dia de seus campos e, segundo projeções, a produção combinada de todos os prodtores chegará a 30 milhões de barris/dia, para uma demanda global de 33.

Etanol

A gasolina já escalou mais de 30% desde o começo do ano, chegou a R$ 4,20 a R$ 4,30, nas redes líderes na região metropolitana de São Paulo e Campinas, por exemplo, e por mais que a força do etanol na usina seja grande, ainda vai se alargando a paridade entre o fóssil e o biocombustível.

A escalada do petróleo, mais dólar acima de R$ 3,93, são fatores a continuarem sendo monitorados.

Nesta segunda, base Ribeirão Preto, o valor na usina deu refrescada, ficando na casa dos R$ 2,40 o litro, mas porque o primeiro dia da semana as distribuidoras desaceleram suas compras, na opinião de Maurício Muruci, da Safras & Mercado.

Pelo fundamento da produção, as chuvas da semana passada, que atrapalharam a moagem de cana - já sobre inicio de safra menor -, ajudoram a puxar o etanol. E Muruci nota que mais chuvas virão em várias regiões até quarta, mais leves, "mas, chuvas, afinal".

Portanto, há espaço para uma nova escapada em torno de R$ 2,55/2,60, na opinião do analista.

Já para Martinho Ono, da SCA Trading, o pior já passou, inclusive a falta de etanol em postos registradas semana passada, como trouxe o Notícias Agrícolas. A produção ainda é pequena, mas é suficiente para o dia a dia.

Por: Giovanni Lorenzon
Fonte: Notícias Agrícolas

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