Centrais sindicais protestam contra reforma da Previdência e convocam greve para 14 de junho

Publicado em 02/05/2019 00:52
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SÃO PAULO (Reuters) - As centrais sindicais comemoraram o feriado do Dia do Trabalho nesta quarta-feira com protestos contra a proposta de reforma da Previdência encaminhada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro ao Congresso e anunciaram a convocação de uma greve geral para o dia 14 de junho.

Líderes sindicais criticaram a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pretende mudar as regras de acesso às aposentadorias, principal prioridade legislativa do governo Bolsonaro, afirmando que ela é cruel e afeta principalmente a população mais pobre.

"Está aprovado! O Brasil irá parar em defesa do direito à aposentadoria dos brasileiros e das brasileiras. A única forma de barrar essa reforma é fazer o enfrentamento nas ruas. É greve geral", disse o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Wagner Freitas, em São Paulo, ao convocar a greve.

As manifestações desta quarta foram realizadas em conjunto por várias centrais sindicais.

Além da CUT, participaram dos protestos pelo 1º de Maio e contra a reforma da Previdência Força Sindical, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Intersindical, Central Sindical e Popular Conlutas (CSP-Conlutas), Nova Central, Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e União Geral dos Trabalhadores (UGT).

Em São Paulo, onde a manifestação aconteceu no Vale do Anhangabaú, região central da cidade, as centrais disseram que 200 mil pessoas acompanharam a celebração do Dia do Trabalho. Em todo o país, afirmaram, os protestos reuniram 1 milhão de pessoas.

"Foi um ato histórico, que nos deu força para convocar a greve para 14 de junho", disse o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SD-SP), ligado à Força Sindical.

A PEC da reforma da Previdência deve começar a ser discutida na semana que vem em uma comissão especial da Câmara dos Deputados, criada para analisar a matéria.

Uma vez aprovada neste colegiado, a proposta irá ao plenário da Câmara, onde precisará de 308 votos favoráveis em dois turnos de votação para seguir ao Senado, onde precisará de 49 votos também em dois turnos para ser aprovada.

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(Por Eduardo Simões)

“Precisamos fazer uma reforma que não garanta a reeleição de Bolsonaro”, diz Paulinho da Força

O deputado Paulinho Pereira, presidente da Força Sindical, disse isso mesmo durante evento do Dia do Trabalho:

“O que estamos discutindo dentro do Centrão é que precisamos fazer uma reforma que não garanta a reeleição de Bolsonaro.”

Ele ainda detalhou:

“R$ 800 bilhões garantem, de cara, e reeleição dele. Se dermos 800 [bilhões de reais],  como disse ele, significa que nos últimos 3 anos dele, há 240 bilhões ao ano para gastar. Eu acho que temos de ter em torno de 500 bilhões. 600 [bilhões de reais de economia nos próximos 10 anos] seria o limite para essa reforma.”

Paulinho acrescentou:

“Com esse discurso, tenho certeza que a gente traz todo mundo do Centrão, porque ninguém quer a reeleição de Bolsonaro.”

CUT e Força Sindical: o primeiro refúgio do atraso (em O Antagonista)

CUT e Força Sindical uniram-se neste Primeiro de Maio.

Para quê?

Para demonstrar que trabalham juntas pelo torpedeamento da reforma trabalhista e da reforma da Previdência.

O sindicalismo é o primeiro refúgio do atraso.

Fim do imposto sindical “é a única razão da zanga” de Paulinho, diz senador

O líder do PSDB no Senado, Roberto Rocha, reagiu com críticas à declaração de Paulinho da Força de que o Centrão, na Câmara, está trabalhando para fazer uma reforma da Previdência “que não garanta a reeleição” de Jair Bolsonaro.

“Isso é um absurdo, é legislar de olho no calendário eleitoral. A única razão da zanga do Paulinho é o fim do imposto sindical”, disse o senador a O Antagonista.

Fonte: Reuters/O Antagonista

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