Bolsonaro diz que Maduro não cai sem envolvimento de generais venezuelanos e Brasil não vai dialogar

Publicado em 03/05/2019 14:11
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Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que é preciso que as "fissuras" na base das Forças Armadas da Venezuela cheguem ao topo ou o presidente Nicolás Maduro não cairá, e destacou que o Brasil não pretende abrir diálogo com o atual governo porque Maduro não iria ceder ao que seria proposto.

"A gente espera que essa fissura que está na base do Exército vá para cima. Não tem outra maneira. Se você não enfraquecer o Exército da Venezuela, o Maduro não cai", afirmou Bolsonaro a jornalistas, após evento no Itamaraty.

Ao ser questionado se o Brasil mandaria emissários para tentar conversar com os militares ou com o próprio presidente venezuelano, negou.

"Acho que não tem o que conversar com ele. O que queremos no meu entender ele não vai querer", afirmou.

Depois da tentativa frustrada do autoproclamado presidente interino da Venezuela Juan Guaidó de derrubar o governo de Maduro, a avaliação do governo brasileiro é que Guaidó não conseguiu aglutinar em torno de si os altos escalões das Forças Armadas.

As "fissuras na base", citadas por Bolsonaro e outros membros do seu governo, mostram uma tendência nos escalões mais baixos e mais suscetíveis à crise econômica do país de apoiar Guaidó, mas que ainda não se refletiram entre os generais.

ARGENTINA

Durante a entrevista no Itamaraty, o presidente, no entanto, repetiu que sua maior preocupação no momento é a situação na Argentina.

Bolsonaro voltou a criticar a possibilidade de a ex-presidente argentina Cristina Kirchner vencer a eleição prevista para outubro deste ano no país vizinho.

Pouco antes, durante discurso na cerimônia de formatura do Instituto Rio Branco, com os novos diplomatas brasileiros, Bolsonaro afirmou, sem citar o nome da ex-presidente, que as preocupações agora devem se voltar à Argentina e que ninguém quer uma nova Venezuela no sul da América do Sul.

Na entrevista, Bolsonaro explicou que a Argentina enfrenta uma forte crise econômica e as últimas pesquisas apontam a liderança da ex-presidente Cristina Kirchner nas próximas eleições presidenciais.

Na noite de quinta-feira, em uma transmissão ao vivo, Bolsonaro argumentou que a ex-presidente argentina é ligada aos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, além do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez e o atual mandatário daquele país, Nicolás Maduro.

"Se isso voltar, com toda a certeza a Argentina vai entrar numa situação semelhante à da Venezuela", disse Bolsonaro na quinta-feira.

Nesta sexta, o presidente também fez um apelo aos novos diplomatas do Itamaraty para que trabalhem para um Brasil aberto aos grandes fluxos econômicos e para defenderem a democracia e a liberdade.

Ao começar seu discurso, Bolsonaro lembrou aos diplomatas: "Quando os senhores falham entramos nós, das Forças Armadas. E confesso que torcemos muito para que vocês não falhem."

Mais tarde, na entrevista, esclareceu que a declaração não se referia à Venezuela ou a uma situação concreta.

"Eles (diplomatas) que nos evitam entrar em guerra, muito simples. Quando acaba a saliva entra a pólvora. Não queremos isso. Temos que tentar a solução dos conflitos de forma pacífica", afirmou.

Fonte: Reuters

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