Ibovespa avança com cena corporativa em foco sem tirar exterior e Previdência do radar

Publicado em 08/05/2019 11:30 e atualizado em 09/05/2019 01:23
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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - A bolsa paulista mostrava recuperação nesta quarta-feira, após duas quedas seguidas do Ibovespa, com Gerdau entre as maiores altas após resultado trimestral, em sessão também marcada pela repercussão do balanço da Petrobras e dados de vendas e produção da Vale no começo do ano.

Às 11:26, o Ibovespa subia 1,54 por cento, a 95.843,02 pontos. O volume financeiro somava 4,1 bilhões de reais.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,04 por cento na segunda-feira e 0,65 por cento na véspera.

Investidores estão atentos também ao cenário externo, particularmente a desdobramentos das negociações comerciais entre os Estados Unidos e China. Fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que Pequim voltou atrás em quase todos os aspectos do acordo comercial com Washington.

Nos EUA, o presidente Donald Trump disse nesta quarta-feira que ficará feliz em manter as tarifas sobre as importações chinesas.

No Brasil, em meio ao noticiário corporativo volumoso, a equipe da Santander Corretora avalia que o começo das discussões sobre a reforma da Previdência na comissão especial da Câmara dos Deputados deve ajudar a movimentar o mercado.

Agentes financeiros aguardam principalmente a participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, na parte da tarde, para explicar a reforma aos deputados do colegiado que analisará o mérito da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para mudar as regras de acesso à aposentadoria.

Mercado monitora Previdência e exterior e leva dólar a maior queda desde 1º de abril

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar teve a maior queda ante o real em mais de um mês nesta quarta-feira, um dia depois de superar a marca dos 4 reais.

O ambiente externo menos arisco, sinais de maior esforço do governo em torno da reforma da Previdência explicaram a queda.

O real teve o melhor desempenho entre 33 pares do dólar na sessão. O dólar à vista <BRBY> caiu 0,91 por cento, a 3,9332 reais na venda, maior baixa desde 1º de abril (-1 por cento).

Na mínima, a cotação recuou a 3,9261 reais, queda de 1,09 por cento.

Na B3, a referência do dólar futuro <DOLc1> perdia 0,97 por cento no fim da tarde.

Investidores acompanharam a participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, em audiência da comissão especial da Câmara dos Deputados sobre reforma previdenciária. O maior envolvimento do presidente Jair Bolsonaro para conquistar mais votos para a proposta reverberou no mercado.[nL2N22K0L7]

Na véspera, o Bolsonaro aceitou recriar os ministérios das Cidades e Integração Nacional, o que foi entendido como um afago ao Centrão. [nL2N22J1WS]

"Estamos longe de achar que vão aprovar a reforma logo, mas esses movimentos deram ao mercado a impressão de que o governo está realmente mais engajado na articulação política", disse Thiago Silencio, operador de câmbio da CM Capital Markets.

Analistas aguardam agora sinais do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que anunciará em breve sua decisão para a Selic. A expectativa é que a taxa seja mantida em 6,50 por cento, mas alguns analistas voltaram a citar chances de corte da taxa nos próximos meses.

Em outubro de 2016, a Selic estava em 14,25 por cento ao ano. O tombo de 775 pontos-base na taxa básica desde então é citado por profissionais do mercado como um dos fatores para a desvalorização cambial de 19,4 por cento do período, uma vez que reduziu o diferencial de retornos entre o Brasil e o mundo, deixando o mercado local menos atrativo para fluxo estrangeiro.

DESTAQUES NA B3

- PETROBRAS PN avançava 3,15 por cento, apesar da queda do lucro líquido nos primeiros três meses do ano na base ano a ano, com a redução da produção de petróleo e menores preços da commodity atingindo as exportações, além de uma nova norma contábil que impactou os resultados. Executivos afirmaram, contudo, que a produção já se recupera no segundo trimestre. A estatal anunciou distribuição de remuneração antecipada aos acionistas sob a forma de juros sobre o capital próprio de 1,3 bilhão de reais. [nL2N22J1VK]

- VALE cedia 1,11 por cento, em movimento alinhado ao declínio de mineradoras no exterior, tendo no radar queda de 20 por cento nas vendas de minério de ferro e pelotas da companhia no primeiro trimestre ante mesmo período de 2018, enquanto a produção de minério de ferro recuou 11 por cento, em meio a paradas de produção após o desastre de Brumadinho (MG) no final de janeiro. [L2N22K0DH]

- BRADESCO PN e ITAÚ UNIBANCO PN subiam 2,44 e 1,96 por cento, endossando a recuperação, com o setor de bancos como um todo no azul. BANCO DO BRASIL, que divulga balanço na quinta-feira, valorizava-se 2,22 por cento.

- GERDAU PN tinha alta de 2,53 por cento, após reportar lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de 1,55 bilhão de reais no primeiro trimestre, alta de 4,6 por cento na base ano a ano e melhor resultado para o período dos últimos 11 anos, em desempenho puxado principalmente pela performance das operações na América do Norte.

- HYPERA valorizava-se 4,28 por cento, ajudada pela melhora da recomendação dos papéis por analistas do Credit Suisse para 'outpeform' ante 'neutra'.

- TIM cedia 1,05 por cento, após a operadora de telefonia divulgar queda de 10,4 por cento no lucro líquido do primeiro trimestre frente ao mesmo período do ano anterior, em resultado abaixo das expectativas de analistas.

- TAURUS PN, que não está no Ibovespa, disparava 20 por cento, em novo salto depois que o presidente Jair Bolsonaro assinou na véspera novo decreto que facilita a venda de armas e munições no país. A Taurus avalia que o decreto poderá aumentar de forma relevante a procura.

Fonte: Reuters

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