EUA: Índices têm fortes quedas com intensificação de embate comercial sino-americano

Publicado em 13/05/2019 19:50
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NOVA YORK (Reuters) - Os mercados de ações dos Estados Unidos mergulharam nesta segunda-feira, após a China desafiar Washington e anunciar tarifas retaliatórias, no mais recente episódio da cada vez mais beligerante disputa comercial entre os dois países, o que fez investidores fugirem da renda variável em busca de ativos menos arriscados.

Os três principais índices acionários dos EUA perderam terreno em meio a vendas generalizadas, com o Nasdaq sofrendo sua pior queda percentual neste ano. O S&P 500 e o Dow Jones tiveram seus maiores recuos percentuais desde 3 de janeiro.

A China disse que elevaria tarifas sobre 60 bilhões de dólares em produtos norte-americanos, apesar dos alertas do presidente dos EUA, Donald Trump, contra retaliação chinesa ao aumento de tarifas imposto por Washington na sexta-feira passada.

O movimento alimentou temores de uma desaceleração da economia global.

"O mercado está se dando conta de que isso foi uma quebra absoluta nas negociações (comerciais) e que tudo retrocedeu", disse o estrategista-chefe de mercado da JonesTrading, Michael O'Rourke.

"Pode ser muito ruim", completou. "Há muita incerteza. Isso deveria levar a mais desaceleração na economia."

O índice de volatilidade da CBOE, um parâmetro para a ansiedade dos investidores, registrou a maior alta em pontos desde ano.

O índice Dow Jones caiu 2,38%, para 25.324,99 pontos. O S&P 500 perdeu 2,41%, para 2.811,87 pontos. E o Nasdaq Composto recuou 3,41%, para 7.647,02 pontos.

Agravamento de tensão EUA-China derruba Ibovespa abaixo de 92 mil pontos

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em forte queda nesta segunda-feira, após a China anunciar aumento de tarifas de importação de produtos norte-americanos em resposta à taxação dos Estados Unidos anunciada na semana passada, agravando o embate comercial entre os dois gigantes econômicos.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 2,69 por cento, a 91.726,54 pontos. O volume financeiro somou 13,6 bilhões de reais.

Pequim anunciou nesta segunda-feira elevação de tarifas contra 60 bilhões de dólares em produtos norte-americanos a partir de junho, em resposta à decisão dos EUA de elevar tarifas sobre 200 bilhões de dólares em produtos chineses.

A medida ocorreu após o presidente norte-americano, Donald Trump, ter alertado Pequim a não retaliar o movimento de Washington na semana passada. Trump disse esperar se reunir com o presidente chinês, Xi Jinping, na cúpula do G20 no fim de junho.

"As tensões comerciais continuarão a ser um ponto focal importante para os mercados e o sentimento de risco", disse o analista Jasper Lawler, chefe de pesquisa no London Capital Group, em nota a clientes.

Investidores temem que a deterioração nas negociações e o prolongamento do embate, com potenciais tarifas adicionais norte-americanas ou novas medidas de retaliação chinesas, possam ter forte impacto no crescimento global.

No caso do Brasil, uma desaceleração mais forte na atividade econômica mundial, com reflexos no consumo de commodities como minério de ferro e soja, pioraria ainda mais o cenário de crescimento no país, que tem frustrado economistas.

Pesquisa Focus nesta segunda-feira mostrou a 11ª revisão para baixo nas projeções de mercado para Produto Interno Bruto (PIB) em 2019, com a mediana das estimativas agora apontando expansão de 1,45 por cento.

Na seara política, agentes de mercado veem um cenário cada vez mais desafiador, com uma pauta na semana relativamente pesada, incluindo novas audiência em comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a reforma da Previdência.

A temporada de resultados no Brasil também entra em sua reta final nesta semana, incluindo os balanços de Cosan e JBS nesta segunda-feira, após o fechamento da bolsa.

"Apesar da atividade mais fraca no Brasil, as empresas registraram resultados em média ligeiramente melhores que o esperado, embora com maiores destaques negativos", notou a XP Investimentos, a partir dos resultados divulgados até o momento.

DESTAQUES

- VALE caiu 4,1 por cento, diante do cenário externo adverso, com queda também em papéis de mineradoras na Europa. BRADESPAR, que concentra seus investimentos em Vale, perde 4,6 por cento.

- PETROBRAS PN recuou 2,92 por cento, contaminada pelo viés negativo, com o petróleo também perdendo fôlego e fechando em queda no exterior.

- SABESP perdeu 6,99 por cento, em novo ajuste negativo, conforme segue suscetível a especulações envolvendo a tramitação de medida provisória que muda o marco regulatório do saneamento básico no país, que poderia ajudar na privatização da empresa.

- GOL PN caiu 7,02 por cento, afetada pela alta do dólar, além de notícia publicada pelo jornal O Globo de que o sócio da companhia aérea Henrique Constantino, ex-vice-presidente do conselho de administração da companhia, assinou delação premiada, admitindo pagamento de propina em troca de financiamentos da Caixa Econômica Federal a suas empresas.

- CVC BRASIL caiu 7,68 por cento, tendo de pano de fundo cenário econômico desfavorável ao consumo e dólar em alta ante o real, além de incômodo sobre decisão de não divulgar mais crescimento das reservas por segmento e efeito Avianca Brasil.

- BRASKEM PNA recuou 6,99 por cento, sexta queda seguida, em meio a noticiário adverso recente sobre a petroquímica. Nesta segunda-feira, a companhia disse que terá seus papéis deslistados da Nyse por atraso na entrega de formulário 20-F de 2017.

- AZUL PN caiu 3,91 por cento, em sessão negativa para companhias aéreas diante da forte alta do dólar. A empresa anunciou nova tentativa para comprar algumas das rotas mais cobiçadas da Avianca Brasil, oferecendo 145 milhões de dólares.

- BRADESCO PN perdeu 2,49 por cento, com o setor de bancos como um todo contaminado pelo sentimento negativo na bolsa. ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 1,57 por cento. BANCO DO BRASIL caiu 3,57 por cento.

- JBS encerrou em baixa de 1,45 por cento, também afetada pelo viés negativo no pregão, antes do resultado trimestral, previsto para após o fechamento do mercado.

Fonte: Reuters

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