Em dia de protestos, Bolsonaro nega cortes na educação e Mourão vê falha em comunicação

Publicado em 15/05/2019 13:55
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(Reuters) - Em dia de protestos marcados em todo o país nesta quarta-feira contra o que manifestantes chamam de cortes no orçamento da educação, o presidente Jair Bolsonaro negou que verbas tenham sido cortadas, afirmando que foram contingenciadas, enquanto o vice-presidente Hamilton Mourão apontou falhas na comunicação do governo sobre os recursos da área.

"Não existe corte. Hoje nós temos um problema que eu peguei um Brasil destruído economicamente também, então as arrecadações não eram aquelas previstas por quem fez o Orçamento para o corrente ano, e se não houver contingenciamento eu simplesmente encontro a Lei de Responsabilidade Fiscal", disse Bolsonaro a jornalistas ao chegar em Dallas, nos Estados Unidos.

O presidente se reunirá na cidade com o ex-presidente norte-americano George W. Bush e, na quinta-feira, receberá o prêmio de Pessoa do Ano numa cerimônia que, inicialmente, seria feita em Nova York, mas Bolsonaro cancelou a ida àquela cidade depois de críticas públicas feitas a ele pelo prefeito nova-iorquino, Bill de Blasio.

"Vou ter um encontro com o Bush. Amanhã tem um evento nosso que seria em Nova York, mas lamentavelmente o prefeito não me quis lá e estamos sendo muito bem recebidos aqui. O objetivo nosso de viagem será alcançado: aprofundar cada vez mais os laços de amizade e também cooperação comercial com esse país que eu sempre amei desde a minha infância", explicou o presidente.

Indagado em Brasília sobre as manifestações marcadas em todo o país a favor da educação, Mourão também negou tratar-se de cortes no orçamento do ministério e afirmou que o governo tem falhado em comunicar à sociedade que se trata de um contingenciamento, o que significa, segundo ele, que os recursos podem ser liberados futuramente.

"O que existe não é corte, é contingenciamento que ocorreu ao longo de todos os governos. Aliás, a única exceção foi ano passado, que o presidente Temer liberou o Orçamento em fevereiro", disse o vice a jornalistas, afirmando esperar que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, explique a situação em audiência no plenário da Câmara nesta quarta-feira.

Weintraub foi convocado para dar esclarecimentos por ampla maioria dos deputados, que aprovaram requerimento para que ele compareça à Casa para falar no plenário.

"Se o ministro souber explicar direitinho. Acho que vocês entenderam o que eu quis transmitir aqui, as coisas que estão acontecendo. Então, nós temos falhado na nossa comunicação, e agora é uma oportunidade dentro do Congresso que o ministro vai ter para explicar isso tudo", acrescentou.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) convocou protestos em todo o país contra o que afirma serem cortes no orçamento do Ministério da Educação e atividades em algumas instituições de ensino públicas e privadas foram paralisadas nesta quarta em apoio ao movimento.

O contingenciamento --nas palavras do governo-- tem afetado o financiamento de pesquisas e de custeio das instituições públicas de ensino. Inicialmente, Weintraub havia dito que o alvo seriam universidades federais que fariam "balbúrdia". Posteriormente, e diante de críticas, decidiu que todas as instituições seriam igualmente afetadas.

(Por Eduardo Simões, em São Paulo)

Fonte: Reuters

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