Dólar sobe ante real com cena política local e disputa comercial entre EUA e China

Publicado em 16/05/2019 10:51 e atualizado em 16/05/2019 11:44
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Por Laís Martins

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subia levemente ante o real nesta quinta-feira, com investidores atentos à cena política local e ainda acompanhando desdobramentos na disputa comercial entre Estados Unidos e China, que segue pressionando mercados emergentes.

Às 10:41, o dólar avançava 0,42%, a 4,0131 reais na venda.

O dólar futuro ganhava 0,26% neste pregão.

Na quarta-feira, o dólar avançou 0,51%, a 3,9962 reais na venda, seu maior nível em sete meses e meio.

O presidente Jair Bolsonaro receberá nesta quinta-feira o prêmio "Personalidade do Ano" pela Câmara de Comércio Brasil-EUA na cidade norte-americana de Dallas em um momento de escalada nas tensões no ambiente político no país.

Os últimos dias foram marcados por protestos contra o governo, particularmente cortes de verbas em universidades federais, além de investigações envolvendo pessoas próximas ao presidente e declarações controversas pela equipe de Bolsonaro.

"Os protestos alimentam receios de que a leitura de fraqueza do atual governo possa estar se disseminando, fortalecendo a oposição e naturalmente dificultando a agenda de reformas, com óbvio foco na PEC da Nova Previdência", avaliou a corretora H.Commcor, em nota.

Do front externo, a disputa comercial entre Washington e Pequim segue pressionando mercados e moedas emergentes. O embate ganhou um novo capítulo após o governo do presidente norte-americano, Donald Trump, atingir a chinesa Huawei com sanções.

A expectativa de que esse sentimento permanecerá até a reunião do G20, no fim de junho, quando deve haver alguma definição. Até lá, a questão continuará fazendo preço nos mercados a depender das declarações e ações de ambas as partes.

O Banco Central realiza nesta sessão leilão de até 5,05 mil swaps cambiais tradicionais, correspondentes à venda futura de dólares, para rolagem do vencimento de julho, no total de 10,089 bilhões de dólares.

Ibovespa recua com ruídos políticos e economia fraca

SÃO PAULO (Reuters) - A bolsa paulista mostrava perdas esta quinta-feira, em meio à deterioração no clima político no país e cenário de atividade fraca, com Marfrig e Ultrapar em lados opostos no Ibovespa após encerrarem a temporada de balanços de empresas brasileiras na véspera.

Às 11:32, o Ibovespa caía 0,67%, a 91.009,92 pontos. O volume financeiro somava 3,9 bilhões de reais.

O ambiente político no país tem adicionado desconforto aos negócios, conforme uma série de artigos traz à tona investigações envolvendo pessoas próximas ao presidente Jair Bolsonaro, em um pano de fundo com protestos em várias cidades do país contra cortes na educação.

"O ruído atrapalha na articulação política em Brasília, e preocupa o mercado que lê isso como sinais de potenciais atrasos no andamento da reforma da previdência", destacou a equipe da XP Investimentos, em nota a clientes.

Ao mesmo tempo, números mais fracos de atividade têm corroborado perspectivas mais sombrias sobre o ritmo da economia brasileira. Pesquisa Focus nesta semana mostrou que a expectativa de crescimento do PIB já está em 1,45%, mas há quem espere menos do que 1%.

O pregão paulista destoava do viés de bolsas no exterior, com Wall Street no azul em meio a resultados corporativos animadores, que atenuaram novo capítulo no embate comercial EUA-China, com decisão dos EUA de colocar a gigante de equipamentos de telecomunicações Huawei em uma lista negra.

DESTAQUES

- ITAÚ UNIBANCO PN caía 0,78% e BRADESCO PN recuava 0,63%, reflexo do sentimento mais negativo no país, com BANCO DO BRASIL cedendo 1,51 por cento.

- PETROBRAS PN rondava a estabilidade, com suporte da alta dos preços do petróleo no exterior.

- VALE ganhava 0,94%, acompanhando papéis de mineradoras em pregões europeus.

- ELETROBRAS ON caía 3,29%. Na véspera, representantes de sindicatos do setor elétrico relataram que o vice-presidente Hamilton Mourão sinalizou não ver clima para a privatização da companhia neste ano.

- ULTRAPAR cedia 3,40%, entre as maiores quedas após mostrar queda no desempenho operacional no primeiro trimestre, embora o lucro tenha disparado devido à fraca base de comparação e a melhores resultados financeiros.

- MARFRIG subia 8,03%, após reverter prejuízo e fechar o primeiro trimestre com lucro líquido continuado de 4 milhões de reais, apoiada sobretudo em melhores preços nas operações da América do Norte.

Fonte: Reuters

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