Ibovespa renova mínima do ano e recua em semana com aumento do risco político e exterior

Publicado em 17/05/2019 19:12 e atualizado em 18/05/2019 18:16
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SÃO PAULO (Reuters) - A bolsa paulista fechou quase estável nesta sexta-feira, com o Ibovespa acumulando a terceira semana seguida de perdas, reflexo da percepção de aumento do risco político no país e do ambiente menos favorável no exterior.

Índice de referência da bolsa brasileira, o Ibovespa terminou com variação negativa de 0,04%, a 89.992,73 pontos. O giro financeiro somou 16,43 bilhões de reais.

Na semana, caiu 4,5%, caminhando para repetir neste mês a sina dos últimos nove anos, quando fechou maio no vermelho, chancelando um famoso ditado do mercado financeiro - "sell in May and go away" (venda em maio e vá embora).

"O cenário parece cada dia mais desafiador, com a falta de articulação do governo colocando em xeque a aprovação das reformas", destacou a equipe da Coinvalores em nota a clientes.

A corretora destacou o fato de o presidente Jair Bolsonaro ter voltado a enfatizar questões ideológicas, dificultando uma aproximação com o Congresso e deixando o ministro da Economia, Paulo Guedes, isolado na luta pela reforma da Previdência.

Investidores já veem com preocupação o contágio na atividade economia oriundo do atraso no andamento da proposta que muda as regras de acesso a aposentadorias, com empresários pouco dispostos a tomar risco.

Em evento no Rio de Janeiro, contudo, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a matéria será aprovada na Casa até "no máximo" início de julho.

Para o estrategista de mercados emergentes do banco Julius Baer, Mathieu Racheter, a aprovação da reforma continua sendo o fator mais importante para reconstruir a confiança e impulsionar o crescimento econômico.

"Esperamos que a volatilidade do mercado permaneça em níveis elevados nas próximas semanas", afirmou.

No caso da Bovespa, o vencimento de contratos de opções sobre ações na segunda-feira corrobora com tal volatilidade, dada a participação relevante no Ibovespa de papéis que figuram entre as séries mais líquidas no exercício.

Os estrategistas Daniel Gewehr e João Noronha, do Santander Brasil, notaram que as perspectivas para as ações brasileiras pioraram no curto prazo, em meio à decepção com crescimento recente do país e renovadas preocupações com a economia global.

No exterior, o embate comercial entre os Estados Unidos e a China seguiu adicionando cautela. A rede de TV norte-americana CNBC noticiou, citando fontes, que as negociações estagnaram. Em Nova York, o S&P 500 caiu 0,58%.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN perdeu 2,33%, contaminada pela percepção mais negativa sobre o cenário político e tendo de pano de fundo enfraquecimento dos contratos futuros do petróleo no exterior. PETROBRAS ON caiu 0,79%

- ITAÚ UNIBANCO teve dia volátil e fechou com avanço de 0,19%, enquanto BRADESCO subiu 0,76%. Mas BANCO DO BRASIL declinou 1,73%.

- VALE subiu 2,84%, após recuar mais de 3% na véspera, conforme os preços do minério de ferro dispararam na China, superando 100 dólares a tonelada.

- ULTRAPAR caiu 4,3%, em dia negativo para empresas de combustíveis. BR DISTRIBUIDORA recuou 2,24% e COSAN, que cedeu 3,05%.

- CIELO fechou em baixa de 4,34%, renovando mínima histórica, dado o cenário difícil para a companhia em meio à competição acirrada no segmento de meios de pagamentos.

- SUZANO subiu 6,09%, entre as maiores altas do dia, na esteria da alta do dólar, o que ajudou outras empresas com receitas na moeda norte-americana. EMBRAER avançou 4,13%.

- JBS ganhou 3,88%, apoiada em perspectivas de maior demanda da China devido ao surto de febre suína africana naquele país, além da alta do dólar, que beneficia exportadoras.

Wall St cai por escalada em tensão comercial

NOVA YORK (Reuters) - Os principais índices acionários de Wall Street fecharam em baixa nesta sexta-feira, com as continuadas tensões comerciais jogando as ações industriais e de tecnologia para baixo, enquanto o Dow Jones registrou a quarta semana seguida no vermelho, sequência mais longa de quedas em três anos.

O Dow Jones caiu 0,38%, para 25.764 pontos. O S&P 500 perdeu 0,58%, para 2.859,53 pontos. E o Nasdaq Composto recuou 1,04%, para 7.816,29 pontos.

Embora os três principais índices do mercado acionário norte-americano tenham lutado para se manter em alta durante boa parte da sessão, eles mudaram decisivamente para a direção negativa após notícia da rede de TV CNBC de que as negociações entre EUA e China estagnaram.

O S&P 500 e o Nasdaq sofreram a segunda semana de perdas, após as ações norte-americanas fracassarem em se recuperar completamente das vendas generalizadas da última segunda-feira.

"Não é incomum para ações se enfraquecerem no fim da semana", disse Peter Tuz, presidente do Chase Investment Counsel. "A possibilidade de algo estranho acontecer no fim de semana leva as pessoas a tirar dinheiro da mesa quando a semana vai terminando".

Fonte: Reuters

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