Maia promete aliança com Guedes e Alcolumbre por agenda racional "sem ficar olhando para internet"

Publicado em 18/05/2019 18:08
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RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta sexta-feira que anunciará na próxima semana ou na seguinte uma agenda "muito racional, muito objetiva" de reestruturação do Estado, em parceria com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e "sem ficar olhando para a internet".

Durante o 91º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), no Rio de Janeiro, Maia disse que o Congresso confia em Guedes e vê nele um líder das reformas econômicas dentro do governo do presidente Jair Bolsonaro. O presidente da Câmara acrescentou estar firme no compromisso com a agenda econômica liberal de Guedes.

"Eu e o presidente Davi (Alcolumbre), do Senado, nós decidimos, e vamos realizar junto com os líderes ou na próxima semana ou no início da outra, deixar bem claro para a sociedade que a Câmara e o Senado vão ter uma agenda muito racional, muito objetiva, de reestruturação do Estado brasileiro, e vamos fazer isso juntos com o ministro Paulo Guedes", disse Maia.

"Nós não vamos ficar olhando para a internet, para essas guerrilhas virtuais... Se a gente for ficar olhando rede social, a gente não faz a Previdência, a gente não melhora educação, não melhora saúde, e eu e o Davi vamos fazer um pronunciamento muito objetivo: nós confiamos no ministro Paulo Guedes, temos nele um líder dessas reformas dentro do governo, e o nosso foco a gente não vai perder."

As declarações de Maia, em um evento do qual Guedes também participou, acontecem em um momento em que o governo enfrenta sérias dificuldades em sua articulação política com o Legislativo e também depois de atritos do presidente da Câmara com Bolsonaro por causa de críticas do entorno e de aliados do presidente a Maia em redes sociais.

"Querem que a gente perca o nosso foco, porque se perder o nosso foco, o nosso Estado continua capturado por corporações públicas e por poucas corporações privadas que nos levam quase 400 bilhões por ano de incentivos fiscais", disse o presidente da Câmara.

"A agenda que a gente não pode tirar da frente, um objetivo muito claro. Nós temos 13 milhões de brasileiros desempregados, temos 15 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza, nós voltamos a ter fome nesse país", disse.

"Nós não podemos perder tempo com conversa na diagonal, nossa conversa tem que ser muito objetiva, e é isso que o Congresso Nacional vai deixar muito claro para a sociedade brasileira, se possível já na próxima semana."

Bancada da bala quer votação nominal para garantir volta do Coaf para Moro

BRASÍLIA (Reuters) - Representantes da Frente Parlamentar da Segurança Pública pretendem pedir ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que coloque na próxima semana em votação nominal um destaque que devolve o Coaf ao Ministério da Justiça para tentar garantir a aprovação da iniciativa, disse o deputado Capitão Augusto (PR-SP), coordenador da frente.

A ida do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) da pasta da Justiça para a de Economia foi aprovada na semana passada em comissão mista que analisou a Medida Provisória 870, editada pelo governo Bolsonaro para promover a reforma administrativa. O texto enviado pelo governo transferia o conselho para a pasta da Justiça.

A modificação pelo colegiado, articulada por parlamentares de partidos do chamado centrão e da oposição, foi considerada uma derrota do governo e do ministro da Justiça e ex-juiz da operação Lava Jato, Sergio Moro.

Agora, a popularmente chamada bancada da bala quer que Maia coloque o destaque --quando se vota separadamente um ponto da medida provisória-- do retorno do Coaf para a Justiça em votação nominal, quando os deputados são obrigados a registrar cada um seu voto, se a favor ou contra. A frente avalia que essa estratégia, que já foi comunicada a Moro, vai ajudar na aprovação da proposta, segundo o coordenador.

"Vamos fazer de tudo para que o Coaf volte para a Justiça", disse o líder da bancada, ao frisar que não acredita que o presidente da Câmara vá se opor a colocar em votação esse destaque.

O apoio das bancadas temáticas para votar propostas no Congresso foi o primeiro respaldo político que Bolsonaro ganhou ainda na corrida eleitoral, mas a sua eficácia -- por ser formada por representantes de vários partidos -- sempre foi vista com ressalvas.

Uma das preocupações do governo é que a MP da reforma administrativa perca validade -- precisa ser votada até 3 de junho e ainda há outras MPs na frente dela para serem apreciadas pelo plenário da Câmara. Se passar pela Câmara, terá de ser votada pelo Senado.

Se a MP da reforma administrativa perder a validade, a redução dos ministérios --22 atualmente e a fusão de três pastas que deu origem ao Ministério da Economia-- e outras mudanças terão de ser revistas. Ainda assim, o deputado Capitão Augusto disse que a medida provisória será votada e não vai caducar.

"A MP será votada. Caducar será um desgaste gigantesco para todos os partidos", disse ele, que acredita na reversão pelo plenário da Câmara de todas as mudanças feitas na MP pela comissão mista.

Fonte: Reuters

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