Ampla guerra comercial empurrará economia global para recessão, diz Morgan Stanley

Publicado em 20/05/2019 14:29
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LONDRES (Reuters) - O colapso das negociações comerciais entre EUA e China e o aumento das tarifas sobre produtos chineses levariam a economia mundial à recessão e o Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) a cortar juros dentro de um ano, disseram analistas do Morgan Stanley nesta segunda-feira.

Uma escalada temporária das tensões comerciais pode não causar tantos danos, mas um colapso duradouro ditaria severas perdas.

"Se as negociações travarem, nenhum acordo for acertado e os EUA impuserem tarifas de 25% sobre as importações restantes da China, de 300 bilhões de dólares, veremos a economia global caminhando para a recessão", disseram analistas do banco em nota.

Em resposta, o Fed cortaria as taxas até zero na primavera de 2020 (no Hemisfério Norte), enquanto a China aumentaria seu estímulo fiscal para 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) --equivalente a cerca de 500 bilhões de dólares-- e sua ampla meta de crescimento de crédito para 14%-15% ao ano, acrescentaram os profissionais.

"Mas uma resposta política reativa e os atrasos habituais de transmissão de políticas significariam que talvez não pudéssemos evitar o aperto das condições financeiras e uma recessão global total."

Uma recessão global é definida como crescimento abaixo de 2,5% ao ano.

Índices recuam com preocupações sobre Huawei

(Reuters) - Os índices acionários europeus recuaram nesta segunda-feira, quando a repressão dos Estados Unidos à chinesa Huawei Technologies retomou as preocupações com uma piora do comércio global e afetou as ações de tecnologia e automóveis expostas ao comércio.

O índice FTSEurofirst 300 caiu 1,03%, a 1.486 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 perdeu 1,06%, a 377 pontos.o índice pan-europeu STOXX 600 perdia 1,06%, a 377 pontos, perdendo 3,5% até agora em maio, a caminho da primeira perda mensal de 2019.

O apetite global por risco foi afetado depois que a Reuters informou que o Google suspendeu os negócios com a Huawei que exigem a transferência de hardware, software e serviços técnicos, exceto aqueles disponíveis publicamente via licenciamento de código aberto.

"Ao ver que os EUA adotaram uma postura rígida contra a Huawei, os operadores não estão esperançosos de que a disputa comercial entre EUA e China será resolvida rapidamente", disse David Madden, analista de mercado do CMC Markets UK.

As ações de tecnologia registraram as maiores perdas entre os setores europeus, perdendo 2,8%. A AMS, a STMicroelectronics e a ASML recuaram entre 6,3% e 13,4%, à medida que aumentavam os temores de uma interrupção na cadeia de suprimentos global do setor.

As ações de montadoras, sensíveis às tarifas, caíram 2% e registraram o menor nível de fechamento em mais de um mês e meio.

Em LONDRES, o índice Financial Times recuou 0,51%, a 7.310 pontos.

Em FRANKFURT, o índice DAX caiu 1,61%, a 12.041 pontos.

Em PARIS, o índice CAC-40 perdeu 1,46%, a 5.358 pontos.

Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve desvalorização de 2,68%, a 20.539 pontos.

Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou baixa de 0,87%, a 9.199 pontos.

Em LISBOA, o índice PSI20 desvalorizou-se 0,38%, a 5.098 pontos.

EXCLUSIVO - Clientes no Ocidente congelam pagamentos à Rússia após petróleo contaminado

MOSCOU (Reuters) - Total e ENI pararam pagamentos a empresas russas que venderam a elas petróleo contaminado, dizendo que irão pagar apenas quando uma compensação for acertada, disseram fontes comerciais, ampliando uma disputa sobre o que as empresas dizem ser a maior interrupção à oferta russa de petróleo.

As petroleiras francesa e italiana disseram a seus fornecedores, incluindo as russas Rosneft e Surgut, que estarão prontas a realizar os pagamentos quando a extensão dos danos ficar clara e que pagarão pelo petróleo uma vez que a oferta sem contaminação for retomada, de acordo com as fontes.

"Por que alguém iria querer pagar por esse petróleo? Falando estritamente, isso não é petróleo, e ninguém na Rússia é capaz de explicar claramente quem irá compensar quem e quando", disse uma fonte comercial familiar com o tema.

O pagamento por milhões de barris de petróleo contaminado, que estão parados há semanas nos oleodutos, deveria ter acontecido em 15 de maio.

Em teoria, compradores ocidentais podem recusar pagar pelo petróleo que compraram sem saber que estava contaminado, uma vez que cada contrato para a venda de petróleo é acompanhado por um "passaporte" de qualidade que mostrará que o produto não estava dentro dos padrões.

As vendas pelo oleoduto de Druzhba, no entanto, são guiadas pela lei russa, que define que o pagamento deve ser feito e, se a qualidade não for suficiente, deve haver um pedido de compensação pelos danos, que pode então levar meses ou anos para ser processado.

"Nossa posição é clara. As companhias ocidentais devem pagar e então submeter seus pedidos de compensação por danos para que possamos endereçá-las depois", disse uma fonte comercial de uma petroleira russa.

Produtores russos já pagaram taxas, como impostos de exportação e de extração mineral para o governo russo pelo petróleo que venderam em abril, o que os coloca sob pressão para recuperar o dinheiro que esperavam receber dos compradores.

Total, ENI, Rosneft e Surgutneftegaz não responderam a pedidos de comentário.

A Bielorrússia estimou os volumes de petróleo contaminado em cerca de 9 milhões de barris, o que em circunstâncias normais valeria mais de 500 milhões de dólares aos preços atuais.

"Esta é provavelmente a maior ruptura no fornecimento de petróleo da Rússia em todos os tempos. O petróleo ao longo do (oleoduto de) Druzhba continuou a fluir durante a revolta da Primavera de Praga em 1969, e em 1991 quando a União Soviética entrou em colapso", disse uma segunda fonte comercial.

A única ruptura significativa anterior nas exportações da Rússia via Druzhba ocorreu no final da última década, quando Moscou suspendeu os embarques por três dias devido a uma disputa de preços com a Bielorrússia.

Fonte: Reuters

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