Economia brasileira encolhe 0,2% no 1º tri e tem primeira contração desde 2016

Publicado em 30/05/2019 18:25
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Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A economia brasileira iniciou 2019 com contração no primeiro trimestre, com fraqueza principalmente da indústria, da agropecuária e dos investimentos, na primeira queda trimestral desde o fim de 2016 e confirmando o quadro de dificuldades da economia do país e as preocupações com as perspectivas.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil teve recuo de 0,2% no primeiro trimestre na comparação com os últimos três meses de 2018, informou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Essa é a primeira contração trimestral desde os três últimos meses de 2016, em meio à profunda recessão de 2015-2016, da qual a economia ainda não conseguiu se recuperar. O país corre risco de sofrer nova recessão, aumentando a pressão sobre o presidente Jair Bolsonaro.

O economia também sofreu choques, com a produção industrial sofrendo abalo na esteira do rompimento de barragem da Vale em Brumadinho (MG), no fim de janeiro.

A atividade econômica havia terminado o ano passado com crescimento de 0,1% nos três meses entre outubro e dezembro na comparação com o trimestre anterior, encerrando o ano com expansão de 1,1%.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2018, o PIB apresentou alta de 0,5% este ano. Os resultados ficaram em linha com a mediana das expectativas em pesquisa da Reuters.

O início de 2019 tem sido marcado pelos esforços em torno da reforma da Previdência, considerada crucial para colocar as contas públicas em ordem. As incertezas em torno do processo, entretanto, com destaque para uma falta de confiança na articulação política, tem afetado a confiança de forma generalizada.

Apesar de a inflação e os juros terem permanecido em patamares baixos, a esperada retomada do consumo e da indústria não se concretizou da maneira esperada, em meio a um desemprego ainda elevado.

Os dados do IBGE mostram que, do lado da produção, a indústria e a agropecuária apresentaram recuos no primeiro trimestre sobre o período anterior.

O setor agrícola teve contração de 0,5%, primeiro resultado negativo desde terceiro trimestre de 2017. Já a indústria caiu 0,7%, depois de ter terminado o ano passado também em queda.

Somente os serviços cresceram, mas apenas 0,2%, no nono resultado positivo no azul.

Na ótica das despesas, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), uma medida de investimentos, teve forte queda de 1,7%, ainda que menos intensa do que o recuo de 2,4% visto no quarto trimestre de 2018.

Já os consumos das famílias e do governo aumentaram, 0,3% e 0,4% respectivamente.

 

Agência IBGE: PIB cai 0,2% no primeiro trimestre pressionado pela indústria extrativa

O Produto Interno Bruto (PIB) nacional teve queda de 0,2% no primeiro trimestre de 2019, frente ao quarto trimestre de 2018, na série com ajuste sazonal. Foi o primeiro resultado negativo nesse tipo de comparação desde o quarto trimestre de 2016 (-0,6%) e foi puxado, em grande parte, pelos recuos da indústria (-0,7%) e agropecuária (-0,5%). As informações, que fazem parte do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais, foram divulgadas hoje pelo IBGE.

A forte queda na indústria extrativa (-6,3%) teve um grande peso no resultado. “O incidente de Brumadinho e o consequente estado de alerta de outros sítios de mineração afetaram todo o setor”, explica a gerente de Contas Nacionais do IBGE, Claudia Dionísio.

 

 

As indústrias de transformação (-0,5%) e da construção (-2,0%) também afetaram os serviços, que variaram 0,2%. Dois grupos de atividades de peso no setor ficaram negativos: comércio (-0,1%) e transportes e armazenagem (-0,6%). “Essas atividades dependem em grande parte da produção industrial e refletem sua performance no trimestre, que foi negativa para todas as categorias econômicas”, comenta Claudia. Já outras atividades de serviços tiveram resultados positivos, como informação e comunicação (0,3%) e atividades financeiras (0,4%).

A agropecuária também teve variação negativa no período (-0,5%). Safras importantes no primeiro trimestre provocaram recuos na estimativa de produção anual, como soja (-4,4%) e arroz (-10,6%), enquanto que o milho e a pecuária bovina tiveram resultados positivos.

Consumo das famílias aumenta 1,3% em relação ao primeiro trimestre de 2018

Na comparação com o primeiro trimestre de 2018, pelo lado das despesas, todos os componentes da demanda interna tiveram crescimento. O consumo das famílias aumentou 1,3%, principalmente pela melhoria do crédito ao consumidor e da massa salarial no período. Também cresceram a Formação Bruta de Capital Fixo (0,9%) e as despesas de consumo do governo (0,1%). No setor externo, as exportações cresceram 1,0%, enquanto as importações caíram 2,5%.

Já na comparação com o quarto trimestre de 2018, a Formação Bruta de Capital Fixo (-1,7%) e as exportações (-1,9%) tiveram recuos no trimestre, enquanto foram registrados resultados positivos no consumo das famílias (0,3%), no consumo do governo (0,4%) e nas importações (0,5%).

“O consumo das famílias foi o pilar que sustentou o indicador no período. Poderia estar melhor, mas ainda temos uma taxa de desocupação alta e uma inflação que, mesmo controlada, ainda está num patamar mais alto”, conclui Claudia.

 

 

 

 

Fonte: Reuters + Agência IBGE

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