Trump culpa Irã por ataques a navios-tanque e temor de confronto cresce

Publicado em 14/06/2019 14:18 e atualizado em 14/06/2019 23:35
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DUBAI/WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, culpou o Irã nesta sexta-feira pelos ataques contra dois navios-tanque na entrada do Golfo Pérsico, apesar das negações do governo iraniano, aumentando o temor de um confronto na rota vital de transporte de petróleo.

Mais cedo o Irã refutou as acusações norte-americanas de que esteve por trás dos ataques de quinta-feira, que danificaram dois navios-tanque. O país já insinuou que poderia bloquear o Estreito de Hormuz, a principal rota do petróleo do Oriente Médio, se suas próprias exportações forem impedidas.

As explosões ocorreram após ataques semelhantes a quatro navios-tanque no mês passado, que Washington também atribuiu aos iranianos.

Eles coincidem com um momento de escalada na tensão entre os dois países. Em maio, os EUA endureceram as sanções econômicas contra o Irã, que em reação ameaçou acelerar suas atividades nucleares.

"Foi o Irã, e vocês sabem que foi porque viram o barco", disse Trump à Fox News.

Ele se referia a um vídeo divulgado na quinta-feira pelos militares dos EUA que Washington disse mostrar que a Guarda Revolucionária do Irã esteve por trás das explosões que atingiram o norueguês Front Altair e o japonês Kokuka Courageous no Golfo de Omã, na entrada do Golfo Pérsico.

O Irã disse que o vídeo não prova nada e que está sendo transformado em bode expiatório. "Estas acusações são alarmantes", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Abbas Mousavi.

Os dois países disseram não ter interesse em começar uma guerra, mas isso fez pouco para apaziguar os receios de que os dois arqui-inimigos acabem entrando em conflito.

Reino Unido culpa Irã por ataques a navios-tanques no Golfo de Omã

LONDRES (Reuters) - O Reino Unido culpou nesta sexta-feira o Irã e seu Corpo de Guardas da Revolução Islâmica pelos ataques a navios petroleiros no Golfo de Omã, afirmando que nenhum outro ator, estatal ou não, poderia ter sido o responsável.

O secretário de Relações Exteriores britânico, Jeremy Hunt, condenou os ataques, disse que eles violam as normas internacionais e pediu ao Irã que interrompa todas as formas de atividades desestabilizadoras.

"Esses últimos ataques criam um padrão de comportamento desestabilizador do Irã e representam um sério perigo à região", disse ele em comunicado.

Dois navios-tanques são atacados no Golfo do Omã
  • Ataque a petroleiros: EUA divulgam possível prova contra o Irã

Os Estados Unidos (EUA) divulgaram vídeo nessa quinta-feira (13) que mostra uma embarcação iraniana removendo suposta mina do petroleiro japonês Kokura Courageous, um dos dois que horas antes foram alvos de possível ataque no Golfo de Omã.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, tinha responsabilizado ontem Teerã pelo ataque ao navio japonês e ao norueguês Front Altair, ambos atingidos por explosivos.

"O governo dos Estados Unidos considera que esses ataques constituem ameaça clara à paz e segurança internacionais, um flagrante ataque à liberdade de navegação e uma campanha inaceitável de tensão em espiral pelo Irã”, disse Pompeo.

No mesmo dia, o Comando Central dos Estados Unidos, responsável pelas operações militares, divulgou o vídeo que mostra uma embarcação com vários homens removendo um objeto de um dos lados do petroleiro japonês, cerca de oito horas depois dos possíveis ataques.

Os EUA acreditam que essa embarcação é iraniana, que o objeto é uma mina que não chegou a explodir e que o objetivo dos tripulantes era recuperar provas do seu envolvimento no ataque contra os petroleiros.

De acordo com um funcionário do Comando Central, o vídeo foi obtido por uma aeronave militar norte-americana que sobrevoava o local. Na zona onde estava o petroleiro japonês encontrava-se também uma fragata de guerra e um drone norte-americanos, algo que não impediu a recuperação de provas.

Outro funcionário contou à CNN que pequenos barcos iranianos entraram na área onde a fragata de guerra USS Bainbridge se encontra, o que levou o Comando Central a deixar claro que “não será tolerada qualquer interferência com a USS Bainbridge ou sua missão”.

Irã rejeita acusações

Além do vídeo, o comando divulgou imagens dos tripulantes da USS Bainbridge ajudando os membros do Kokura Courageous após o ataque, que a Associação Internacional dos Proprietários Independentes de Petroleiros considera ter sido “bem planeado e coordenado”, com as minas colocadas “na linha da água, próximas dos motores”.

Os 44 tripulantes dos navios japonês e norueguês tiveram de ser resgatados pelas marinhas do Irã e dos Estados Unidos, não tendo sido registradas vítimas.

A Missão Permanente do Irã para as Nações Unidas rejeitou as acusações norte-americanas, considerando que elas “não têm fundamento” e garantindo que Teerã está preocupada com esses “incidentes suspeitos”.

O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, considerou suspeito que o ataque ao Kokura Courageous tenha ocorrido no momento em que o primeiro-ministro japonês se encontrava no Irã, numa tentativa de acalmar as tensões entre esse país e os Estados Unidos.

Tensão crescente

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antonio Guterres, manifestou-se contra os ataques. Ele disse que condena com veemência qualquer ataque contra embarcações civis. “É preciso apurar os fatos e as responsabilidades. Se há algo a que o mundo não pode se sujeitar é um confronto em larga escala na zona do Golfo”, frisou.

O ataque ocorre em um momento de tensão entre o Irã e os Estados Unidos, que atingiu o pico no início de maio, quando o governo Trump destacou um porta-aviões e bombardeiros para o Oriente Médio, de modo a “passar uma mensagem” ao Irã e impedir eventuais ataques por parte do país contra as forças norte-americanas na região.

Poucos dias depois, Teerã anunciou a retirada parcial do acordo nuclear que tinha assinado com seis países em 2015 e que os Estados Unidos já haviam abandonado no ano passado. O presidente iraniano, Hassan Rouhani, ameaçou retomar o enriquecimento de urânio.

Na semana seguinte, dois petroleiros sauditas sofreram danos, em ataque suspeito na costa dos Emirados Árabes Unidos.

Trump diz que ataques a petroleiros "têm a assinatura" do Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse hoje (14) que os ataques a dois petroleiros no mar de Omã, na quinta-feira, "têm a assinatura" do Irã, baseando-se num vídeo divulgado pelo Pentágono.

"Vemos um barco com uma mina que não explodiu e que tem a assinatura do Irã", afirmou Trump, numa declaração à estação televisiva Fox, referindo-se às imagens divulgadas pelo Pentágono.

Os EUA dizem que essas imagens mostram a Guarda Revolucionária iraniana removendo uma mina não  detonada de um dos petroleiros atacados no mar de Omã, sugerindo que Teerã estaria tentando retirar provas do seu envolvimento.

"Foi o Irã quem o fez (o ataque aos petroleiros)", concluiu Trump, apesar de o Irã já ter negado a responsabilidade pelo ataque.

Dois petroleiros, um norueguês e um japonês, foram na quinta-feira alvo de um ataque no mar de Omã, em pleno Golfo Pérsico, uma região já sob tensão por  conta da crise entre os Estados Unidos e o Irã.

Responsabilidade

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, acusou o Irã de ser "responsável" pelos ataques, mas o governo iraniano rejeitou a acusação e condenou os incidentes "com a maior veemência possível".

Na quinta-feira, Donald Trump usou a sua página pessoal na rede social Twitter para dizer que, perante o ataque no mar de Omã, era ainda "demasiado cedo" para procurar acordos com o Irã. "Eles não estão preparados e nós também não", disse.

O governo alemão pediu hoje uma investigação sobre os ataques "extraordinariamente preocupantes" no mar de Omã e a China apelou "ao diálogo".

A região do Médio Oriente tem vivido no último mês uma escalada das tensões entre os EUA e o Irã.

Dois navios-tanques são atacados no Golfo do Omã
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Dois navios-tanques são atacados no Golfo do Omã 13/06/2019 ISNA/via REUTERS

Fonte: Reuters / Agência Brasil

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