Por não abrir a "caixa preta", presidente do BNDES pede demissão

Publicado em 16/06/2019 06:08 e atualizado em 16/06/2019 16:29
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Desde a eleição Bolsonaro quer "abrir a caixa-preta do BNDES", e Levy vinha atrasando a decisão

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Lewy, pediu neste domingo (16) demissão do cargo. Em mensagem enviada ao ministro da Economia, Paulo Guedes, Lewy solicitou desligamento da presidência do banco e disse esperar que o ministro aceite.

"Solicitei ao ministro da Economia, Paulo Guedes, meu desligamento do BNDES.  Minha expectativa é que ele aceda. Agradeço ao ministro o convite para servir ao País e desejo sucesso nas reformas", disse.

Levy agradeceu ainda os funcionários do BNDES, "que têm colaborado com energia e seriedade para transformar o banco, possibilitando que ele responda plenamente aos novos desafios do financiamento do desenvolvimento, atendendo às muitas necessidades da nossa população e confirmando sua vocação e longa tradição de excelência e responsabilidade".

Ontem (15), Bolsonaro disse que Levy estava "com a cabeça a prêmio há algum tempo. Estou por aqui com o Levy”, afirmou o presidente em frente ao Palácio da Alvorada, pouco antes de embarcar para um evento no Rio Grande do Sul.

O motivo do descontentamento, afirmou Bolsonaro, foi a nomeação do advogado Marcos Barbosa Pinto para o cargo de diretor de Mercado de Capitais do BNDES, responsável pelos investimentos do BNDESPar, braço de participações acionárias do banco de fomento, que administra carteira superior a R$ 100 bilhões.

O presidente pediu que Levy demitisse o diretor. Para Bolsonaro, o nome não era de confiança, e “gente suspeita” não poderia ocupar cargo em seu governo.  Ainda na noite desse sábado, Barbosa Pinto entregou sua carta de renúncia ao cargo. Ele foi chefe de gabinete de Demian Fiocca na presidência do BNDES, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

O presidente Jair Bolsonaro dá posse, em cerimônia no Palácio do Planalto, aos presidentes dos bancos públicos. Assume no Banco do Brasil, Rubem Novaes; no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, e na Caixa

Joaquim Levy (primeiro à esquerda) tomou posse em janeiro, junto 

Joaquim Levy

O presidente do BNDES, Joaquim Levy Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Guedes também estava insatisfeito com Levy, conta Vera Magalhães

A interlocutores, Paulo Guedes atribui a “ansiedade” de Jair Bolsonaro com Joaquim Levy, que julga compreensível, ao fato de que o presidente considera que o economista não cumpriu a missão de “abrir a caixa preta” do BNDES. Guedes tem dito que o presidente pede a cabeça de Levy há meses (na verdade não concordava nem com sua nomeação), mas aguardou em consideração ao ministro da Economia.

Guedes optou por Levy, a despeito da contrariedade do presidente, porque julgava que ele tinha o perfil ideal para atrair investimentos enquanto a gestão atual “despedalava” o BNDES. Mas, enquanto Bolsonaro se incomodava com a dificuldade de Levy em destravar o passado (mantendo ou nomeando pessoas ligadas ao PT e resistindo a abrir a tal caixa preta), Guedes também estava insatisfeito com o futuro da instituição, diante do que considerava ritmo lento de projetos de privatizações e PPI e no plano de reestruturação financeira de Estados e municípios. / Vera Magalhães

O presidente Jair Bolsonaro dá posse, em cerimônia no Palácio do Planalto, aos presidentes dos bancos públicos. Assume no Banco do Brasil, Rubem Novaes; no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, e na CaixaMarcelo Camargo/Agência Brasil

(Para relembrar: Notícia do dia 6 deste mês; denuncia de propina (via BNDES) de 40 milhões de dólares...):

Lula, Palocci e Paulo Bernardo viram réus por suposta propina da Odebrecht

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega à sede da Polícia Federal em Curitiba
  • Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se réu mais uma vez nesta quinta-feira, juntamente com os ex-ministros Antonio Palocci e Paulo Bernardo, em um caso que envolveria o pagamento de propina pela Odebrecht em 2010.

A propina, de acordo com a denúncia do Ministério Público Federal aceita pelo juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, foi de 40 milhões de dólares 64 milhões de reais) e foi paga em troca de ampliação do limite da linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para exportação de bens e serviços do Brasil para Angola. A ampliação beneficiaria a Odebrecht.

Lula, Palocci e Bernardo responderão pelo crime de corrupção passiva. O ex-presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht também tornou-se réu na mesma ação penal, acusado de corrupção ativa.

O ex-presidente, preso em Curitiba desde abril do ano passado pelo caso do tríplex em Guarujá (SP), também já foi condenado em primeira instância na Justiça Federal do Paraná no caso que envolve o sítio em Atibaia (SP) e é réu em outros casos ainda.

Em nota, o advogado Cristiano Zanin Martins, que representa Lula, disse que o novo processo contra o petista demonstra que ele é alvo de perseguição jurídica para fins políticos.

"Lula jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem indevida antes, durante ou após exercer o cargo de presidente da República", disse Zanin.

"Lula sequer foi ouvido na fase de investigação, uma vez que claramente não tem qualquer relação com os fatos. Seu nome somente foi incluído na ação com base em mentirosa narrativa apresentada pelo delator que recebeu generosos benefícios para acusar Lula."

Também em nota, a advogada Verônica Sterman, que representa Paulo Bernardo, negou as acusações contra o ex-ministro.

"A defesa de Paulo Bernardo nega veementemente a participação de seu cliente nos fatos e informa que demonstrará sua inocência ao longo da ação penal", afirmou.

O advogado Tracy Reinaldet, responsável pela defesa de Palocci, disse que o ex-ministro irá colaborar com a Justiça.

"Antônio Palocci irá colaborar com a Justiça para o amplo esclarecimento dos fatos que são objeto da denúncia", afirma a nota.

A Odebrecht, por sua vez, se limitou a dizer que Marcelo Odebrecht não está mais na companhia.

Bolsonaro é recebido por multidão em evento militar no Rio Grande do Sul:

Em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, o presidente Jair Bolsonaro participou da Festa Nacional da Artilharia, que acontece sempre em junho para lembrar o nascimento do Marechal Emílio Luiz Mallet, patrono da arma de artilharia do exército brasileiro e considerado herói durante a Guerra do Paraguai, em 1866. Esta é a primeira visita de Bolsonaro ao Rio Grande do Sul depois da posse como presidente.

Fonte: Agencia Brasil/Reuters

2 comentários

  • Vilson Ambrozi Chapadinha - MA

    O problema que pega no BNDES é justamente no setor que este ADV demitido atuava. O cara que tivesse um político amigo montava um projeto , deixava uma comissão gorda via empresa projetista, e o BNDES virava sócio.

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    • CARLO MELONISAO PAULO - SP

      Senhores pensem comigo :: Como posso pedir a uma pessoa para abrir a caixa preta do BNDES se ele tempo atras trabalhou la dentro ???

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Isso está absolutamente correto, se o sujeito não se alia à agenda conservadora, e pior, trabalha contra ela, é olho da rua e fim de papo... A lei exige transparência e publicidade nos financiamentos do BNDES, e realmente deve haver muita coisa errada lá dentro para esse pessoal relutar desse jeito para tornar públicos os financiamentos... Vai aparecer muita coisa, Bolsonaro prometeu e vai cumprir, isso é muito bom.

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