O que mostram as novas mensagens roubadas à Lava Jato... Anular tudo? (O Antagonista)

Publicado em 23/06/2019 18:35 e atualizado em 23/06/2019 19:23
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“O sr., então, quer que se anule tudo?”, disse Moro, respondendo ao senador Fabiano Contarato (Rede-ES) em depoimento ao Congresso. Esse e outros detalhes sobre as divulgações de escutas pelo site The Intercept, e publicadas na Folha. Abaixo uma coletânea de posts de O Antagonista, mais artigo de Eliane Cantanhêde, ("xeque-mate") publicado hoje, domingo, em O Estado de S. Paulo

O novo lote de mensagens roubadas à Lava Jato mostra que:

1) Sergio Moro e Deltan Dallagnol tentaram conter o vazamento para a imprensa de uma lista (possivelmente apócrifa) de políticos suspeitos de receber propina da Odebrecht;

2) Eles temiam uma manobra do STF para tirar a Lava Jato de Curitiba e engavetar os inquéritos em Brasília, por causa do foro privilegiado;

3) Nem o juiz, nem o procurador interferiram no trabalho da PF;

4) Sergio Moro contava com Teori Zavascki para impedir o golpe;

5) Nenhuma ilegalidade foi cometida.

MBL: “Os bandidos presos pela Lava Jato estão loucos para deslegitimá-la” (O Antagonista)

O MBL se manifestou neste domingo em apoio a Sergio Moro e à Lava Jato.

No Twitter, o movimento afirmou que as mensagens vazadas tentam “enfraquecer” as manifestações do dia 30 e “dividir a direita”.

“Dia 30 tá chegando e vamos às ruas defender o andamento da operação Lava Jato e o fim da impunidade no país. Os bandidos presos pela Operação estão loucos para deslegitimá-la e não vamos deixá-los.”

Lava Jato tenta evitar saída de inquérito de Palocci de Curitiba

A força-tarefa da Lava Jato solicitou ao juiz Luiz Antonio Bonat, da 13ª Vara Federal no Paraná, que mantenha sob sua tutela um inquérito ligado a Antonio Palocci, publica o Estadão.

A defesa de Lula queria que a investigação fosse remetida, na ordem, à Justiça Eleitoral ou à Estadual ou à Federal de Brasília ou de São Paulo.

O inquérito, aberto em 2015, apura “movimentações financeiras suspeitas da empresa Projeto Consultoria”, ligada ao ex-ministro.

Foi a partir deste inquérito que a Procuradoria da República ofereceu a denúncia no caso do pagamento de propina da Odebrecht a Lula na forma da futura sede do Instituto Lula e do apartamento em São Bernardo do Campo.

Janaina: “As conversas evidenciam o firme desejo de responsabilizar culpados, nada além disso”

Janaina Paschoal comentou no Twitter sobre as conversas vazadas entre Deltan Dallagnol e Sergio Moro:

“Um fato é incontestável: nenhum dos diálogos, por enquanto, sugere falsificação de provas ou acusações. As conversas evidenciam o firme desejo de responsabilizar culpados, nada além disso.”

“O fato de ter sido repassado para terceiro não muda a origem criminosa”

Carlos Fernando dos Santos Lima comentou a reportagem da Folha de S. Paulo, baseada em material criminoso, roubado à Lava Jato:

“A Folha de São Paulo erra ao publicar material apócrifo e de origem criminosa. O primeiro de seus erros foi dizer que A Interceptadora recebeu de fonte anônima, enquanto está claro que este site conhece e protege a Fonte. Assim, nenhum jornal sério iria trabalhar no material sem que a fonte fosse compartilhada.

Além disso, ‘atestar’ a integridade do material com o argumento de que as mensagens de seus jornalistas ali estavam é no mínimo ingênua, pois não há dúvida da existência de um crime de hackeamento e que potencialmente parte do material tenha essa origem.

O fato de ter sido repassado para terceiro não muda a origem criminosa, nem a dúvida sobre a integridade dos fatos ou sequer o claro interesse de desestabilizar Moro e soltar Lula.”

A Lava Jato só perseguiu criminosos (O Antagonista)

Aqueles que sempre acusaram a Lava Jato de ter criminalizado a política precisam pedir desculpas a Sergio Moro e aos procuradores.

As mensagens roubadas a Deltan Dallagnol e repassadas à Folha de S. Paulo mostram a contrariedade da Lava Jato com o vazamento de uma lista apócrifa da Odebrecht, que insinuava o pagamento de propinas a dezenas de políticos que não haviam sido delatados ou investigados.

A Lava Jato nunca perseguiu políticos – ela só perseguiu criminosos.(O Antagonista)

Kataguiri: “Trata-se de um ataque desesperado de uma esquerda radical”

No Twitter, Kim Kataguiri comentou sobre a última leva de mensagens roubadas do celular de Deltan Dallagnol publicada pela Folha neste domingo.

Nas supostas conversas vazadas, o MBL teria sido alvo de críticas de Sergio Moro por um protesto em Porto Alegre em 2016.

“A tentativa de jogar MBL contra Moro nas vésperas das manifestações do dia 30 mostra com muita clareza que esses vazamentos ilegais não têm o objetivo de apontar irregularidades na Lava Jato”, disse o deputado.

“Trata-se de um ataque desesperado de uma esquerda radical, criminosa e moribunda.”

Como registramos mais cedo, Moro afirmou que a divulgação das supostas mensagens tem “o intuito único de gerar animosidade com movimento político que sempre respeitou”.

O crime de quebra de sigilo de fonte está em andamento

Se a Folha teve acesso ao inteiro material roubado da Lava Jato, há um crime em andamento: a quebra de sigilo de fonte de todos os jornalistas que fizeram contato com procuradores da operação.

O sigilo de fonte jornalística, garantido pela Constituição, já havia sido quebrado quando o hacker passou as mensagens ao site do seu cúmplice. Agora, no entanto, o fato se torna mais grave com a possibilidade de um jornal como a Folha estar na posse de eventuais conversas de jornalistas de publicações concorrentes com procuradores da Lava Jato.

Mesmo que não as divulgue, o jornal já teria conhecimento dessas conversas. Nesse caso, a quebra de sigilo estaria configurada.

Nunca se viu algo assim.

Moro: “A montanha pariu um rato”

No mesmo dia em que a Folha publicou as mensagens roubadas à Lava Jato, Sergio Moro disse o seguinte no Twitter:

“Um pouco de cultura. Do latim, direto de Horácio, parturiunt montes, nascetur ridiculus mus.” Traduzindo: “A montanha pariu um rato.”

Xeque-mate, por ELIANE CANTANHEDE (no ESTADÃO)

Em depoimento ao Congresso, Sergio Moro deu a volta por cima sobre os diálogos vazados com uma dúvida que percorre os meios jurídicos e políticos e aflige a sociedade: É para anular tudo? Soltar todos? (no ESTADÃO)

Ao responder ao senador Fabiano Contarato (Rede-ES) no depoimento ao Congresso, o ministro Sérgio Moro deu um xeque-mate não só na oposição e no Congresso, mas no Supremo, que julgará nesta terça-feira o pedido de suspeição de Moro e a consequente anulação de todo o processo que levou o ex-presidente Lula à prisão.

Delegado e professor de Direito, Contarato foi implacável ao citar a Constituição, o Código Penal e a Lei da Magistratura, enfatizou a imparcialidade de juízes como essência da democracia e condenou diálogos que Moro teria tido com procuradores: “Se eu, como delegado, fizesse contato com as partes de um inquérito, sairia preso da minha delegacia”.

Os questionamentos, pertinentes, geraram um momento de tensão, mas Moro deu a volta por cima com uma dúvida que percorre os meios jurídicos e políticos e aflige a sociedade: “O sr., então, quer que se anule tudo?”

O próprio Moro destrinchou o que seria esse “tudo”: anular todos os processos de governadores, parlamentares, empreiteiros, altos funcionários e doleiros condenados pela Lava Jato? Até dos pivôs Renato Duque e Paulo Roberto Costa? E devolver todo o dinheiro recuperado, algo próximo de R$ 3 bilhões, para esses condenados e para as empresas?

Xeque-mate, porque é disso que se trata nesse jogo de acusações entre os que condenam Moro pelos diálogos e os que podem até achar que não foram bonitos e corretos, mas nem por isso destroem as provas e o processo de julgamento por tribunais de segundo grau e, no caso do ex-presidente Lula, até pelo Superior Tribunal de Justiça, o STJ. O efeito, inclusive político, da anulação de “tudo” seria devastador.

O alerta de Moro vale para o Supremo, mais precisamente para a Segunda Turma, que se reúne na próxima terça-feira, pela primeira vez sob a presidência da ministra Cármen Lúcia, para tratar desse “tudo”. É nessas horas que eu não gostaria de estar na pele desses ministros, sofrendo enorme pressão de fora, de dentro e, em alguns casos, da própria alma, ou coração.

O pedido de suspeição de Moro, feito pela defesa de Lula em 2018, ganhou força e impacto com a revelação dos diálogos captados do celular do procurador Deltan Dallagnol. A PGR já se manifestou contra a suspeição de Moro e a anulação do processo, até porque há dúvidas sobre a veracidade integral e a abrangência dos diálogos. Mas a situação continua muito complexa.

Em votação anterior, Cármen Lúcia e Edson Fachin já se manifestaram contra a petição, mantendo as decisões de Moro e a condenação de Lula. Eles, entretanto, podem mudar o voto até a publicação do acórdão com a conclusão do julgamento e teriam, em tese, como alegar que surgiram “fatos novos”, ou seja, as revelações do site.

Logo, o julgamento recomeça, na prática, do zero a zero, sem comportar uma saída estratégica e um alívio para os cinco ministros: empurrar o abacaxi para o plenário. Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski já tentaram isso antes e perderam. Não há como retomar a discussão.

Como o decano Celso de Mello é um “garantista” empedernido, a aposta seria de três votos a favor da anulação e dois contra. Só que decisões do STF jamais são simples assim, como uma continha aritmética. Anular “tudo” seria o fim do mundo, uma convulsão. Qual a aposta? Ou uma alternativa de meio termo, menos dramática que esse “tudo”, ou empurrar com a barriga.

PS: Aliás, investigadores acham que Lula e o PT, os beneficiados mais diretos dos diálogos de Moro, não foram os responsáveis pela invasão das contas de autoridades, que é crime. As suspeitas recaem sobre os próximos da fila da Lava Jato. Têm muito dinheiro e poder e não são partidos nem políticos. A ver.

CPI vê falhas do BNDES em operações no exterior

Financiamentos de obras em Cuba e Venezuela durante os governos do PT teriam sido feitos sem critérios de risco e auditoria sobre aplicação do dinheiro (por Adriana Fernandes e Renato Onofre, O Estado de S. Paulo)

BRASÍLIA - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara criada para investigar empréstimos do BNDES no exterior já reuniu, em três meses de funcionamento, informações que apontam para falhas do banco no financiamento de obras na Venezuela, em Cuba, em Moçambique e em outros países durante os governos do PT.

Documentos obtidos pelo Estado mostram que entre os principais pontos levantados até agora estão ausência de critérios para rebaixamento de risco antes de conceder o crédito e a falta de auditoria fora do País para fiscalizar a aplicação do dinheiro. (Leia mais no ESTADÃO).

O banco sempre negou ter falhado ao conceder os empréstimos, parte de estratégia das gestões dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff para incentivar a internacionalização de empresas brasileiras. Adversários, porém, apontam motivações políticas nas operações, que beneficiaram empreiteiras alvo da Lava Jato. 

Fonte: O Antagonista/ESTADÃO

3 comentários

  • Sebastião Ferreira Santos Fátima do Sul - MS

    Esses bandidos que estão por trás dessas armações agindo contra a Lava Jato, já deveriam estar junto ao chefe maior em Curitiba. Esse barulho todo que a imprensa comunista brasileira está fazendo é pensando em dar a volta por cima para retornar ao poder. A podridão na imprensa brasileira começa pela Rede Globo e passa por DataFolha, Folha de São Paulo, Yahoo e órgãos de pesquisa como IBOPE e outros mais. Acho que nós, brasileiros, temos que ir às ruas pedir à esses crápulas que parem de falar bobagem e deixem o governo trabalhar. Os presidentes da Câmara e Senado também deveram ser alertados de que estamos de olho nas falcatruas que estão armando para atrapalhar o governo agindo em beneficio próprio.

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  • Duite Mara Terezinha Borges Itumbiara - GO

    Matéria com esse título nem deveria constar no Notícias Agrícolas. O sonho de todo cidadão honesto é que em sua própria cidade tenha Polícia, Mínistério Público e Juiz falando a mesma língua, no intuito de salvar a cidade, o país, o seu povo da corrupção. Vêm, agora, invasores de conversa privada, querendo inverter os valores de pessoas do bem. Cadeia aos corruptos. Parabéns a todos da Lavajato. NÓS, PRODUTORES RURAIS SOMOS TODOS SÉRGIO MORO E LAVA-JATO.

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  • Fernando Nunes Castoldo Londrina - PR

    Sem a Lava Jato seriamos uma Venezuela

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