Trump diz que vai trabalhar para ter um acordo de livre comércio com o Brasil

Publicado em 30/07/2019 10:51 e atualizado em 31/07/2019 07:10
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Brasil tem objetivo ambicioso em negociações com EUA, diz secretário de Comércio Exterior

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WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ontem que sua administração vai buscar um acordo comercial com o Brasil, abrindo portas para uma possível solução de disputas comerciais anteriores entre os dois países.

"Vamos trabalhar em um acordo de livre comércio com o Brasil", disse Trump a repórteres na Casa Branca sem dar mais detalhes.

O governo Trump impôs tarifas sobre o aço e o alumínio ao Brasil e a outros países no ano passado, ao tentar fortalecer a indústria de metais dos EUA em meio à sua agenda "América Primeiro".

Desde então, o presidente Jair Bolsonaro venceu as eleições presidenciais com uma vitória muitas vezes comparada a de Trump, com sua política conservadora e populista, e já visitou a Casa Branca.

"O Brasil é um grande parceiro comercial. Eles nos cobram um monte de tarifas, mas, fora isso, nós amamos o relacionamento", disse Trump a repórteres nesta terça-feira, quando também elogiou Bolsonaro.

O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, está no Brasil - ele se reúne amanhã com o secretário de Comercio Exterior, Marcos Troyjo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente Jair Bolsonaro. É a primeira visita de um secretário de comércio dos EUA ao Brasil desde 2011. 

Trump elogia indicação de Eduardo Bolsonaro para embaixada (em O Antagonista)

A repórter Raquel Krähenbühl, da GloboNews, perguntou a Donald Trump o que ele achava de Jair Bolsonaro ter indicado o filho Eduardo para ser embaixador do Brasil em Washington.

O presidente dos EUA deu a entender que não sabia da indicação, mas a elogiou: “grande escolha”. Afirmou que conhecia Eduardo e que, provavelmente, havia sido por isso que Bolsonaro o indicou.

Questionado sobre nepotismo, Trump disse achar que não era o caso e acrescentou que o deputado federal ajudara muito seu pai na campanha.

Já segundo o Estadão, Trump ainda elogiu o presidente Jair Bolsonaro e sua família. "Bolsonaro é um homem fantástico com uma família maravilhosa", disse o chefe do Executivo americano. 

O secretário de comércio americano, Wilbur Ross, que está no Brasil, afirmou nesta terça-feira, 30, durante evento da Amcham (Câmara Americana de Comércio) que o presidente americano, Donald Trump, está comprometido em reduzir barreiras entre os dois países e expandir relações econômicas e laços comerciais, especialmente nas áreas de energia, infraestrutura, agricultura e tecnologia.

-- “O presidente Trump está comprometido com uma relação forte e dinâmica com o Brasil”, disse.

Ele lembrou que a relação de apoio entre Estados Unidos e Brasil é longa, citando o reconhecimento da independência brasileira pelos EUA. E destacou que essa “longa relação está mais forte do que nunca”. Segundo ele, além do comércio, o país apoia o Brasil no fortalecimento da democracia na região. 

Ross pontuou ainda que, com o avanço das recentes reformas, os EUA estão “fortemente comprometidos” em apoiar a entrada do Brasil na OCDE.

Elogio de Trump reforça confiança em nosso governo, diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro disse ontem (30) que o elogio do presidente norte-americano, Donald Trump, à indicação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para embaixador do Brasil nos Estados Unidos demonstra confiança no governo. Para o presidente brasileiro, essa indicação vai fortalecer laços comerciais entre os dois países. 

"Demonstra a confiança que ele [Trump] tem no governo e também a confiança que ele tem no meu filho, que é amigo de familIaires dele. Temos certeza que, caso o Senado aprove essa ida para lá, os nossos laços comerciais serão fortalecidos. O Senado vai decidir, tenho certeza que o Senado vai aprovar", disse Bolsonaro a jornalistas logo após participar da cerimônia de assinatura das novas normas de saúde e segurança no trabalho, no Palácio do Planalto. 

Mais cedo, durante entrevista com jornalistas na Casa Branca, em Washington, Trump respondeu a uma pergunta de um jornalista da Globo News sobre a possível indicação de Eduardo Bolsonaro para o cargo. 

"Eu conheço o filho dele, acho o filho dele excepcional. É um jovem homem brilhante e maravilhoso. Fico muito feliz que ele o tenha indicado. Acho que é uma ótima indicação. Conheço o filho dele e é provavelmente por isso que ele o indicou", disse o líder norte-americano.

Trump também foi questionado se considerava a indicação como nepotismo, por se tratar do filho do presidente brasileiro, mas ele refutou a tese e voltou a elogiar o deputado federal. O presidente dos EUA também demonstrou que desconhecia a indicação de Eduardo Bolsonaro como embaixador, que ainda não foi formalizada. 

"Não acho que seja nepotismo, porque o filho dele o ajudou muito na campanha. Acho que é uma grande indicação, eu não sabia disso", acrescentou.

Acordo de livre comércio

Donald Trump também falou da intenção de firmar um acordo de livre comércio entre Brasil e Estados Unidos.  "O Brasil é um grande parceiro comercial. Eles nos cobram muitas tarifas, mas, fora isso, amamos a relação", disse norte-americano. Ele ainda classificou o presidente Jair Bolsonaro como "um homem maravilhoso" e elogiou a gestão do presidente brasileiro. 

"Eu tenho uma ótima relação com o Brasil. Eu tenho uma relação fantástica com o seu presidente. Ele é um grande cavalheiro, ele esteve aqui. Eles dizem que ele é o Trump do Brasil, eu gosto disso, é um elogio. E a propósito, acho que ele está fazendo um grande trabalho. Ele é um homem maravilhoso com uma família maravilhosa", disse.  

O presidente divulgou na noite desta terça-feira em seu Twitter pessoal a fala de Trump sobre a indicação de Eduardo Bolsonaro, seu governo e sobre a intenção de firmar um acordo de livre comércio entre o Brasil e os Estados Unidos.

Brasil tem objetivo ambicioso no acordo de livre comércio com EUA, diz secretário Marcos Troyjo

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Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil tem um objetivo ambicioso na sua relação com os Estados Unidos, afirmou nesta terça-feira o secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, ressaltando que o país quer avançar tanto em acordo envolvendo tarifas como em temas não tarifários.

Após o encontro que será realizado nesta quarta-feira entre autoridades do governo Jair Bolsonaro e o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, em Brasília, a equipe econômica quer estabelecer marcos temporais para o que será possível fazer nos próximos seis meses em áreas como infraestrutura, investimento e facilitação de negócios, disse Troyjo, em entrevista à Reuters.

"Acho que vai sair dessas conversas um cronograma conjunto para examinar essas coisas todas", disse.

"Principal interesse do Brasil é a expansão e melhoria do seu intercâmbio econômico e comercial com os EUA. São as duas maiores democracias do Ocidente, mas têm comércio bilateral muito aquém do seu potencial."

Mais cedo, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que sua administração vai buscar um acordo de livre comércio com o Brasil.

"O Brasil é um grande parceiro comercial. Eles nos cobram um monte de tarifas, mas, fora isso, nós amamos o relacionamento", disse Trump a repórteres nesta terça, quando também elogiou Bolsonaro.

O secretário lembrou que, pelo fato de o país integrar o Mercosul --uma união aduaneira--, uma discussão sobre acordo comercial envolvendo tarifas tem que ser feita entre o bloco e os EUA.

Mas ele chamou a atenção para a "conexão e coincidência de propósitos" hoje existente entre Bolsonaro, Trump e o presidente da Argentina, Mauricio Macri.

"Essas boas relações entre o presidente Bolsonaro e o presidente Macri foram fundamentais pra gente concluir o acordo com a União Europeia", disse ele, a respeito do acordo de livre comércio que foi fechado pelo Mercosul no fim de junho após negociações iniciadas há 20 anos.

"Os três presidentes --Bolsonaro, Macri e Trump-- querem também melhorar as relações econômicas e comerciais entre o Mercosul e os Estados Unidos. Então a gente tem essa conjuntura que é muito favorável", completou.

Colaborando para o que vê como janela de oportunidade, Troyjo destacou a vigência de uma espécie de aval conferido pelo Congresso norte-americano à Casa Branca para que o presidente dos EUA possa negociar acordos comerciais envolvendo tarifas que não sejam bilaterais. A chamada Trade Promotion Authority (TPA) vai até junho de 2021.

"O bacana de você ter um objetivo ambicioso é que seu objetivo é tão maior que você consegue resolver (no caminho) questões supostamente mais específicas", frisou Troyjo.

"Vistos para homens de negócios, acordos de bitributação, comércio eletrõnico, comércio de bens digitais -- tudo isso você consegue avançar mais se você tem esse objetivo maior adiante", finalizou ele, a respeito dos temas que estão no radar do governo.

PENDÊNCIAS COMERCIAIS

Em fevereiro, antes da visita de Bolsonaro aos EUA, a administração Trump pediu ao Brasil a suspensão de uma tarifa de 20% aplicada às importações de etanol que superem 150 milhões de litros por trimestre.

Em contrapartida, a indústria de açúcar brasileira pediu a liberação de tarifas de importação estipuladas por Washington. O Brasil conta apenas com uma pequena cota de açúcar para exportação aos EUA com taxa mais baixa.

Em meio a irregularidades no setor frigorífico brasileiro identificadas pelos norte-americanos, os EUA suspenderam as importações de carne in natura do país, em 2017.

Na viagem do presidente Bolsonaro a Washington, em março, havia a expectativa de que as exportações de carne in natura do Brasil para os EUA pudessem ser retomadas, o que acabou não acontecendo.

Em meio às negociações, um acordo entre EUA e Brasil foi firmado para o estabelecimento de uma cota sem tarifa de importação de trigo produzido fora do Mercosul, algo que ainda não foi regulamentado.

(Edição de Isabel Versiani)

Fonte: Reuters

3 comentários

  • Leandro Conche Nova Mutum - MT

    A esquerda pira o cabeção kkkk

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  • JAC.SEMENTES Bom Jesus - SC

    Vou demitir bolsonaro nao to pagando um funcionario para se aliar com os americanos.

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    • Arlindo Pontremolez Varalta Ibirarema - SP

      JAC SEMENTES , vc so pode estar de piada!!

      Ao nao fazer acordos comerciais com os EUA , podemos fazer com a Venezuela, o Equuador, a Bolivia , os paises Africanos, etc etc.

      Vc pode escolher!!

      Grande Abraço

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  • Renato Luiz Hannisch Santa Maria - RS

    Eu arriscaria um palpite sobre o assunto principal dessa reunião Brasil x EUA: "por quanto tempo vamos dar nossa produção de comodityes quase de graça para a China?"

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    • Arlindo Pontremolez Varalta Ibirarema - SP

      Estimado Renato, parece que a culpa toda é dos EUA.!!!

      Com acordo ou sem acordo com a China , existe excesso de soja no mundo !!

      Sou produtor de soja e faz tres anos que estamos falando que os precos iam cair e todos faziam piadinhas!!

      Esta aí o resultado!!!

      Commodities se regem por oferta e demanda mundial!!

      Temos soja sobrando, basicamente um só comprador de grandes volumes, resumo do silogismo: ... precos baixinhos !!

      O problema comercial dos EUA com a China é só uma parte do problema !!

      O grande problema é que estamos produzindo tanta soja que é impossivel, nesse momento da economia mundial, consumir-la toda!!

      Os precos vao estar assim baixinhos por longos anos , a nao ser que aconteca uma catastrofe de colheita!!

      Só nao vê quem nao quer!! e os que nao querem ver vao amargar, jogando a culpa dos precos baixos nos outros !! quando a culpa é nossa que gastamos cada vez mais para produzir mais e vender por precos menores a cada ano!!

      E os chineses ....???? felizes da vida!!

      Grande Abraco

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