China deixa yuan romper marca de 7 por dólar pela 1ª vez na década

Publicado em 05/08/2019 07:53 e atualizado em 05/08/2019 09:58
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China deixa yuan romper marca de 7 por dólar pela 1ª vez na década com escalada em tensão comercial

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Por Andrew Galbraith e Winni Zhou

XANGAI (Reuters) - A China deixou o yuan romper o nível de 7 por dólar nesta segunda-feira pela primeira vez em mais de uma década, num sinal de que o país está disposto a tolerar mais fraqueza no câmbio, o que poderia inflamar ainda mais um conflito comercial com os Estados Unidos.

A forte queda de 1,4% no yuan vem dias depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, surpreender os mercados financeiros ao prometer impor tarifas de 10% sobre 300 bilhões de dólares restantes das importações chinesas a partir de 1º de setembro, quebrando abruptamente um breve cessar-fogo na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Alguns analistas disseram que o movimento do yuan poderia desencadear uma nova frente perigosa nas hostilidades comerciais --uma guerra cambial.

O banco central da China (PBoC, na sigla em inglês) forneceu o ímpeto inicial para os vendedores de yuan ao estabelecer uma taxa diária para a moeda em seu nível mais fraco em oito meses.

O economista sênior para a China da Capital Economics, Julian Evans-Pritchard, disse que o PBoC provavelmente impediu uma desvalorização mais forte do yuan a fim de evitar um colapso total das negociações comerciais com os Estados Unidos.

"(Mas) O fato de que eles pararam de defender o nível de 7,00 (yuans) por dólar sugere que abandonaram as esperanças de um acordo comercial com os EUA", disse o economista.

O PBoC deu poucas pistas sobre suas intenções.

Em comunicado divulgado na segunda-feira, o banco central vinculou a fraqueza do yuan às consequências da guerra comercial, mas disse que isso não mudaria sua política cambial e que flutuações no valor do yuan são normais.

O banco central definiu o ponto médio diário do yuan em 6,9225 por dólar antes de o mercado abrir, seu nível mais fraco desde 3 de dezembro de 2018.

O yuan "onshore" terminou a sessão doméstica em 7,0352 por dólar, nível mais fraco desde março de 2008. Esta segunda-feira marcou a primeira vez que o yuan rompeu o nível de 7 por dólar desde 9 de maio de 2008.

China nega acusação de Trump e diz honrar compromissos de compra de produtos agrícolas

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Por Hallie Gu e Tom Daly

PEQUIM (Reuters) - A China está honrando suas promessas de comprar produtos agrícolas dos Estados Unidos, disse a mídia estatal do país, citando o órgão de planejamento estatal chinês e rejeitando a acusação do presidente dos EUA, Donald Trump, de que o gigante asiático não estava cumprindo a promessa de comprar grandes quantidades de produtos do setor.

Trump disse na quinta-feira que Pequim não cumpriu a promessa de comprar grandes volumes de produtos agrícolas norte-americanos e prometeu impor novas tarifas sobre cerca de 300 bilhões de dólares em produtos chineses, encerrando de forma bruta uma recente trégua comercial entre os dois países.

As acusações dos EUA de que a China não comprou produtos agrícolas dos EUA foram "sem fundamento", disse a emissora estatal CCTV nesta segunda-feira, citando uma autoridade da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China.

A China comprou 130 mil toneladas de soja, 120 mil toneladas de sorgo, 60 mil toneladas de trigo, 40 mil toneladas de carne suína e produtos e 25 mil toneladas de algodão dos EUA entre 19 de julho e 2 de agosto, disse a autoridade.

As empresas chinesas pediram isenções tarifárias sobre essas compras, segundo a notícia.

A China ofereceu uma pausa nas tarifas sobre produtos agrícolas dos EUA a alguns importadores em outro gesto de boa vontade para os EUA durante a trégua comercial de curta duração.

A China também está honrando os acordos assinados anteriormente para importar soja dos EUA, disse a autoridade, observando que 2,27 milhões de toneladas de soja dos EUA foram carregadas e enviadas para a China em julho, desde que Trump encontrou o presidente chinês, Xi Jinping, em Osaka, na cúpula do G20, no final de julho.

Dois milhões de toneladas de soja dos EUA destinados à China serão carregados em agosto, seguidos por outras 300 mil toneladas em setembro.

No entanto, os números citados não mostram os planos da China para compras futuras, particularmente diante das últimas ameaças de Trump. Citando fontes anônimas, a Bloomberg informou nesta segunda-feira que a China pediu às empresas estatais para suspender as importações agrícolas dos EUA.

No Estadão: Novas tarifas contra China foram decisão de última hora

O anúncio feito pelo presidente dos EUA, Donald Trump, relativo a novas tarifas para produtos chineses, na última quinta-feira, teve origem em uma negociação frustrada entre Washington e Pequim na semana passada. Segundo reportou o jornal The Wall Street Journal, Trump acredita que a China está apostando em uma eventual vitória democrata em 2020 para voltar à mesa de negociação com os EUA de forma mais amigável. 

As negociações comerciais em Xangai, na semana passada, foram breves e improdutivas. O representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, ficaram na China por pouco mais de 24 horas. Nenhuma das equipes foi acompanhada por grandes grupos de colaboradores, necessários para discussões detalhadas. As conversas envolveram menos de dez pessoas, incluindo intérpretes.

Leia a notícia na íntegra no site do Estadão

Dólar salta a R$3,93, nas máximas desde junho, com tensão externa e queda do iuan

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SÃO PAULO (Reuters) - O dólar disparava ante o real nos primeiros negócios desta segunda-feira, superando a barreira de 3,93 reais, na esteira da forte aversão a risco nos mercados externos depois que o iuan rompeu a marca de 7 por dólar diante do recrudescimento de tensões comerciais entre China e Estados Unidos.

Às 9:14, o dólar avançava 0,70%, a 3,9186 reais na venda.

Na máxima, a cotação foi a 3,9326 reais na venda, em alta de 1,06%, no maior patamar desde o começo de junho.

Na B3, o dólar futuro de maior liquidez subia 0,85%, a 3,9270 reais.

A pressão se estendia aos juros futuros de longo prazo, mais correlacionados ao ambiente internacional. O DI janeiro/2025 subia a 6,97% ao ano, de 6,91% na sexta-feira.

(Por José de Castro)

Fonte: Reuters + Estadão

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