Ibovespa sobe apoiado em alívio na guerra comercial EUA-China

Publicado em 13/08/2019 17:32 e atualizado em 13/08/2019 23:09
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SÃO PAULO (Reuters) - A bolsa paulista se recuperou parcialmente da queda da véspera, apoiada por notícias positivas sobre a disputa comercial entre Estados Unidos e China, em sessão também marcada por uma bateria de resultados corporativos domésticos.

O Ibovespa subiu 1,36%, a 103.299,47 pontos. O volume financeiro do pregão somou 18,2 bilhões de reais. O pregão desta terça-feira também foi marcado por ajuste antes do vencimento dos contratos de opções do Ibovespa e do índice futuro na quarta-feira.

O governo norte-americano prometeu adiar a aplicação de tarifas de 10% sobre alguns produtos chineses, incluindo laptops e celulares, prevista para entrar em vigor em setembro, o que animou os mercados acionários globais.

"Estamos fazendo isso para a temporada de Natal" para evitar qualquer impacto adverso sobre os compradores dos EUA, disse o presidente norte-americano, Donald Trump, a jornalistas.

Em paralelo, o Ministério do Comércio chinês disse que o vice-primeiro-ministro da China, Liu He, falou por telefone com autoridades comerciais dos Estados Unidos, e que novas negociações ocorrerão em duas semanas.

Em Wall Street, as bolsas firmaram alta após os comentários, com o S&P 500 avançando 1,47%.

"A divulgação do atraso da implementação das tarifas é na pratica uma demonstração de que há mais tempo para que EUA e China tentem chegar a um acordo comercial", destacou o estrategista Felipe Sichel, do modalmais.

Houve também uma trégua na bolsa argentina, após o tombo de 37% da véspera por apreensão com a cena eleitoral, com o índice Merval subindo 10% nesta terça-feira.

Segundo estrategistas do Bank of America Merrill Lynch, a América Latina já era a região emergente mais ameaçada pela escalada da guerra comercial EUA-China e queda do iuan para um mínimo de 11 anos antes da surpresa na Argentina.

"A América Latina aparece como a região mais vulnerável não apenas devido à alta exposição à China e aos preços das commodities, mas também porque as ferramentas disponíveis para implementar políticas monetárias anticíclicas são mais limitadas" disseram estrategistas do Merrill Lynch em nota.

Ainda no radar local, o relator da proposta da reforma tributária em comissão especial na Câmara dos Deputados, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), estimou que apresentará seu parecer em 8 de outubro, além do início dos trabalhos envolvendo a tramitação da reforma da Previdência no Senado.

DESTAQUES

- MAGAZINE LUIZA subiu 3,93%, após resultado trimestral com forte crescimento nas vendas, com destaque no comércio eletrônico. Executivos da empresa afirmaram que enxergam potencial para entrega de resultados mais fortes até o fim do ano, já que a base comparativa dos próximos meses não será tão desafiadora quanto no segundo trimestre. No setor, VIA VAREJO avançou 2,17% e B2W valorizou-se 2,73%.

- SUZANO avançou 5,87%. KLABIN subiu 3,3%. Analistas do Itaú BBA afirmaram que a perspectiva de curto prazo ainda é desafiadora para o setor de celulose, mas que as ações estão baratas.

- ECORODOVIAS avançou 4%, após assinar na véspera acordo de leniência de 400 milhões de reais com a força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná, valor que inclui multas, reduções de tarifas de pedágio e investimentos nos empreendimentos operados pela empresa.

- VALE subiu 2,97%, acompanhando o movimento de mineradoras no exterior, em sessão ainda marcada por leve alta dos preços futuros do minério de ferro na China.

- COSAN cedeu 1,36%, mesmo após divulgar lucro líquido de 418 milhões de reais para o segundo trimestre, ante prejuízo de 64,3 milhões no mesmo período de 2018.

- ELETROBRAS PNB caiu 0,3%, tendo no radar resultado trimestral com lucro líquido de 5,56 bilhões de reais no segundo trimestre, salto de 305% na comparação anual, influenciado pela venda da Amazonas Energia.

- ITAÚ UNIBANCO PN e BRADESCO PN subiram 1,96% e 1%, respectivamente. BANCO DO BRASIL fechou em alta de 1,2%.

- PETROBRAS PN avançou 1,2%, apoiada na forte valorização dos preços do petróleo no exterior.

Tecnologia impulsiona Wall St após EUA adiarem tarifas contra China

NOVA YORK (Reuters) - Os mercados de ações nos Estados Unidos fecharam em alta nesta terça-feira, após um adiamento na aplicação de tarifas sobre importações chinesas atrair compradores de volta ao mercado, num rali generalizado.

Lideradas pela Apple, as ações de tecnologia conduziram os três principais índices acionários para o azul após o anúncio da postergação das tarifas, que acalmou temores sobre a guerra comercial EUA-China e crescentes sinais de uma iminente recessão.

O representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, disse que os Estados Unidos adiarão a imposição de tarifas adicionais de 10% sobre os principais produtos chineses, incluindo laptops e celulares, tarifas que deveriam entrar em vigor no próximo mês.

"É uma reação às quedas recentes, porque dá algum otimismo do lado comercial", disse Joseph Sroka, diretor de investimentos da NovaPoint. "Estamos chegando ao fim da temporada de balanços, então as notícias geopolíticas e macroeconômicas vão dominar a direção dos mercados nas próximas semanas."

A Apple, provável beneficiária do adiamento da aplicação das tarifas, subiu 4,2% na Nasdaq, enquanto o índice Philadelphia de semicondutores --referência para o desempenho de empresas fabricantes de chips-- ganhou 3,0%.

O índice Dow Jones subiu 1,44%, para 26.279,91 pontos. O S&P 500 ganhou 1,47%, para 2.926,23 pontos. E o Nasdaq Composto teve alta de 1,95%, para 8.016,36 pontos.

Todos os 11 setores principais do S&P 500 fecharam em alta, com tecnologia e consumo discricionário liderando os ganhos percentuais.

Do lado macro, a inflação ao consumidor dos EUA acelerou em julho, com o núcleo do índice em alta de 2,2% na base anual, maior ganho em seis meses e bem acima da meta de 2% do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA).

Fonte: Reuters

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