EUA diz não ver "nenhuma recessão à vista"; China reforma taxa de juros

Publicado em 18/08/2019 23:17 e atualizado em 19/08/2019 12:56
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WASHINGTON (Reuters) - Autoridades da Casa Branca refutaram preocupações com possível tropeço do crescimento econômico, argumentando que veem baixo risco de uma recessão a despeito de uma semana volátil nos mercados de juros e insistindo que sua guerra comercial com a China não está trazendo prejuízos aos Estados Unidos.

"Não há nenhuma recessão à vista", afirmou o conselheiro econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, no programa "Fox News Sunday".

"Os consumidores estão trabalhando. Seus salários estão aumentando. Eles estão gastando e poupando...acho que estamos em muito boa forma."

Os mercados de ações dos EUA despencaram na última semana por receios de uma recessão, com os três principais índices fechando com queda de cerca de 3% na quarta-feira. Mas na sexta-feira as perdas foram neutralizadas em meio a expectativas de que o Banco Central Europeu (BCE) corte suas taxas.

Por um breve momento na semana os investidores em títulos também demandaram uma taxa maior nos papéis de prazo de dois anos do que sobre os títulos de dez anos, movimento que é muitas vezes visto com um sinal de perda de esperança em relação ao crescimento econômico de médio prazo.

No entanto, o conselheiro comerical Peter Navarro também descartou os sinais da última semana neste domingo, dizendo que dinâmicas econômicas "boas" estavam estimulando investidores a trazer dinheiro para os EUA.

"Temos a economia mais forte do mundo e o dinheiro está entrando aqui para nosso mercado de ações. Também está vindo para cá para buscar rendimentos em nossos mercados de títulos", Navarro disse ao programa "This Week" do canal ABC.

As tarifas sofre bens chineses "não estão machucando ninguém", disse Navarro. 

Trump diz que ‘não está pronto’ para acordo comercial com a China

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem que não está pronto para fazer um acordo com a China dentro da guerra comercialque inclui retaliações de ambos os lados. O assunto tem abalado os mercados financeiros de todo o mundo e colaborado para ampliar os temores de uma recessão global.

Apesar de ainda não estar pronto para assinar um acordo com a China, Trump afirmou que seu governo tem tido conversas “muito substanciais” com líderes do país asiático. “Os chineses querem fazer um acordo. Vamos ver o que acontece”, disse Trump, em declaração rápida a repórteres.

Ele aproveitou, porém, para dizer que a “China precisa mais de um acordo do que os Estados Unidos”. Ele acusou os chineses de serem “muito orgulhosos, enquanto sua economia está com problemas”.

Em uma disputa paralela com a China, Trump disse também que a Huawei – gigante da tecnologia de origem chinesa – é uma empresa com qual os americanos não devem fazer negócios por “questões de segurança nacional”. A Huawei é forte tanto em aparelhos vendidos a consumidores quanto em serviços prestados a empresas.

Banco central chinês anuncia reforma de taxa de juro preferencial para diminuir custo de financiamento da economia real, responde a Xinhua

Beijing, 17 ago (Xinhua) -- O banco central da China anunciou neste sábado um plano para melhorar e reformar o mecanismo de taxa de juro preferencial para empréstimos (LPR, na sigla em inglês) nos seus mais recentes esforços para reduzir os custos de financiamento para a economia real.

O Centro Nacional de Financiamento Interbancário anunciará a nova LPR às 9h30 do dia 20 de cada mês, começando agora em agosto, segundo um comunicado do Banco Popular da China (BPC).

O número de bancos que serão levados em conta para o cálculo da taxa se ampliará de 10 a 18, incluindo não apenas os nacionais, mas também os bancos comerciais urbanos e rurais, instituições financeiras com investimento estrangeiro e privadas, a fim de melhorar a representatividade da LPR.

Além da atual LPR de um ano, se oferecerá outra para os empréstimos de mais de cinco anos como referência de preços para os novos créditos bancários, segundo o BPC.

China aprova mais projetos de investimento em ativos fixos

Beijing, 18 ago (Xinhua) -- A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR), o mais alto planejador econômico da China, aprovou 12 projetos de investimento em ativos fixos em julho, com o volume combinado totalizando 70,5 bilhões de yuans (US$ 10 bilhões).

De acordo com Meng Wei, porta-voz da CNDR, os projetos foram principalmente nas indústrias de energia e transporte.

O crescimento de investimento em ativos fixos da China permaneceu basicamente estável nos primeiros sete meses do ano, expandindo 5,7% anualmente devido ao robusto investimento em alta tecnologia.

O investimento em manufatura neste setor cresceu 11,1%, 5,4 pontos percentuais mais rápido que o crescimento de investimento total, enquanto o investimento em serviços de alta tecnologia aumentou 11,9%, 6,2 pontos percentuais mais rápido que o incremento médio.

O investimento em ativos fixos inclui gastos em infraestrutura, propriedade, maquinaria e outros ativos físicos.

Tarifas impostas pelos EUA aumentam preços e reduzem lucros, diz China (baseada em relatório do Fed)

Washington, 18 ago (Xinhua) -- Os recentes aumentos de tarifas dos EUA contra as importações estão aumentando os preços e reduzindo os lucros das empresas norte-americanas manufatureiras e de serviços, segundo um relatório recentemente publicado pelo Banco de Reserva Federal de Nova York.

"Quando perguntados sobre o quanto os recentes aumentos nas tarifas têm aumentado os custos de insumos direta ou indiretamente, 79% dos fabricantes e 60% das empresas de serviços apontaram um aumento ligeiro no mínimo", revelou a instituição na sexta-feira, num relatório baseado em perguntas suplementares para a Pesquisa de Manufatura e de Líderes Comerciais da Nova York para o mês de agosto.

Cerca de 14% dos fabricantes e 12% das empresas de serviços caracterizaram o aumento como substancial, mostrou o documento, observando que "os dados ilustram um efeito consideravelmente mais amplo de custos mais altos de insumos entre as empresas de serviços do que na pesquisa do ano passado".

As empresas também foram indagadas sobre como perceberam as influências das mudanças da política comercial sobre os preços que pagam, seus preços de venda, como também as outras medidas em 2019 e 2020.

"Em ambos os anos, cerca de dois terços dos fabricantes testemunharam um efeito crescente nos preços pagos, e cerca de 45% viram um aumento nos preços de venda", destaca o relatório, acrescentando que entre os respondentes do setor de serviços, os números foram um pouco mais baixos, mas notavelmente mais altos que da pesquisa do ano passado.

Ao avaliar o efeito geral das políticas comerciais nas balanças finais, 51% dos fabricantes percebem um efeito negativo em 2019 e 47% antecipam um efeito negativo em 2020. "Para as empresas de serviços, as proporções ficam um pouco abaixo de 40% para os dois anos."

O estudo oferece novas evidências de que as tarifas estão prejudicando as empresas de manufatura e serviços dos EUA e sua economia em geral. Grupos empresariais pediram ao governo norte-americano que remova todas as tarifas adicionais para evitar custos mais altos para famílias e empresas do país.

"Em vez de escolher vencedores e perdedores temporários e manter a economia dos EUA como refém, é hora de chegar a um acordo que acabe com a guerra comercial", defendeu recentemente em um comunicado a campanha nacional 'Tariffs Hurt the Heartland', apoiada por mais de 150 das maiores organizações comerciais estadunidenses.

 

Fonte: Reuters/Xinhua

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