Dólar vai a R$ 4,16 após nova intervenção do Fed no sistema financeiro dos EUA

Publicado em 19/09/2019 17:14 e atualizado em 19/09/2019 19:08
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Por Stefani Inouye

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar encerrou em forte alta contra o real nesta quinta-feira, superando a marca de 4,16 reais, um dia depois de o Banco Central cortar a Selic e sinalizar mais redução na taxa básica de juros à frente.

O dólar à vista teve alta de 1,50%, a 4,1642 reais na venda, maior nível de fechamento desde 3 de setembro.

Segundo relatório da equipe de análise da Correparti Corretora de Câmbio, a valorização do dólar teve como principal 'driver' a fuga de capital estrangeiro, especialmente de fundos especulativos, em busca de melhor remuneração, após o BC cortar a taxa Selic.

"Estes fundos predadores foram a mercado comprar dólares para aportarem em outros países emergentes que têm melhor rentabilidade e um custo de hedge mais baixo como o México."

O Banco Central cortou na quarta-feira a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, a 5,50% ao ano, dando sequência ao ciclo de afrouxamento monetário em meio à débil recuperação econômica, num processo que deve seguir adiante, segundo sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom).

No acumulado de setembro até dia 13, o fluxo cambial financeiro estava negativo em 1,8 bilhão de dólares, segundo o BC.

O corte nos juros brasileiros veio na sequência de uma redução dos juros também nos Estados Unidos. O Federal Reserve reafirmou que a perspectiva econômica dos EUA é "favorável", com o mercado de trabalho forte e a inflação provavelmente retornando à meta do Fed (2%).

As causas da alta são principalmente externas: pelo terceiro dia consecutivo, o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) precisou intervir no mercado de empréstimos de curtíssimo prazo entre bancos para garantir recursos e segurar a alta das taxas de juros. Assim como na quarta, nesta quinta a demanda pelos recursos injetados superou a oferta do Fed, que anunciou uma nova intervenção para sexta-feira.

Depois disso, o dia, que vinha numa toada positiva, azedou.

A aceleração da alta da moeda americana ante o real ocorreu no meio da tarde, e o dólar fechou cotado a R$ 4,1640, maior patamar desde o começo de setembro. A valorização foi de quase 1,5%. 

Fonte: Reuters

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