Risco país cai a menor nível em seis anos; Ibovespa recua após ânimo com chance de mais cortes de juros

Publicado em 19/09/2019 17:25 e atualizado em 19/09/2019 19:14
286 exibições

O risco Brasil, medido pelo Credit Default Swap (CDS), um título que protege contra calotes na dívida soberana, vem registrando nova rodada de queda e está em 116 pontos. É o menor nível em seis anos, desde maio de 2013. Mas outros ativos brasileiros, principalmente o dólar e a Bolsa, não estão acompanhando o movimento de melhora de percepção dos investidores sobre o País. Economistas e gestores ouvidos pelo Estadão/Broadcast avaliam que este "descolamento" mostra que os investidores estão antecipando um cenário doméstico melhor pela frente, mas, no momento, ainda seguem cautelosos e não vão aportar recursos em ativos locais sem maior crescimento econômico e avanço de outras reformas, inclusive o término da Previdência

Historicamente, o CDS, o dólar e o Ibovespa têm correlação próxima - sendo que câmbio e risco costumam caminhar na mesma direção -, mas desde o segundo semestre do ano passado os comportamentos passaram a divergir. Um ex-diretor do Banco Central calcula que, com o CDS na casa dos 120 pontos, como agora, era para o dólar estar em R$ 3,60 ou abaixo. Mas a moeda está em R$ 4,10 e a visão dos especialistas é a de que não deve cair para abaixo de R$ 4 tão cedo. Para o mercado de ações, a avaliação é que, com o CDS neste nível, o Ibovespa deveria, pelo menos, estar acima da pontuação atual - que tem ficado entre 103 mil e 104 mil pontos nos últimos sete pregões.

Lucas Tambellini, estrategista de renda variável do Itaú BBA, afirma que, após vários anos com excesso de liquidez global, os contratos de CDS de vários países estão perto das mínimas históricas. No caso do Brasil, o nível de risco tem caído também diante da sinalização de melhora do lado fiscal. "No passado, a correlação era mais forte, mas estamos agora em um momento descolado. Na questão cambial, a taxa está se comportando de maneira diferente por motivos externos, uma vez que o dólar está forte praticamente contra o resto do mundo", diz. (Leia mais no Estadão)

Ibovespa recua pressionado por bancos após ânimo com chance de mais cortes de juros

LOGO REUTERS

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou com pequena queda nesta quinta-feira, pressionado particularmente pelas ações de bancos, após tocar os 106 mil pontos no começo da sessão, embalado por perspectivas de que o Banco Central dará continuidade ao ciclo de cortes da taxa básica de juros no país.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,18%, a 104.339,16 pontos, após mostrar 106.001,35 pontos na máxima intradia. A máxima histórica de fechamento é de 105.817,06 pontos e o recorde intradia é de 106.650,12 pontos, ambos registrados em julho.

O volume financeiro totalizou 16,75 bilhões de reais, em linha com a média diária de 16,8 bilhões de reais em setembro.

O começo do pregão sinalizou uma possível quebra de recorde do Ibovespa para o fechamento, após o Comitê de Política Monetária (Copom) cortar a Selic em 0,5 ponto percentual, para novo piso histórica de 5,5% ao ano, e dizer que "a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo".

"O corte de 0,5 ponto estava no preço, mas o BC indicou ao mercado a possibilidade de mais cortes do que estava precificado" afirmou o gestor Henrique Bredda, sócio na Alaska Asset Management, notando revisões nas expectativas para a Selic ao final do ciclo.

"A estimativa de (o ciclo terminar com a Selic em) 5%, que até então era o piso das previsões, passou a ser o teto das projeções", afirmou o gestor, destacando que bolsa com um todo sai ganhando em tal cenário. "Uns (papéis) mais outros menos, mas todos ganham."

Após a decisão do Copom, pelo menos XP Investimentos, UBS e BNP Paribas juntaram-se ao time que inclui Citi, Bradesco, BofA e Santander Brasil, que já prevêem juro abaixo de 5% no final do ciclo de ajuste da Selic.

Do ponto de vista das companhias especificamente, Bredda explicou que o efeito se dá com aumento no valor presente do fluxo de caixa, menor despesa financeira e incentivo para novos projetos de expansão.

Mas o cenário de Selic menor à frente, acrescentou, também funciona como incentivo para as pessoas saírem da renda fixa e investirem em bolsa, entre outros ativos, assim como diminui o custo de rolagem da dívida do Estado, ajudando na melhora do resultado fiscal, o que pode apoiar mais cortes.

"Estamos deixando de ser um país fora dos padrões mundiais de inflação e de custo de capital", acrescentou o gestor Marcelo Mesquita, sócio na Leblon Equities. "Com as reformas em andamento, teremos a bolsa brasileira em alta por vários anos e o crescimento econômico virá cedo ou tarde."

O Ibovespa, contudo, perdeu o fôlego conforme ações com relevante peso no índice pioraram, notadamente bancos, enquanto os papéis da Petrobras também enfraqueceram, assim como Vale. Operadores também citaram alguma realização de lucros. Grafistas do Itaú BBA citaram em nota mais cedo que os 104.800 pontos representam uma região de forte resistência.

No exterior, Wall Street encerrou com pequenas variações, com o S&P 500 fechando o dia estável, um dia depois de Federal Reserve cortar as taxas de juros norte-americanas e transmitir sinais contraditórios sobe uma nova redução, mas deixar a porta aberta para futuras intervenções monetárias.

DESTAQUES

- BANCO DO BRASIL cedeu 2,6%, capitaneando as perdas entre os bancos. ITAÚ UNIBANCO PN fechou com variação negativa de 1,67%. BRADESCO PN terminou com decréscimo de 1,21%. No mês, contudo, esses três papéis ainda acumulam valorização de 1,6%, 2% e 2%, respectivamente.

- PETROBRAS PN fechou com acréscimo de 0,26%, após subir mais de 2% mais cedo, com a alta do petróleo no exterior e decisão da companhia de elevar o preço médio do diesel nas refinarias a partir desta quinta-feira após ataques a instalações da Saudi Aramco no fim de semana terem elevado os valores internacionais do petróleo.

- MARFRIG ON subiu 6,8%, maior alta do Ibovespa. Entre as pares do setor de proteínas no índice, BRF ON caiu 1,75% e JBS ON teve alta de 0,61%. Fora do Ibovespa, MINERVA ON cedeu 0,22%.

- B2W ON avançou 5,75%, com o setor de varejo reagindo ao cenário para a Selic, além de acordo da sua controladora Lojas Americanas para integração de plataformas de pagamentos que permitirá o acesso da fintech Ame e B2W a mais de 65 mil lojistas que usam os sistemas da Linx. LOJAS AMERICANAS PN subiu 2,72% e LINX ON, que não está no Ibovespa, ganhou 4,46%.

- MULTIPLAN ON subiu 3,53%, com papéis de empresas de shopping center também reagindo às perspectivas para a Selic, que motivou um ajuste de baixa nos juros futuros. BRMALLS ON avançou 3,24% e IGUATEMI ON terminou com elevação de 2,17%.

- VALE ON cedeu 0,17%, após os futuros do minério de ferro na China despencarem nesta quinta-feira, na quarta sessão consecutiva de perdas, enquanto o aço também recuou, em meio a preocupações sobre a demanda futura.

- CIELO ON caiu 5,13%, destaque na ponta negativa, tendo no radar a parceria entre Lojas Americanas e Linx, além de alta de 17,28% nos três pregões anteriores.

- BRASKEM recuou 2,47%, também refletindo possível embolso de lucro, uma vez que até a véspera acumulava valorização de 11,76% em setembro. No ano, porém, o papel ainda contabilizava queda de 40%.

Wall Street fecha sem tendência definida; Microsoft avança e Apple recua

(Reuters) - Os índices de Wall Street fecharam sem tendência comum nesta quinta-feira, com uma queda nas ações da Apple ofuscando alta nos papéis da Microsoft um dia depois de o Federal Reserve cortar as taxas de juros dos Estados Unidos, em medida já esperada, e deixar a porta aberta para novos afrouxamentos monetários no futuro.

O índice Dow Jones fechou em queda de 0,19%, a 27.094,79 pontos. O S&P 500 encerrou a sessão estável, a 3.006,79 pontos, alta de menos de um ponto em relação à quarta-feira, e o Nasdaq Composto avançou 0,07%, para 8.182,88 pontos.

A Microsoft avançou 1,8% depois de revelar um plano de 40 bilhões de dólares para recompra de ações, enquanto a Apple cedeu 0,8%.

O S&P 500 ficou menos de 1% abaixo de sua máxima recorde de fechamento de julho, com os mercados se tornando mais otimistas a respeito das negociações entre autoridades de segundo escalão de EUA e China que visam preparar o terreno para as conversas de alto nível no início de outubro.

Um recente alívio nas tensões comerciais tem ajudado os três principais índices a se recuperar das perdas registradas em agosto.

"Tem havido um ambiente levemente mais construtivo nos últimos tempos, mas, se houver qualquer tipo de acordo, ele será muito 'light', um mini-acordo, porque EUA e China ainda estão muito distantes nos principais assuntos", alertou Ben Phillips, diretor de investimentos da EventShares.

O índice de saúde do S&P 500 ganhou 0,5% depois de a presidente da Câmara dos Deputados norte-americana, Nancy Pelosi, divulgar um projeto sobre política de preços de medicamentos.

Embora o plano seja "muito negativo" para os laboratórios, a reação já havia sido precificada, segundo Thomas Martin, do GLOBALT Investments.

Entre os índices de 11 setores, o de saúde tem o pior desempenho até aqui em 2019, com um ganho de 6%.

Expectativas de um novo corte de juros pelo Fed, após a redução em 0,25 ponto percentual na quarta-feira, também orientaram o entusiasmo. Ao anunciar seu segundo corte de um quarto de ponto-base neste ano, o Fed disse que futuras reduções "dependerão fortemente de dados".

Fonte: Reuters

0 comentário