Wall St avança por otimismo comercial, mas Pequim ameniza expectativas

Publicado em 09/10/2019 22:23
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NOVA YORK (Reuters) - Os índices acionários de Wall Street avançaram nesta quarta-feira por expectativas de progresso nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China, embora as ações tenham devolvido ganhos no final da sessão, após autoridades chinesas declararem que Pequim tem expectativas reduzidas para as conversas desta semana.

O Dow Jones fechou em alta de 0,7%, a 26.346,14 pontos. O S&P 500 subiu 0,91%, para 2.919,40 pontos, enquanto o Nasdaq Composto avançou 1,02%, a 7.903,74 pontos.

Mesmo fechando no azul, os três principais índices de ações norte-americanos perderam terreno já perto da campainha de fechamento, depois de autoridades chinesas afirmarem que a boa vontade de Pequim foi afetada pela inclusão de 28 empresas chinesas na lista negra dos EUA, realizada nesta semana pelo Departamento de Comércio norte-americano.

O entusiasmo do investidor havia recebido um impulso inicial, após uma reportagem da Bloomberg apontar que a China permanece aberta a um acordo comercial parcial com os EUA, e o Financial Times dizer que Pequim ofereceu aumentar suas aquisições anuais de produtos agrícolas norte-americanos.

"Um acordo parcial com a China pelo menos abriria caminho para um acerto mais amplo no futuro", disse Tim Ghriskey, estrategista-chefe de investimentos do Inverness Counsel. "Todos os dias temos um tuíte diferente e o mercado segue uma direção diferente. Hoje é um dia de alta, com um tuíte favorável."

A ata da reunião de setembro do Federal Reserve mostrou que a maior parte das autoridades do banco central dos EUA apoiou o corte de juros do mês passado, e que embora todos estivessem mais preocupados com os riscos associados à guerra comercial EUA-China, o lento crescimento global e outras questões geopolíticas, eles divergiram sobre o que isso significa para a economia norte-americana.

"Houve certa divergência no voto, mas todos acreditam no conceito de que a definição da política monetária depende de dados", disse Joseph Sroka, diretor de investimentos da NovaPoint.

Todos os 11 principais setores do S&P 500 fecharam em alta, com as ações de tecnologia e ligadas ao setor de petróleo e gás registrando os maiores ganhos percentuais.

A Microsoft liderou os ganhos do Dow, avançando 1,9%, enquanto a Johnson & Johnson representou a única queda no índice "blue chip".

Autoridades do Fed estão divididas sobre trajetória futura dos juros, aponta ata

WASHINGTON (Reuters) - A maioria das autoridades do Federal Reserve defendeu a necessidade de cortar os juros em setembro, mostrou a ata da última reunião do banco central dos Estados Unidos, mas elas estão cada vez mais divididas sobre a trajetória futura da política monetária.

A ata da reunião, divulgada nesta quarta-feira, também mostrou que o Fed concordou que precisará em breve discutir se vai aumentar o tamanho de seu balanço, na esteira de turbulências no mercado monetário de curto prazo.

Em sua reunião em 17 e 18 de setembro, as autoridades do Fed decidiram, em uma votação de 7 a 3, reduzir os custos dos empréstimos em 0,25 ponto percentual para um intervalo entre 1,75% e 2,00%.

"A maioria das autoridades acreditava que a redução de 0,25 ponto na meta de intervalo para os juros seria apropriada", disse o Fed na ata.

Enquanto todos se tornaram, em geral, mais preocupados com riscos associados às guerras comerciais do governo Donald Trump, particularmente com a China, com a desaceleração do crescimento global e com outros acontecimentos, como o Brexit, eles discordaram sobre o significado disso para a economia norte-americana.

Várias autoridades acreditavam que seria prudente para o Fed cortar os juros como medida de proteção contra os riscos, enquanto várias outras disseram que as perspectivas econômicas dos EUA não justificavam o corte nos juros.

"Eles afirmaram que é improvável que as principais incertezas sejam resolvidas em breve. Além disso, como não acreditavam que essas incertezas iriam atrapalhar a expansão, não viam necessidade de uma acomodação adicional da política monetária neste momento".

Várias autoridades observaram que os modelos estatísticos sugeriram que a probabilidade de uma recessão no médio prazo aumentou nos últimos meses e vários alertaram que o mercado de trabalho em 2019 pode ter sido menos forte do que se pensava, de acordo com as revisões preliminares do Bureau of Labor Statistics.

O Fed reduziu os custos de empréstimos duas vezes este ano, depois de ter aumentado a taxa de juros nove vezes desde 2015, e a ata desta quarta-feira está repleta de projeções que acompanharam a declaração de setembro, que mostrou discordância entre as autoridades sobre o caminho a ser seguido à frente.

Sete das autoridades do Fed no mês passado indicaram prever mais um corte nos juros este ano. Cinco autoridades disseram não acreditar que mais cortes sejam necessários e os outras cinco projetaram um aumento de juros até o final de 2019. Os investidores esperam, predominantemente, outro corte de juros na próxima reunião de 29 a 30 de outubro.

O chairman do Fed, Jerome Powell, e algumas outras autoridades estão no grupo que vê os cortes que já ocorreram como um seguro necessário para manter a mais longa expansão econômica dos EUA em andamento.

Fonte: Reuters

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