Além da China, Russia entra na disputa pela carne brasileira; preços sobem 4,35% na B3

Publicado em 15/11/2019 06:53 e atualizado em 15/11/2019 11:12
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(Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro e Vladimir Putin, da Rússia, acertaram nesta quinta-feira durante reunião bilateral o aumento do fluxo de comércio e investimentos entre os dois países e a remoção de entraves para o comércio de produtos agropecuários, informou o Palácio do Planalto.

O governo Putin manifestou interesse na carteira de projetos do PPI, e o lado brasileiro propôs visitas técnicas a frigoríficos nacionais.

Bolsonaro e Putin também discutiram "aprofundamento da Parceria Estratégica entre o Brasil e a Rússia". "O lado russo demonstrou interesse em novos aportes no setor de energia.

Bolsonaro também teve uma reunião bilateral com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, nesta quinta. Na quarta, primeiro dia de reunião dos Brics, o presidente se reuniu com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e com o presidente da China, maior parceiro comercial do Brasil, Xi Jinping. 

A China pôs à disposição do governo Jair Bolsonaro mais de US$ 100 bilhões de pelo menos cinco fundos estatais para uma nova rodada de investimentos no Brasil. A maior parte dos recursos deverá financiar projetos de infraestrutura, disse o ministro Tarcisio de Freitas ao jornal Folha de S. Paulo.  

Os chineses aguardam o sinal verde do Brasil para depositar imediatamente US$ 15 bilhões. Segundo o acordo, o Brasil terá de entrar com US$ 5 bilhões como contrapartida, completou a Folha.

Preço da arroba do boi se aproxima de R$ 200 e tem novo recorde, aponta indicador Esalq/B3

SÃO PAULO (Reuters) - O preço da arroba do boi gordo manteve a trajetória das últimas semanas e subiu 4,35% nesta quinta-feira, marcando um novo recorde histórico a 199,25 reais, segundo o indicador Esalq/B3, com impulso principalmente da forte demanda de exportação, notadamente da China.

O preço da arroba registrado nesta quinta-feira supera a máxima histórica de abril de 2015, de 191,89 reais (valor que considera a inflação do período), segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que elabora o indicador.

No acumulado do mês, o preço da arroba disparou 16,73%, avançando 37,8% em relação a igual período do ano passado.

Segundo o sócio-diretor na consultoria Athenagro, Maurício Nogueira, a alta na arroba está associada a um maior número de empresas que buscam se posicionar para exportar para a China, além da forte demanda chinesa, que busca preencher uma lacuna deixada na oferta de carne suína pela epidemia de peste suína africana.

"Tem a sede da China para importação de carne bovina do Brasil, eles (chineses) têm que se posicionar... ao mesmo tempo que tem uma quantidade grande de plantas... que querem marcar posição com a China", disse o consultor, lembrando que novas unidades foram habilitadas para exportação nesta semana, não só para a China, mas também para a Arábia Saudita.

Ele disse também que os ganhos da arroba também estão associados à produção total menor neste ano no Brasil, devido ao crescente abate de fêmeas Nesse sentido, a pecuária nacional vai ter que responder com aumento de produtividade para conseguir atender à demanda por novos lotes para abate, tendo em vista que o abate de fêmeas atingiu volumes recordes nos primeiros meses deste ano.

No mercado futuro da B3, os preços da arroba também estão em patamares recordes, com o vencimento para março de 2020 atingindo máxima de contrato acima de R$ 209 na véspera.

No atacado da Grande São Paulo, disse o Cepea, o preço da carcaça bovina renovou máximas históricas nesta semana, atingindo 12,74 reais por quilo na quarta-feira.

Arroba e carne no atacado atingem patamares recordes e reais, diz Cepea

Cepea, 14 – A pecuária nacional tem passado por um momento distinto. De acordo com dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, os preços da arroba negociada no mercado paulista e os da carne no atacado da Grande São Paulo alcançaram patamares recordes reais.

Nessa quarta-feira, 13, o Indicador do boi gordo ESALQ/B3 fechou a R$ 190,95, bem próximo do recorde real, de R$ 191,89, registrado em abril de 2015 – todos os valores da série histórica do Cepea, iniciada em 1994, foram deflacionados pelo IGP-DI de outubro de 2019. No acumulado parcial deste mês (de 31 de outubro a 13 de novembro), o Indicador registra forte avanço de 12%. Levantamentos do Cepea, inclusive, já tem verificado que a arroba chega a ser negociada por R$ 200,00 em algumas regiões do estado de São Paulo.

O preço da carne (carcaça casada de boi – que, vale lembrar, é formada por 48% de traseiro, 38% de dianteiro e 14% de ponta de agulha) negociada no atacado da Grande São Paulo tem atingido sucessivos recordes reais da série do Cepea, iniciada em 2001, desde sexta-feira, 8. Nessa quarta-feira, 13, a média à vista da carcaça casada do boi foi de R$ 12,74/kg, 3,75% acima do recorde anterior, de R$ 12,28/kg, observado também em abril de 2015.

Segundo pesquisadores do Cepea, esse cenário é resultado das aquecidas demandas externa e interna e da baixa oferta de animais prontos para abate. 

Do lado da demanda, no mercado doméstico, é comum observar certo aquecimento nas vendas nesta época do ano, quando atacadistas se abastecem, à espera de aumento na procura por carne, devido às típicas festas e churrascos. 

No caso das exportações, pesquisadores do Cepea destacam que o volume embarcado pelo Brasil se mantém acima das 100 mil toneladas desde julho de 2018, resultado que tem sido influenciado especialmente pela demanda chinesa – nesta semana, inclusive, novas plantas frigoríficas brasileiras foram habilitadas para exportar carne ao país asiático.

Em outubro, vale lembrar, o volume de carne bovina exportada pelo Brasil foi recorde e, nestes primeiros seis dias úteis de novembro, o País já registrou embarque de 37 mil toneladas da proteína, com média diária de 6,2 mil toneladas, um pouco abaixo das 7 mil toneladas em outubro/19 e das 6,5 mil toneladas em novembro/18, segundo dados da Secex. Ainda assim, caso esse ritmo permaneça até o final do mês, as exportações somariam cerca de 120 mil toneladas.

Quanto à oferta de animais, segue restrita em todas regiões acompanhadas pelo Cepea. De modo geral, o crescente abate de fêmeas em anos recentes resultou em restrição de oferta de animais. 

Nesse sentido, a pecuária nacional vai ter que responder com aumento de produtividade para conseguir atender à crescente demanda por novos lotes para abate, tendo em vista que o abate de fêmeas atingiu volumes recordes nos primeiros meses deste ano.

Bolsonaro diz que Copom pode reduzir juro a 4,5% e que torce por queda

(Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira que a taxa básica de juros pode ser reduzida para 4,5% ano na última reunião a ser realizada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central neste ano e disse que sua torcida é sempre por uma redução no custo crédito.

Em transmissão semanal em rede social ao lado do presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, Bolsonaro disse, ao mesmo tempo, que fica "curioso" sobre o destino da taxa Selic, e que também não fala nada a respeito.

"A taxa Selic está 5% ao ano. Ela pode passar, inclusive, para 4,5% na última reunião do Copom no corrente ano", disse Bolsonaro.

"Todo mundo fica curioso, querendo saber se vai baixar, se não vai baixar. Eu também fico, mas não falo nada. A minha torcida --torcida-- é sempre para diminuir. Torcida, está certo?", acrescentou.

A expectativa do mercado financeiro é que a Selic seja mesmo reduzida para 4,5%, como já indicou o próprio Banco Central.

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Fonte: Reuters

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