Ibovespa fecha em queda com cautela antes de feriado; Itaú pesa

Publicado em 19/11/2019 18:05 e atualizado em 19/11/2019 20:37
124 exibições

LOGO REUTERS

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira, com Itaú Unibanco entre as maiores pressões negativas, em sessão sem tendência clara em Wall Street e marcada por cautela no pregão local antes do feriado na cidade de São Paulo na quarta-feira.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,38%, a 105.864,18 pontos, mais uma vez perdendo o fôlego durante a sessão, após ter se aproximado dos 107 mil pontos no melhor momento do dia. O volume financeiro no pregão somou 14 bilhões de reais.

Nos Estados Unidos, o S&P 500 encerrou com variação negativa de 0,06%, com previsões sombrias da Home Depot e da Kohl, enquanto investidores continuam à espera de novidades sobre as negociações China-EUA.

Profissionais da área de renda variável destacaram que a bolsa brasileira está sem gatilhos.

"Não tem um motivo claro (para a piora durante o dia). Vejo alguns investidores reduzindo posição comprada conforme o final do ano se aproxima", afirmou um desses profissionais, que pediu para não ter o nome citado.

Tal cenário encontra um pregão já enfraquecido pela continuidade da saída de estrangeiros no mercado secundário, com o saldo em 2019 negativo em quase 35,5 bilhões de reais. Apenas em novembro, a saída líquida alcança 5 bilhões de reais.

Na quarta-feira, a B3 não abre em razão do feriado do Dia da Consciência Negra, o que respaldou posições mais conservadoras nesta sessão, uma vez que mercados no exterior funcionam normalmente e segue volátil o noticiário relacionado à guerra comercial.

Nesta sessão, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que aumentará as tarifas sobre as importações de produtos chineses se nenhum acordo comercial for fechado.

DESTAQUES

- ITAÚ UNIBANCO PN caiu 1,1%, pior desempenho entre ações de bancos do Ibovespa, tendo no radar corte na recomendação das ações por analistas do JPMorgan para 'neutra' nesta terça-feira, citando preocupações sobre alta no custo do risco (CoR) em razão da mudança no mix de crédito, que, combinada com crescimento de receitas abaixo da média, deve implicar expansão de lucros ao redor do PIB nominal. O preço-alvo foi reduzido a 39 reais. No setor, BRADESCO PN cedeu 0,18%, BANCO DO BRASIL ON perdeu 0,46% e SANTANDER BRASIL UNIT recuou 0,83%.

- BTG PACTUAL UNIT fechou em alta de 3,29%, renovando máxima histórica, a 68,79 reais, conforme muitos agentes financeiros veem os papéis como melhor veículo para se anteciparem ao IPO da XP Investimentos, aguardado para o próximo mês. Analistas do Santander Brasil estimaram em relatório recente que o BTG poderia ter o maior valor potencial a ser desbloqueado. "Calculamos um valor potencial para sua unidade de varejo BTG Digital de 18,7 bilhões de reais (~35% do valor de mercado do banco), mas observamos que o IPO da XP poderia ser um direcionador para o valuation do BTG." Em 2019, as units do BTG acumulam elevação de 203%.

- B3 ON recuou 2,24%, no segundo pregão de queda relevante, acumulando no período baixa de 3,7%, após ter renovado máximas na semana passada, sendo que na quinta-feira alcançou recorde intradia a 50,40 reais. No ano, acumula valorização de 82,55%. A equipe da Eleven Financial Research afirmou em nota a clientes que, de maneira geral, a companhia demonstra excelência na sua operação e está bem posicionada para navegar os ventos favoráveis do mercado. "Olhando à frente, o ambiente continua favorável, com a Selic na mínima histórica atraindo investidores para a renda variável e empresas para o mercado de capitais."

- PETROBRAS PN caiu 1,03%, sucumbindo ao declínio dos preços do petróleo no exterior, enquanto PETROBRAS ON recuou 1,42%. A petrolífera aumentou em 2,8% o preço médio da gasolina em suas refinarias a partir desta terça-feira, após ter ficado mais de 50 dias sem alterar o valor do combustível para as distribuidoras. O noticiário relacionado à companhia ainda inclui comentário de diretor de que a petrolífera calcula que seus ativos em águas profundas e ultraprofundas representem 88% do total de polos de exploração e produção (E&P) no próximo ano, contra 55% atualmente. Após o fechamento da bolsa, anunciou que assinou com Copagaz e a Nacional Gás Butano contrato para a venda da totalidade da sua participação na Liquigás.

- VALE ON valorizou-se 1,18%, favorecida pela alta dos preços futuros do minério de ferro na China. Analistas também adotaram tons relativamente positivos em relatórios a clientes após encontro com o presidente-executivo da mineradora na segunda-feira. "Continuamos confiantes de que a Vale está no caminho certo para recuperar a confiança da sociedade e dos investidores", citaram Thiago Lofiego e Isabella Vasconcelos, do Bradesco BBI, em relatório a clientes.

- MARFRIG ON subiu 2,45%, dando continuidade os ganhos da véspera, após anunciar aumento na participação na National Beef. Em nota a clientes, a Brasil Plural destacou que o pagamento de dividendos polpudos pela National Beef é o principal benefício que a Marfrig terá com a aquisição da participação que pertencia à firma de investimentos Jefferies no frigorífico norte-americano.

- ELETROBRAS PNB e ELETROBRAS ON recuaram 1,97% e 2,24%, respectivamente, entre as maiores quedas do Ibovespa. Uma fonte próxima do processo de desestatização da elétrica afirmou à Reuters que o governo federal calibrou mal no Orçamento de 2020 a receita de 16,2 bilhões de reais que espera receber do processo de capitalização da Eletrobras, que estaria superestimada em cerca de 25%.

Preços do petróleo caem por temores de excesso de oferta.

  • REUTERS/Henning Gloystein

NOVA YORK (Reuters) - Os preços do petróleo recuaram mais de 1 dólar por barril nesta terça-feira, pressionados pelas preocupações com o excesso de oferta global e o progresso limitado nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China, cuja disputa afetou o panorama de demanda pela commodity.

Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam em queda de 1,53 dólar, ou 2,5%, a 60,91 dólares por barril. Já os futuros do petróleo dos EUA recuaram 1,84 dólar, ou 3,2%, para 55,21 dólares o barril.

Após participar do corte de produção liderado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que levou o Brent a uma alta de cerca de 15% neste ano, a Rússia não deve concordar com o aprofundamento desses cortes em uma reunião com nações exportadoras no mês que vem, mas pode aceitar a prorrogação das restrições já existentes para apoiar a Arábia Saudita, disseram três fontes.

A notícia da decisão russa empurrou os preços do petróleo para baixo, com investidores preocupados com a possibilidade de um excesso de oferta. No entanto, Jim Ritterbusch, presidente da Ritterbusch and Associates, disse que os temores são exagerados.

"O preço do Brent abaixo ou na marca de 60 dólares aumenta as chances de que haja uma redução adicional após as negociações da Opep, o que pode ser capaz de anular o que aparenta ser um modesto excedente de oferta", disse Ritterbusch.

Dow Jones e S&P 500 fecham em queda com previsões fracas de varejistas.

  • Operadores trabalham na Bolsa de Valores de Nova York 03/09/2019 (REUTERS/Andrew Kelly)

NOVA YORK (Reuters) - Os índices Dow Jones e S&P 500 fecharam em queda nesta terça-feira, se afastando de recordes históricos, com previsões sombrias das varejistas Home Depot e Kohl's alimentando preocupações sobre os gastos dos consumidores conforme a disputa comercial entre EUA e China se arrasta.

Nesta terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou escalar a guerra comercial, aumentando as tarifas sobre as importações chinesas, se nenhum acordo for alcançado com Pequim.

Home Depot caiu 5,4% e foi a principal pressão negativa no S&P 500 e no Nasdaq, após a cadeia --número um nos EUA em materiais para reformas residenciais-- cortar sua previsão de vendas para 2019 pela segunda vez este ano.

Além disso, Kohl's, operadora de loja de departamentos, despencou 19,5%, após reduzir sua previsão de lucro anual e frustrar estimativas trimestrais para vendas comparáveis e balanço.

"O mercado quer subir, mas há muito pedregulho no caminho", disse Brad McMillan, diretor de investimentos da Commonwealth Financial Network, corretora independente em Waltham, Massachusetts.

O Dow Jones caiu 0,36%, para 27.934,02 pontos. O S&P 500 perdeu 0,06%, para 3.120,18 pontos. O Nasdaq Composto teve alta de 0,24%, para 8.570,66 pontos, um recorde.

Sete dos 11 principais setores do S&P 500 caíram, com a queda de 0,97% no índice de consumo discricionário exercendo a maior pressão negativa. O índice de varejo do S&P 500 caiu 1,24%.

O setor de energia sofreu a maior queda percentual, de 1,5%, uma vez que os preços do petróleo caíram devido a preocupações com o excesso de oferta global e com perspectivas de demanda devido à falta de progresso na disputa comercial EUA-China.

Investidores vão monitorar na quarta-feira a ata da última reunião de política monetária do Fed em busca de mais detalhes sobre a posição do banco central sobre os próximos passos sobre os juros.

Petrobras fecha venda da Liquigás por R$ bi; Itaúsa investirá R$ 1,4 bi na Copagaz

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras assinou com a Copagaz e a Nacional Gás Butano contrato para a venda de 100% de sua distribuidora de gás liquefeito de petróleo Liquigás, por 3,7 bilhões de reais, informou a petroleira em fato relevante ao mercado nesta terça-feira.

Não foram informados quais os percentuais que cada empresa deterá na Liquigás.

Como parte da estruturação da operação, a Itaúsa reiterou em separado que irá investir aproximadamente 1,4 bilhão de reais na Copagaz, passando a deter 49% do capital social dessa companhia.

"A Copagaz, que permanecerá sob controle acionário dos atuais acionistas, aplicará ao negócio combinado suas reconhecidas práticas de gestão e experiência de mais de 60 anos no mercado", disse a Itaúsa, holding controladora do Itaú Unibanco.

Já a Nacional Gás, segundo a Itaúsa, adquirirá fatia minoritária na Liquigás e passará, após fechamento da operação e posterior implementação de reorganização societária, a ser detentora de operações em determinadas localidades.

A negociação da unidade de gás, uma subsidiária integral da Petrobras que atua no engarrafamento, distribuição e comercialização de gás liquefeito de petróleo (GLP), acontece em meio a um plano bilionário de venda de ativos da petroleira estatal, que busca focar suas atividades no pré-sal.

A Liquigás está presente em quase todos os Estados brasileiros, e conta com 23 centros operativos, 19 depósitos, uma base de armazenagem e carregamento rodoferroviário e uma rede de aproximadamente 4.800 revendedores autorizados, tendo cerca de 21,4% de participação de mercado.

Já a Copagaz distribui GLP para cerca de 1.800 municípios, localizados em 18 Estados brasileiros e no Distrito Federal, sendo a quinta maior empresa do setor no país, segundo a Petrobras.

O fechamento da transação ainda está sujeito ao cumprimento de condições precedentes, dentre elas a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Trabalhador movimenta botijões de gás em distribuidora em São Paulo
  • Trabalhador movimenta botijões de gás em distribuidora em São Paulo 02/05/2006 (REUTERS/Caetano Barreira)

Fonte: Reuters

0 comentário