Ibovespa fecha na máxima do dia com ânimo sobre China-EUA, sobe 2% na semana

Publicado em 22/11/2019 18:59 e atualizado em 22/11/2019 20:10
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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira, acima dos 108 mil pontos, apoiado em retórica mais positiva sobre as negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China, com o avanço de mais de 3% das ações da Vale entre os principais suportes.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,11%, a 108.692,28 pontos, novamente na máxima da sessão. O volume financeiro do pregão somou 16,79 bilhões de reais. Na semana, o Ibovespa acumulou alta de 2%, após perdas nas duas semanas anteriores.

O presidente norte-americano, Donald Trump, disse nesta sexta-feira que um acordo comercial com a China está "potencialmente muito próximo", e que ele está do lado tanto do povo de Hong Kong quanto do presidente Xi Jinping.

Antes, em Pequim, Xi também disse que a China quer desenvolver um pacto comercial inicial com os EUA e vem tentando evitar uma guerra comercial, embora não tenha medo de retaliar quando necessário.

Em Wall Street, o S&P 500 fechou em alta de 0,2%, referendado também por números mais positivos sobre a economia norte-americana, com a produção manufatureira e a atividade de serviços acelerando em novembro.

"Os comentários do presidente americano ajudam a manter a esperança de que um acordo preliminar entre EUA e China ainda possa ser feito neste ano", observou o gestor Igor Lima, sócio na Galt Capital.

Ele ressaltou que o presidente tem travado outras batalhas políticas, como o processo de impeachment, e muitas vezes a volta do foco para a questão da guerra comercial, de forma positiva, ajuda a aliviar a pressão sob ele.

No cenário doméstico, por sua vez, Lima destaca que acumulam-se evidências de que o crescimento da economia brasileira vem se consolidando.

"Adicionalmente, a inflação segue muito comportada, retirando pressão sob a curva de juros e contribuindo para o bom desempenho da bolsa, bem como começamos a observar melhora marginal no fluxo estrangeiro nos últimos dias", acrescentiou.

Na visão do gestor, o Brasil pode estar se consolidando como "uma das poucas (e boas) histórias de aceleração de crescimento em termos globais para 2020 e a bolsa deve ser o ativo que mais vai se beneficiar neste cenário".

DESTAQUES

- VALE ON subiu 3,33%, em movimento alinhado ao setor de mineração e siderurgia na Europa, tendo de pano de fundo alto do preço do minério de ferro na China. O IFR, serviço da Refinitiv, também noticiou que a mineradora poderá refinanciar dívidas a custos muito baixos e o ScotiaBank elevou a recomendação dos ADRs da Vale para 'outperform do setor' e preço-alvo para 17,5 dólares.

- AZUL PN fechou em alta de 4,73% e a rival GOL PN encerrou com acréscimo de 2,45%, em dia de relativa tranquilidade no mercado de câmbio.

- PETROBRAS PN fechou em alta de 0,44%, apesar da fraqueza dos preços do petróleo no mercado externo. A petrolífera começou a fase vinculante para a venda de quatro das oito refinarias e logísticas associadas ofertadas ao mercado.

- MARFRIG ON e JBS ON cederam 1,47% e 1,01%,respectivamente, em sessão negativa para o setor de proteínas, dando continuidade aos ajustes negativos da véspera. No ano, contudo, Marfrig sobe ao redor de 95% e JBS acumula valorização de cerca de 120%.

- BRADESCO PN subiu 1,65%, melhor desempenho entre os bancos do Ibovespa, com ITAÚ UNIBANCO PN em alta de 0,68% e BANCO DO BRASIL ON avançando 1,5%. SANTANDER BRASIL UNIT ganhou 0,83%, mas BTG PACTUAL UNIT, que renovou recorde intradia, cedeu 0,38%.

- GERDAU PN fechou em alta de 1,46%. A siderúrgica confirmou à Reuters nesta sexta-feira que está anunciando aumentos de preço de 8% a 12% para os produtos de aço longo no Brasil a partir de janeiro.

- LOG-IN ON, que não está no Ibovespa, encerrou com elevação de 7,03%, após recuar quase 15% no pior momento, no começo do pregão, um dia depois de precificar oferta primária de ações a 14,50 reais por papel - desconto de 20% em relação ao preço de fechamento da quinta-feira, de 18,20 reais.

Prévia da inflação em novembro é a menor taxa para o mês em 21 anos

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que mede a prévia da inflação oficial do país, registrou 0,14% em novembro deste ano. O índice é superior ao observado em outubro (0,09%), mas inferior ao de novembro de 2018 (0,19%).

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), essa é a menor taxa para meses de novembro desde 1998, quando houve deflação (queda de preços) de 0,11%.

O IPCA-15 acumula taxas de 2,83% no ano e de 2,67% em 12 meses. A taxa acumulada em 12 meses é menor que a registrada em outubro (2,72%).

Três dos nove grupos de despesas tiveram deflação e contribuíram para que esse fosse o mês de novembro com menor alta de preços dos últimos 21 anos, com destaque para habitação (-0,22%), influenciada pela redução média do custo da energia elétrica (-1,51%). Também tiveram deflação os artigos de residência (-0,06%) e comunicação (-0,02%).

Seis grupos tiveram alta de preços, com destaque para vestuário (0,68%), transportes (0,30%) e despesas pessoais (0,40%). No vestuário, destacam-se os itens de roupa masculina (1,15%), roupa infantil (0,65%) e roupa feminina (0,49%).

Nos transportes, os principais aumentos vieram da gasolina (0,80%), etanol (2,53%), óleo diesel (0,58%), gás veicular (0,10%) e passagens aéreas (4,44%).

Os alimentos e bebidas também tiveram alta de preços (0,06%), puxadas pela alimentação fora de casa (0,12%) e pelas carnes (3,08%). Outros grupos com inflação foram: saúde e cuidados pessoais (0,20%) e educação (0,04%).

Caged registra criação de 70,8 mil postos de trabalho em outubro

Beneficiada pelo comércio e pelos serviços, a criação de empregos com carteira assinada registrou, em outubro, o sétimo mês seguido de desempenho positivo. Segundo dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, 70.852 postos formais de trabalho foram criados no último mês. O indicador mede a diferença entre contratações e demissões.

Esse foi o melhor nível de abertura de postos de trabalho para outubro desde 2016, quando as admissões superaram as dispensas em 76.599. A criação de empregos totaliza 841.589 de janeiro a outubro, 6,45% a mais que no mesmo período do ano passado. A geração de empregos atingiu o maior nível para os dez primeiros meses do ano desde 2014, quando tinham sido abertas 912.287 vagas no acumulado de dez meses.

Setores

Na divisão por ramos de atividade, cinco dos oito setores pesquisados criaram empregos formais em outubro. O campeão foi o comércio, com a abertura de 43.972 postos, seguido pelos serviços, 19.123 postos. Em terceiro lugar, vem a indústria de transformação com a criação de 8.946 postos de trabalho.

O nível de emprego aumentou na construção civil com a abertura de 7.294 postos e na indústria extrativa mineral, 483 postos. No entanto, três setores demitiram mais do que contrataram: agropecuária, com o fechamento de 7.819 postos; serviços industriais de utilidade pública, categoria que engloba energia e saneamento, 581 postos, e administração pública, 427 postos.

Tradicionalmente, a geração de emprego é mais baixa em outubro. O mês costuma ser marcado pelo reforço no comércio para as contratações de fim de ano. No entanto, a indústria, que reforçou a produção em agosto e em setembro por causa do Natal, desacelera. A agropecuária também dispensa empregados por causa do fim da safra de diversos produtos, como a cana-de-açúcar e café.

Destaques

No comércio, a criação de empregos foi puxada pelo segmento varejista, com a abertura de 36.732 postos formais. O comércio atacadista gerou a abertura de 7.240 vagas. Nos serviços, os destaques foram venda e administração de imóveis, com 14.040 postos; transportes e comunicações, 4.348 postos, e serviços médicos, odontológicos e veterinários, 3.953 postos.

Na indústria de transformação, a criação de empregos foi impulsionada pela indústria de produtos alimentícios e de bebidas, com 3.344 postos; pela indústria de calçados, 1.890 postos, e pela indústria madeireira e de móveis, com 1.166 postos de trabalho.

Regiões

Todas as regiões brasileiras criaram empregos com carteira assinada em outubro. O Sul liderou a abertura de vagas, com 27.304 postos, seguido pelo Sudeste com 21.776 postos e pelo Sudeste com 15.980 postos. O Norte criou 4.315 postos de trabalho e o Centro-Oeste abriu 1.477 postos formais no mês passado.

Na divisão por unidades da Federação, 23 estados geraram empregos no mês passado. As maiores variações positivas no saldo de emprego ocorreram em Minas Gerais com a abertura de 12.282 postos; São Paulo, 11.727 postos; Santa Catarina, 11.579 postos, e Rio Grande do Sul, 8.319 postos de trabalho. As unidades da Federação que registraram o fechamento de vagas formais foram Rio de Janeiro, 9.942; Distrito Federal, 1.365; Bahia, 589, e Acre, 367.

Fonte: Reuters

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