Bolsas dos EUA fecham em queda com nervosismo econômico e comercial

Publicado em 02/12/2019 21:35
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NOVA YORK (Reuters) - Os principais índices de ações dos Estados Unidos fecharam em queda nesta segunda-feira, se afastando de recordes da semana passada, com fracos dados de atividade manufatureira nos EUA e renovadas preocupações comerciais mantendo os compradores de lado.

O Dow Jones caiu 0,95%, para 27.784,06 pontos. O S&P 500 perdeu 0,86%, para 3.113,98 pontos. E o Nasdaq Composto recuou 1,12%, a 8.567,99 pontos.

Um relatório do Instituto de Gestão do Fornecimento (ISM, na sigla em inglês) mostrou que a atividade manufatureira dos EUA contraiu em novembro pelo quarto mês consecutivo, alimentando preocupações de que o mais longo período de expansão econômica na história norte-americana possa estar perdendo força.

"Os dados manufatureiros mais fracos do que o previsto não ajudam", disse Oliver Pursche, estrategista-chefe de mercado da Bruderman Asset Management em Nova York. "É provável que essa tendência continue no curto prazo".

"A questão é se os consumidores continuarão mantendo a economia em alta", acrescentou Pursche. "E, até agora, os dados preliminares sobre os gastos da Black Friday são muito positivos. É um grande número."

Espera-se que as vendas da "Cyber ​​Monday" batam recorde após os 11,6 bilhões de dólares em vendas online no Dia de Ação de Graças e na Black Friday.

Mais cedo na sessão, o presidente dos EUA, Donald Trump, escreveu no Twitter que restauraria as tarifas do aço e alumínio importado do Brasil e da Argentina. A notícia impulsionou ações das siderúrgicas norte-americanas U.S. Steel Corp e AK Steel Holding Corp em 4,2% e 4,7%, respectivamente.

Foi o mais recente sinal de que as relações comerciais entre EUA e seus parceiros comerciais globais continuará a dominar os mercados e afetar o crescimento econômico mundial.

Uma assessora sênior do presidente norte-americano, Donald Trump, disse nesta segunda-feira que um acordo comercial entre Estados Unidos e China ainda é possível antes do final do ano, acrescentando que a primeira fase do acordo está sendo passada para o papel.

Dos 11 principais setores do S&P 500, apenas os de consumo básico e energia encerraram a sessão em território positivo.

A queda dos mercados de ações nesta sessão dos EUA levou ao menos um grande investidor a pagar 31 milhões de dólares para comprar opções de ações para proteção contra um recuo maior das ações no início do próximo ano.

Câmbio é flutuante, reforça Campos Neto após ameaças de Trump

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, aproveitou evento de final de ano da Febraban nesta segunda-feira para reforçar mensagem de que a autoridade monetária não atua no mercado de câmbio visando patamares específicos para o dólar.

"O câmbio é flutuante e o Banco Central só vai atuar quando entender que é necessária alguma intervenção", afirmou Campos Neto, acrescentando que a alta recente do dólar foi influenciada pela frustração de investidores com os resultados de leilões de petróleo.

As declarações de Campos Neto vieram poucas horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que vai retomar tarifas sobre as importações norte-americanas de aço e alumínio do Brasil e da Argentina pelo fato de os dois países estarem promovendo "uma forte desvalorização de suas moedas".

Campos Neto afirmou que, para 2020, a expectativa é que haverá um grande fluxo de recursos para o país. Ele destacou que medida sobre hedge cambial em análise na Receita Federal vai ajudar a atrair mais investimentos estrangeiros ao país.

Como já anunciado, a ideia da proposta é que os ganhos e perdas com hedge contratado por investidores de longo prazo em infraestrutura possam se compensar, de forma que a taxação só aconteça sobre um eventual ganho líquido.

Mais cedo, em evento do Bank of America em São Paulo, Campos Neto reiterou sinalização de corte de 0,50 ponto percentual da Selic no próximo dia 11.

"A consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir um ajuste adicional, de igual magnitude ao realizado na reunião de outubro", disse Campos Neto, segundo apresentação publicada no site do BC.

A repetição do trecho --já contido na ata da última reunião do Copom e no texto do comunicado-- veio num momento em que o mercado reduz apostas em corte de 0,50 ponto do juro em dezembro, na esteira do salto do dólar ao longo de novembro, movimento que pode alimentar inflação.

Nesse contexto, Campos Neto disse, em 20 de novembro, que se a alta do dólar impactar as expectativas para a inflação o BC deve agir via juro, e não pelo câmbio. Na ocasião, a frase levantou ainda mais dúvidas sobre a disposição do BC em reduzir a Selic na mesma magnitude que em outubro, provocando mais ajuste nas apostas do mercado para a política monetária.

Em outubro, o Banco Central cortou a Selic em 0,50 ponto percentual, para uma mínima histórica de 5,00% ao ano.

Campos Neto repetiu na apresentação no BofA que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa --com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

"Os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação", disse o presidente do BC no documento.

CHEQUE ESPECIAL

Em discurso, Campos Neto, afirmou que a medida recente da autarquia para o cheque especial, que implicou a fixação de um teto de 8% ao mês para os juros cobrados nessa modalidade de crédito, não teve como objetivo "tabelar taxas".

"Medida direcionada ao cheque especial foi altamente embasada em questões técnicas, já vinha sendo discutida com os bancos", afirmou Campos Neto ao participar de almoço de final de ano da Febraban.

A entidade, que representa os bancos, criticou na semana passada a medida do BC, que também autorizou os bancos a cobrar uma tarifa para a disponibilização de limite de cheque especial superior a 500 reais. Em nota, a Febraban afirmou ver com preocupação "a adoção de limites oficiais e tabelamentos de preços de qualquer espécie".

Nesta segunda, Campos Neto destacou que o Banco Central considera importante reduzir o custo da intermediação financeira e ponderou que grande parte do movimento de queda de juros tem chegado ao consumidor.

Bolsonaro diz que aguardará gestões de Guedes com EUA para decidir se telefona para Trump

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro disse que vai aguardar as gestões que o ministro da Economia, Paulo Guedes, está fazendo junto às autoridades dos Estados Unidos para então decidir se telefonará para o presidente dos EUA, Donald Trump, após ele anunciar no Twitter nesta segunda-feira que elevará tarifas sobre o aço e o alumínio que o Brasil vende ao país.

"Paulo Guedes está entrando em contato com o governo americano, com seus correspondentes, para tratar deste assunto. Em última análise... eu ligarei para o presidente Trump", disse Bolsonaro em entrevista à TV Record.

"Sabemos que tem eleições ano que vem, isso faz parte da sua estratégia política, mas somos um grande parceiro. Acreditamos que dá para solucionar essa questão", acrescentou o presidente, referindo-se à eleição presidencial de 2020 nos Estados Unidos, quando Trump buscará a reeleição.

Mais cedo, o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, já havia dito que Bolsonaro vai avaliar a conveniência de telefonar para Trump.

Segundo o porta-voz, Bolsonaro determinou aos ministérios da Economia, das Relações Exteriores e da Agricultura que adotem medidas necessárias a fim de trazer uma solução para o assunto "que atenda os interesses dos dois países".

"Não temos a profundidade devida para tomarmos uma solução de pronto", disse Rêgo Barros, ao destacar ser "óbvio" que o presidente acompanha o tema com "muito interesse" por ser fator importante para a balança comercial brasileira.

Durante o briefing à imprensa no Palácio do Planalto, o porta-voz  disse que seria "intempestivo" da parte de Bolsonaro, ainda sem ter conhecimento de todos os dados, de realizar uma  ligação para Trump para discutir a questão da sobretaxa dos minérios.

Ainda assim, segundo Rêgo Barros, Bolsonaro entende que a medida tomada pelos Estados é "unilateral", mas ele tem a oportunidade de falar direto com o presidente dos Estados Unidos.

Por ora, repetindo discurso anterior de outras autoridades brasileiras, o porta-voz disse que a conversa sobre o tema está em nível técnico. Ele exemplificou que se deve falar sobre a valorização ou sobrevalorização do real frente ao dólar.

Trump justificou a retomada da taxação de aço e alumínio do Brasil e da Argentina pelo fato de, segundo ele, os dois países estarem promovendo uma "forte desvalorização" de suas moedas.

Bolsonaro diz estar feliz com casamento com Guedes e defende cuidado com dosagem da reforma administrativa

(Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira estar feliz com o "casamento hétero" com o ministro Paulo Guedes e com os resultados na economia e defendeu cuidado na dosagem da reforma administrativa, que deve ser apresentada ao Congresso apenas no ano que vem.

"Eu estou muito feliz com esse casamento hétero com o Paulo Guedes na questão da economia, e ele em grande parte é um dos responsáveis pelo nosso governo hoje em dia, no meu entender, ter mais de 50% de apoio por parte da sociedade", disse o presidente em entrevista à rádio Itatiaia.

Bolsonaro reconheceu na entrevista que a reforma da Previdência, aprovada pelo Congresso neste ano, é uma medida amarga, mas que a população entendeu a necessidade dela.

O presidente disse ainda que uma simplificação tributária é muito bem-vinda, mas ressaltou que não adianta mandar ao Congresso o que o governo acha ideal, mas sim o que é possível de ser aprovado. E defendeu a importância do tempo político e de se saber "dosar o remédio" nas reformas.

"As demais reformas são importantes sim, a questão da administrativa é a questão do tempo, nós temos que saber a dosagem, porque às vezes o remédio muito forte pode transformar-se em um veneno, e essa preocupação existe, a equipe econômica entendeu", disse Bolsonaro.

O projeto de reforma administrativa a ser encaminhado pelo governo Bolsonaro ao Legislativo deve propor uma reformulação nas carreiras do setor público, assim como alterações nas regras existentes para os servidores.

Inicialmente a expectativa era de que a proposta fosse encaminhada pelo governo ao Congresso no início de novembro, mas na semana passada o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barro, disse que isso só deve ocorrer no início de 2020.

"Eu sei que lá (no Ministério da Economia) o pessoal pensa muito em números, mas a parte social e política fica pelo meu encargo aqui. Assim como ouço o Paulo Guedes 90% do que ele fala, ele me ouve 90% da minha posição política. Estamos perfeitamente alinhados", acrescentou.

Fonte: Reuters

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