Brasil economizará o equivalente a 3 Bolsas-Famílias (R$ 96 bi) com redução de juros, diz agência chinesa

Publicado em 06/12/2019 16:00 e atualizado em 08/12/2019 12:57
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Xinhua (agência de informação estatal chinesa) destaca as modificações na economia brasileira em sua página mundial. Título: "Governo brasileiro afirma que economizará US$ 23 bilhões em juros da dívida pública em 2020"

Rio de Janeiro, 6 dez (Xinhua) -- O ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, disse nesta sexta-feira que o governo vai poupar em 2020, 96 bilhões de reais (US$ 23 bilhões) em pagamento de juros sobre a dívida pública, como resultado da queda da taxa básica de juros Selic, atualmente em 5% por ano, seu menor nível histórico.

Segundo Guedes, os juros baixos permitirão o governo a "gastar menos e melhor" os recursos financeiros disponíveis.

"Os juros cairão 96 bilhões de reais em 2020, o equivalente a três fundos da Bolsa Família ", afirmou o ministro em um seminário sobre saneamento básico promovido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

"Diferente do governo anterior, em que as taxas de juros curtas caíram, mas as longas, não, agora, as longas também começaram a cair", enfatizou.

A Selic iniciou o ano em 6,5% anual e foi reduzida gradualmente pelo Comitê de Política Monetária (Copom) devido à inflação controlada e como meio para estimular a atividade econômica.

Guedes abriu seu discurso reiterando que o grande problema do Brasil nos últimos 40 anos foi "o excesso de gastos, que alcançou 45% do PIB", o que exigia que o atual governo promovesse reformas estruturais.

"O controle de gastos era, portanto, indispensável para nós e está por trás de tudo que estamos fazendo", disse o ministro.

Segundo Guedes, os principais vilões do controle de gastos eram os "privilégios em matéria de segurança social" e o pagamento dos juros da dívida pública e assegurou que parte do problema com excesso de gastos foi resolvido com a aprovação da reforma da Previdência Social, que derrubou os juros a longo prazo.

"O Brasil reconstrói a Europa durante todo o ano sem sair da miséria", enfatizou o ministro, ao afirmar que os pagamentos de juros equivalem à quantidade desembolsada pelo Plano Marshall para reconstruir os países aliados depois da Segunda Guerra Mundial.

Além de citar as reformas, Guedes enfatizou a reestruturação do enfoque do BNDES, que segundo ele tinha se convertido em "uma máquina para fazer campeões do mundo", já que os recursos de crédito disponíveis através dos bancos públicos foram capturados pelos que têm mais poder político e econômico. "Ninguém pode se converter em campeão do mundo financiado com dinheiro público", afirmou.

Sobre o tema do seminário, o ministro da Economia defendeu mais volume de investimentos no saneamento básico e em projetos sociais de saneamento que, segundo ele, se refletem na educação e na saúde.

De acordo com Guedes, o BNDES será o encarregado de líder dos investimentos em saneamento no país. "O 'S' de saneamento é a nova viga mestre do novo BNDES. É um legado que o novo BNDES, em seu papel de articulador dessas politicas, quer deixar", acrescentou.

No Rio, Guedes diz que não há razão para pessimismo no país (Agência Brasil)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que não há razão para pessimismo no Brasil. Na visão dele, o país passa por um período de desenvolvimento institucional extraordinário. “Estou vendo instituições brasileiras robustas, florescendo e se aperfeiçoando. Não há nenhuma razão para pessimismo. O Brasil está avançando institucionalmente”, disse ao participar da abertura do encontro BNDES com ‘S’ de Social e de Saneamento, na sede do banco, no centro do Rio de Janeiro: “[O Brasil] vai voltar a crescer fazendo a coisa certa, aperfeiçoando as suas instituições”.

Guedes voltou a defender a desoneração da folha de pagamento. Segundo ele, um país que tem imposto sobre folha de pagamento e duplica o custo da mão de obra, não quer gerar emprego. “Os impostos sobre folha de pagamento são o imposto mais cruel, armas de destruição em massa de empregos. Dezenas de milhões de empregos são destruídos por estes impostos excessivos sobre a folha de pagamento. É um crime contra o trabalhador brasileiro”, afirmou.

Saneamento

Ele destacou ainda que o BNDES está voltando às suas funções, com financiamento a projetos sociais e de saneamento, que vão se refletir em educação e saúde. O ministro chamou a atenção para a situação de crianças que morrem no país por falta de saneamento: “Como vamos salvar as crianças se elas não tiverem sequer saúde, por falta de saneamento?”.

“A mortalidade infantil é brutal. Se a criança brinca sem água, sem saneamento, saúde, não tem nada lá embaixo, morre cedo, pega doenças letais. Esse é um crime contra as crianças brasileiras”, completou.

“O S de saneamento é viga mestra no novo BNDES. É um legado que o novo BNDES, no papel de articulador dessas políticas, quer deixar”.

Segundo o ministro, durante a campanha eleitoral e depois, na elaboração do programa de governo Bolsonaro, a equipe diagnosticou o crescimento descontrolado dos gastos públicos durante três, quatro décadas: “Isso causou hiperinflação, moratória externa, congelamento de preços, sequestro de ativos financeiros e, mais recentemente, juros muito altos, impostos elevados, corrupção no sistema democrático nacional.”.

Guedes disse ainda que esse excesso de gastos, que chegou a 45% do PIB, foi a fonte de vários desacertos e disfunções, não só do sistema econômico, como do sistema politico. Para ele, os governadores são eleitos e não conseguem realizar os projetos necessários devido a dificuldade dos orçamentos estaduais. “Da mesma forma queremos descentralizar os recursos públicos. O povo está nos estados e nos municípios.”

Previdência

Paulo Guedes afirmou que o excesso de gastos é apenas uma dimensão do problema, sendo a outra a má gestão dos recursos públicos. No entanto, de acordo com ele, um dos principais problemas do governo foi resolvido com a reforma da Previdência, que derrubou os juros de longo prazo. “Já estão a 5% e continuam descendo. Ao contrário do governo anterior, em que os juros baixos desceram, mas os longos não acompanharam, porque havia o desequilíbrio fiscal. Dessa vez, como fizemos a Previdência, demos um horizonte de 25 anos de estabilidade, pelo menos no controle desses gastos”, disse.

O ministro disse ainda que o governo tem acelerado as privatizações e o BNDES tem realizado as devoluções dos recursos aplicados pelo governo federal, no passado recente. “O BNDES, na linguagem popular, foi pedalado. Pedalaram o BNDES, com quadro técnico extraordinário, gente espetacular, de ótima qualidade, mas a missão era estreita: alavancar campeões nacionais, parte da gigantesca máquina de transferência perversa de renda. No Brasil, quem tem mais poder econômico ou político captura orçamentos públicos. Os recursos são desviados da finalidade principal que seria ajudar as populações mais pobres”, apontou.

O ministro negou que o redirecionamento dos recursos do banco seja contrário aos projetos da iniciativa privada. “Somos totalmente favoráveis à iniciativa privada. Nada contra, mas pelas suas próprias pernas. Ninguém pode virar campeão nacional, bombado pelo governo. Isso é uma na alocação de recursos e principalmente se depois isso vira dinheiro de campanha para financiar quem o financiou previamente. Isso é um absurdo. É corrupção no melhor estilo da própria confissão que foi feita.”

Fonte: Agência Brasil

1 comentário

  • FABIO LUIS ANZANELLO GIOCONDO Arapongas - PR

    O Professor Paulo Guedes está dando show de economia e cidadania, algo que os governantes passados desprezaram.....

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