Declaração de Trump sobre US$ 50 bi em compras agrícolas nos EUA é ousada, dizem especialistas

Publicado em 13/12/2019 18:27 e atualizado em 15/12/2019 19:29
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A disputa comercial entre China e Estados Unidos já dura quase dois anos. Em todo esse período, os números mais diversos foram especulados, debatidos, noticiados e dessa vez não é diferente. A declaração do presidente norte-americano Donald Trump de que a China deverá comprar US$ 50 bilhões em produtos agrícolas, novamente, causa estranheza.

Afinal, em anos 'normais', antes do conflito, o recorde das compras da nação asiática nos EUA foi em 2014, com importações no valor de US$ 24,2 bilhões, ou, cerca de 16% sobre o total exportado pelos EUA no valor de US$ 150 bilhões. Em 2017, foram US$ 19,5 bilhões, ou 14% das exportações de US$ 138,2 bilhões.

"Acho que esse número é uma bravata do Trump", explica Liones Severo, diretor do SIMConsult, confrontando os números. Além disso, como noticiam as agências internacionais, a China ainda não confirma esses US$ 50 bilhões ditos pelo presidente americano.

Ainda segundo Severo, é preciso estar atento às informações, porém, sem ignorar o histórico e os detalhes dos números. "Algumas definições já existem - como a redução de 25% sobre US$ 360 bilhões em produtos chineses e a suspensão dos US$ 160 bilhões que aconteceria neste dia 15. Mas, sem dúvida, se o Trump insistir nos chineses assinarem o compromisso de algo entre US$ 49 e US$ 50 bilhões, eles não poderão se comprometer e o acordo (para a fase um) pode fracassar", diz.

A especialista da Reuters Internacional, Karen Braun, também tenta encontrar uma explicação para o montante de Trump. Em sua conta no Twitter, Karen diz: "sigo tentando pensar em brechas para a China conseguir comprar US$ 50 bilhões em produtos agrícolas. Máquinas e implementos não são 'produtos agrícolas', mas e se incluírem isso? Depois de procurar os números, ainda são insuficientes". 

E ela traz mais números, ligeiramente mais específicos, do Escritório de Representantes do Comércio dos EUA (USTR), de que a China teria firmado um consistente compromisso de comprar cerca de US$ 32 bilhões em produtos agrícolas nos próximos dois anos. 

Como explicou o analista de mercado Luiz Fernando Gutierrez, da Safras & Mercado, "pouco se sabe ainda sobre o acordo", principalmente sobre as cláusulas, volumes, datas e de que forma as compras chinesas acontecerão no mercado norte-americano.

"Fizemos um acordo muito grande com a China. Eles concordaram com muitas mudanças estruturais e compras maciças de produtos agrícolas, energia e bens manufaturados, além de muito mais. As tarifas de 25% permanecerão como estão, com 7 1/2% em grande parte do restante. As tarifas estabelecidas para 15 de dezembro não serão cobradas pelo fato de termos feito o acordo. Começaremos as negociações sobre o acordo da segunda fase imediatamente, em vez de esperar até depois das eleições de 2020. Este é um negócio incrível para todos. Obrigado!", declarou Trump pelo Twitter nesta sexta-feira (13). 

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Segundo a agência internacional de notícias Bloomberg, o texto tem novo capítulos e contempla temas como propriedade intelectual, transferência forçada de tecnologia, alimentos e produtos agrícolas, finanças, moeda e transparência,  comércio, avaliação bilateral e resolução de disputas. E fontes afirmam ainda que os dois lados estão comprometidos em concluir as etapas finais de revisão e tradução legal o mais rápido possível para que seja feita a assinatura. 

E PARA O BRASIL?

A notícia do acordo, inevitavelmente, preocupa os produtores brasileiros. Entretanto, todos os especialistas ouvidos pelo Notícias Agrícolas afirmam que as relações entre Brasil e China são extremamente consistentes e com expressivo potencial de crescimento. 

"Em primeiro lugar, não houve ainda a publicação dos textos dizendo como esse acordo se dará, então não podemos nos antecipar muito. Mas o que temos dito já aqui no Ministério da Agricultura que não é uma questão de se haverá um acordo entre China e EUA, mas quando haverá o acordo, e se não for agora, será no futuro. Mas imaginar que essa disputa vai se estender para sempre não corresponde à realidade", diz Flávio Betarello, secretário adjunto de Comércio e Relações Internacionais do MAPA. 

No link abaixo, veja a íntegra da entrevista de Betarello ao Notícias Agrícolas:

>> Vice-ministro da Administração-Geral de Aduanas da China vem para fortalecer e facilitar comércio de produtos agrícolas

Dessa forma, o executivo - que esteve em reunião com o vice-ministro da Administração-Geral de Aduanas daquele país (GACC), Li Guo -  explica ainda que é importante que haja uma "resiliência do sistema", mantendo o Brasil em uma posição "confortável" na China e em demais mercados diante de cenários como este.  

Para Liones Severo, também não há sinais de alerta para o Brasil diante dessas resoluções. "O governo chinês vai instituir cotas como já era para todas as importações, exceto soja, que agora também entra neste sistema. Liberar cotas para os importadores não significa que irão comprar a soja americana, que está mais cara que a soja brasileira", diz.

Redução de tarifas sobre produtos chineses divide opinião nos EUA (Agência Brasil)

A população nos Estados Unidos está dividida quanto ao plano do governo de reduzir tarifas sobre produtos chineses.

A administração Trump anunciou, na sexta-feira (13), que tinha concluído a Fase 1 do acordo comercial com a China, que inclui a primeira redução de tarifas americanas impostas desde o ano passado.

A Câmara de Comércio dos Estados Unidos recebeu de bom grado a notícia, chamando-a de "um desdobramento muito positivo" e "um presente para empresas e consumidores americanos".

FILE PHOTO: A U.S. dollar banknote featuring American founding father Benjamin Franklin and a China's yuan banknote featuring late Chinese chairman Mao Zedong are seen among U.S. and Chinese flags in this illustration picture taken May 20, 2019.

EUA e China anunciaram na sexta-feira (13) a conclusão de acordo comercial - Jason Lee/reuters/direito reservados

O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, no entanto, criticou o acordo, dizendo que há enormes desigualdades estruturais na relação comercial entre a China e os Estados Unidos. Ele acrescentou que o presidente Donald Trump tinha entregado tudo por uma promessa temporária e não confiável de a China de adquirir soja.

A organização Farmers for Free Trade disse que agricultores querem um acesso sustentável ao mercado chinês, e não apenas aquisições únicas, e que o grupo merece um acordo abrangente que acabe com a guerra comercial de uma vez e para todos.

Trump insistiu que o pacto irá beneficiar de forma significativa agricultores americanos. Ele disse a repórteres que importações de produtos agropecuários por parte da China iriam chegar a 50 bilhões de dólares por ano. O presidente americano considerou o acordo como sendo o maior de todos os tempos, e afirmou que irá abrir mercados da China.

China e EUA concordam com texto da "primeira fase" do acordo comercial, diz Xinhua

Beijing, 14 dez (Xinhua) -- A China e os Estados Unidos concordaram com o texto da "primeira fase" de um acordo econômico e comercial baseado no princípio de igualdade e respeito mútuo.

O texto inclui nove capítulos: prefácio; direitos de propriedade intelectual; transferência tecnológica; alimentos e produtos agrícolas; serviços financeiros; taxa de câmbio e transparência; expansão comercial; avaliação bilateral e resolução de disputas; e termos finais, de acordo com um comunicado publicado pela parte chinesa na noite de sexta-feira.

Ambos os lados chegaram ao consenso de que os EUA cumprirão seus compromissos de eliminar gradualmente suas tarifas adicionais sobre produtos chineses, de modo a conseguir uma mudança da escalada para o corte de tarifas adicionais.

O lado chinês acredita que a China e os EUA, as duas maiores economias do mundo, devem tratar das relações econômicas e comerciais bilaterais levando em consideração o panorama global. Atingindo um acordo que atenderá aos interesses fundamentais dos povos de ambos os países e da população mundial, e espera-se que exerça uma influência positiva nas áreas de economia, comércio e investimento, bem como no mercado financeiro.

O acordo, no geral, está em concordância com a principal direção do aprofundamento da reforma e abertura da China, assim como com as necessidades internas de promover o desenvolvimento econômico de alta qualidade.

A implementação do acordo ajudará a reforçar a proteção dos direitos de propriedade intelectual, melhorar o ambiente empresarial, expandir o acesso ao mercado, salvaguardar melhor os direitos e interesses legítimos de todas as empresas incluindo as estrangeiras que atuam na China, e proteger os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas em suas atividades econômicas e comerciais com os EUA.

Com a expansão do mercado doméstico da China, as empresas chinesas importarão mais bens e serviços competitivos e de alta qualidade de países incluindo os EUA sob as regras da OMC e também sob as regras de mercado e princípios comerciais. O aumento nas importações é conducente a impulsionar a atualização do consumo no país e satisfazer as crescentes demandas do povo chinês por uma melhor qualidade de vida.

O acordo ajudará os dois países a fortalecer a cooperação econômica e comercial, administrar, controlar e resolver efetivamente as diferenças, e promover o desenvolvimento estável das relações econômicas e comerciais bilaterais.

Visto que a economia global segue enfrentando uma pressão descendente, o acordo aumentará a confiança do mercado global, estabilizará as expectativas de mercado, e criará ambiente favorável para as atividades normais nos setores econômico, comercial e de investimentos.

Ambos os lados concordaram em concluir seus procedimentos necessários incluindo revisão legal, tradução e correção o mais breve possível, e discutir as disposições detalhadas para a assinatura oficial do acordo.

Após a assinatura, espera-se que ambos os lados cumpram e implementem seriamente as provisões da "primeira fase" do acordo, façam mais para promover o desenvolvimento dos laços econômicos e comerciais bilaterais, assim como a estabilidade econômica e financeira global, e salvaguardem a paz e a prosperidade do mundo, concluiu a agencia estatal chinesa Xinhua. 

Analistas veem ganho para Brasil com acordo entre Estados Unidos e China (no Estadão)

Aumento do comércio mundial compensaria queda pontual de exportações para a China (por André Ítalo Rocha e Renée Pereira, de O Estado de S.Paulo)

O crescimento econômico global e o avanço do comércio internacional poderão mais que compensar as perdas que o Brasil terá no setor agrícola após o acordo entre Estados Unidos e China. Na avaliação de economistas, com a economia mundial mais forte, há uma perspectiva positiva em relação às commodities metálicas, como o minério de ferro, que são importantes para o Brasil.

Para o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otavio Leal, o avanço nas negociações entre Estados Unidos e China melhora as perspectivas para o crescimento mundial em 2020 e, portanto, é positivo para o Brasil, apesar de haver a possibilidade de o acordo prejudicar as exportações de commodities agrícolas brasileiras para os chineses. “Qualquer avanço nas conversas diminui a probabilidade de rompimento, o mercado fica mais tranquilo e o crescimento mundial pode surpreender pra cima.”

O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa, tem opinião semelhante. Na avaliação dele, o Brasil perderá em termos marginais uma demanda que teria a mais caso houvesse uma substituição de importações chinesas do Brasil em detrimento dos Estados Unidos. “Entretanto, o que podemos ganhar com a ampliação do crescimento global e do comércio mais do que compensa esse possível ganho agrícola, que é muito mesquinho.”

Otimismo

No agronegócio, no entanto, as previsões são otimistas. Durante a briga com os Estados Unidos, os chineses elevaram suas importações do Brasil, especialmente de soja. Com um acordo, eles poderiam voltar a comprar grãos dos americanos e diminuir a demanda pelo produto brasileiro.

Mas na opinião do vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Gustavo Chavaglia, o Brasil conseguiu – nesse período de divergências entre China e Estados Unidos – consolidar as relações com o país asiático, atendendo toda a demanda existente. “Fomos uma boa alternativa para a China porque temos capacidade de suprir as necessidades deles.”

Ele conta que, nos últimos meses, recebeu uma série de delegações chinesas para conhecer as instalações brasileiras. Todas tinham o mesmo questionamento, se o Brasil teria capacidade de atender a demanda deles. “Respondemos isso na prática”, afirmou o executivo da Aprosoja Brasil. Nesse movimento, as exportações subiram de 75 milhões para 90 milhões de toneladas – um aumento de 20% em relação ao período anterior. 

Pelo esforço dos últimos meses, ele acredita que o Brasil ficará com uma grande fatia do mercado chinês. Para a próxima safra (19/20), a expectativa é de produzir 123 milhões de toneladas de soja, se as condições climáticas não se alterarem. Isso significaria um aumento 6% em relação a última safra. “E não trabalhamos com queda nas exportações. Estamos otimistas.”

Leal, do Banco ABC Brasil, acrescenta que a China deve aumentar a sua demanda por grãos, em razão da gripe suína. “Eles vão ter de recompor seus rebanhos de porcos com outra qualidade para evitar novos episódios.”

Acordos bilaterais

No setor de carnes, o acordo entre China e Estados Unidos também não deve ter efeitos negativos. A diretora executiva da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Liège Nogueira, explica que o tipo de produto exportado pelo Brasil para a China é diferente daquele vendido pelos Estados Unidos. “Todo aumento de exportação que tivemos recentemente é resultado de trabalhos para fechar acordos bilaterais, não por causa da guerra comercial entre os dois países.”

A executiva afirma, entretanto, que uma possível retomada de compras de carnes gourmets dos Estados Unidos pode afetar o preço mundial e, logicamente, o Brasil. Mas ela não acredita que isso vá mudar os planos do setor, que trabalha para habilitar novas plantas no ano que vem para exportar para a China

Donald Trump - Xi Jinping

Trump e Xi durante encontro bilateral, na cúpula do G-20, em Osaka, Japão   Foto: Kevin Lamarque/Reuters

Na Reuters: Acordo comercial EUA-China condiciona redução de tarifas a compras de produtos agrícolas

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WASHINGTON/PEQUIM (Reuters) - Os Estados Unidos e a China amenizaram sua guerra comercial nesta sexta-feira, anunciando a "fase um" de um acordo que reduz algumas tarifas dos EUA em troca do aumento das compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos e outros bens.

Pequim concordou em comprar 32 bilhões de dólares em produtos agrícolas adicionais nos próximos dois anos, disseram autoridades dos EUA, a partir dos 24 bilhões de dólares adquiridos em 2017, antes do início da guerra comercial. A China também aumentaria as compras de bens manufaturados, energia e serviços dos EUA.

Os Estados Unidos suspenderiam tarifas sobre produtos chineses que entrariam em vigor no próximo domingo e reduziria outras, disseram autoridades. A expectativa é que um acordo seja assinado na primeira semana de janeiro, em Washington, pelos principais negociadores.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse no Twitter na manhã desta sexta-feira: "Concordamos com um acordo muito grande da primeira fase com a China". As autoridades chinesas "concordaram com muitas mudanças estruturais e compras maciças de produtos agrícolas, energia e manufaturados, além de muito mais", afirmou ele.

Posteriormente, durante uma entrevista coletiva na Casa Branca, Trump disse achar que a China alcançaria o valor de 50 bilhões de dólares em compras agrícolas.

Em uma coletiva de imprensa na noite de sexta-feira em Pequim, autoridades chinesas disseram que os dois países alcançaram grandes progressos em suas negociações comerciais para a primeira fase e que concordaram com o texto de um acordo, mas não ofereceram detalhes específicos sobre a quantidade de mercadorias norte-americanas que Pequim concordou em comprar.

O acordo foi anunciado quando o Comitê Judiciário da Câmara dos EUA votou em Washington para acusar Trump de abuso de poder e obstrução durante um inquérito de impeachment.

Alguns grupos empresariais dos EUA saudaram o acordo como um fim à incerteza que tem desacelerado o crescimento global. Críticos questionaram se a guerra comercial valia as perdas de empregos e a queda nas vendas.

Os mercados norte-americanos oscilaram com base em rumores e vazamentos sobre a negociação comercial nos últimos meses, mas tinham poucas variações nesta sexta com a notícia do acordo.

COMPRAS AGRÍCOLAS

A China concordou em tentar comprar 50 bilhões de dólares em produtos agrícolas por ano, disse Robert Lighthizer, representante de comércio dos Estados Unidos, a repórteres na Casa Branca nesta sexta-feira.

Para alcançar a marca, Pequim se comprometeu a comprar 16 bilhões de dólares a mais por ano em produtos agrícolas pelos próximos dois anos, disse ele.

Os Estados Unidos têm pressionado pelo valor de 50 bilhões de dólares depois de Trump dizer, durante entrevista coletiva em 11 de outubro, que os dois países haviam concordado com a "Fase um" de um acordo comercial, a qual incluía "uma compra de 40 (bilhões de dólares) a 50 bilhões de dólares em produtos agrícolas".

Desde então, Pequim se recusou a se comprometer a comprar uma quantidade específica de produtos agrícolas durante um certo período de tempo. As autoridades chinesas disseram que gostariam de poder comprar com base nas condições do mercado.

A China importará mais trigo, milho e arroz dos EUA após o acordo, disse o vice-ministro da Agricultura da China nesta sexta-feira, sem dar detalhes.

A China não foi um grande comprador de milho, trigo ou arroz nos EUA no passado, embora nos últimos anos tenha sido o terceiro ou quarto maior comprador de uma variedade específica de trigo, o trigo de primavera dos EUA utilizado para blends com outros cereais.

A China foi um dos cinco principais compradores de milho dos EUA entre 2011 e 2014, mas, desde então, não tem sido um grande comprador.

A soja representou metade das compras agrícolas da China em 2017. Foi aberto, desde então, um buraco na demanda, porque os rebanhos de porcos que se alimentam da oleaginosa foram reduzidos pela peste suína africana.

Questionados especificamente sobre o número de 50 bilhões de dólares citado por Trump, autoridades de Pequim disseram nesta sexta-feira que detalhes sobre o valor serão divulgados depois.

Lighthizer não forneceu detalhes sobre os compromissos chineses de importar energia dos EUA ou outros produtos.

REDUÇÕES TARIFÁRIAS

Os EUA concordaram em suspender as tarifas sobre 160 bilhões de dólares em produtos chineses, que entrariam em vigor em 15 de dezembro, disse Trump no Twitter, além de reduzir algumas tarifas existentes para 7,5%.

As alíquotas de 15 de dezembro --que alcançariam quase 160 bilhões de dólares em bens de consumo fabricados na China, incluindo telefones celulares, laptops, brinquedos e roupas-- deveriam entrar em vigor às 00h01 do domingo. O escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) precisaria registrar um aviso no Diário Oficial dos EUA para rescindi-las, dizem advogados de comércio dos EUA.

Um comunicado divulgado pelo USTR nesta sexta-feira não mencionou as tarifas de 15 de dezembro, mas disse que os Estados Unidos manteriam tarifas de 25% sobre 250 bilhões de dólares em mercadorias chinesas.

Já para outra lista de importações chinesas, equivalente a 120 bilhões de dólares, o governo Trump diminuirá a taxa tarifária pela metade, para 7,5%, sobre 120 bilhões de dólares, cobrada desde 1º de setembro.

Entre os produtos a serem beneficiados com tarifas mais baixas estão aparelhos de televisão de tela plana, alto-falantes inteligentes, fones de ouvido Bluetooth e muitos tipos de calçados.

A China também concordou em suspender tarifas retaliatórias, visando bens que variam de milho e trigo a veículos norte-americanos e autopeças, que entrariam em vigor em 15 de dezembro.

PROTEÇÕES À PROPRIEDADE INTELECTUAL

Inicialmente, a Casa Branca sob o governo Trump havia estabelecido planos ambiciosos para reestruturar o relacionamento dos Estados Unidos com a China, incluindo tratar dos resultados da investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA em 2018, que concluiu haver práticas "injustas, irracionais e que distorcem o mercado" por parte de Pequim.

De forma bipartidária, existe amplo apoio à tentativa de Trump de responsabilizar a China por anos de espionagem econômica, ataques cibernéticos, transferência forçada de tecnologia e a tática de redução do preço feitos via pesados ​​subsídios do governo.

O acordo desta sexta-feira abarca propriedade intelectual, transferência de tecnologia, agricultura, serviços financeiros, moeda e câmbio, disse o Representante de Comércio dos Estados Unidos em comunicado.

O acordo fornecerá mais proteção para empresas estrangeiras na China e empresas chinesas nos Estados Unidos, disseram autoridades chinesas.

Nenhum dos lados deu mais detalhes.

A Business Roundtable, um grupo de executivos das maiores empresas dos EUA, disse: "Essa diminuição nas tensões comerciais é um passo positivo para resolver importantes questões comerciais e de investimento entre nossas duas nações".

Chris Murphy, o senador de Connecticut, o classificou de "rendição total", dizendo que a China havia assumido "zero compromissos duros com a reforma estrutural".

Lighthizer disse a repórteres nesta sexta-feira que ambos os lados poderiam começar a negociar questões mais difíceis antes das eleições de novembro de 2020.

"Isso é muito difícil", disse ele. "Temos sistemas diferentes. Temos que descobrir uma maneira de integrar esses sistemas e levá-los a um lugar em que beneficie mais os Estados Unidos do que agora".

 

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas/agências

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