Bolsonaro diz que conversará com ministro sobre venda direta de diesel a postos

Publicado em 15/01/2020 09:57

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira pela manhã que se reunirá às 10 horas com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, para tratar sobre questões referentes a combustíveis, citando a eventual venda direta de diesel e gasolina importados para postos de abastecimento como um dos temas em pauta.

"É lá no Ministério. É a questão do gás, se não me engano, combustível. Não é apenas. Vai tratar também... ontem estive com o Rodrigo Maia (presidente da Câmara), conversei com ele sobre esse assunto também, não é apenas a venda direta de etanol para o posto de combustível, é de outros derivados também", disse.

"Nós importamos óleo diesel, gasolina. Por que não do porto ir direto para o posto de gasolina? Por que tem que viajar centenas de quilômetros? Isso depende de decisão da agência ANP (Agência Nacional do Petróleo)", afirmou, em entrevista na saída do Palácio da Alvorada.

"Mas, conversando com Rodrigo Maia, muitas vezes a gente não depende da decisão deles, depende de revogar uma decisão, e o Congresso tem poder para revogar essas decisões", completou.

SUBSÍDIO A TEMPLOS

O presidente foi questionado ainda sobre uma outra reunião agendada para a manhã desta quarta-feira, com o deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM) e o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos.

Silas, presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara, é coordenador da bancada evangélica e tem defendido publicamente a concessão de subsídios na conta de energia para templos religiosos de grande porte.

O Ministério de Minas e Energia afirmou na semana passada que uma proposta para reduzir gastos de templos religiosos com energia está em discussão no governo. O ministro Bento Albuquerque disse em entrevista à Reuters que a medida teria custos "insignificantes", estimados por ele em cerca de 30 milhões de reais por ano.

Bolsonaro, no entanto, afirmou que ainda não há uma decisão sobre o assunto.

"Se for discutido, a gente decide, né, depende de um decreto meu. Agora, tudo cai no meu colo, tudo. E só vale depois que eu assinar. O Brasil é o país dos subsídios. Quatro por cento do PIB vai para subsídios", disse, acrescentando que quer colocar um "ponto final" nisso.

Questionado por um jornalista se estava propenso a assinar um decreto para conceder o benefício a religiosos, o presidente brincou.

"Ô, rapaz, eu estou apaixonado por você, eu estou propenso a casar contigo, pô? Apaixonado é uma coisa, casar é outra. O Casamento é com a assinatura. Até o altar ali, o padre pergunta, né, quem concorda, quem está contra fala agora ou cale-se para sempre. Pode deixar que a decisão a gente sempre procura atender a toda a sociedade."

Segundo o ministro de Minas e Energia, o subsídio a templos está em avaliação também no Ministério da Economia.

A pasta comandada pelo economista Paulo Guedes publicou em dezembro estudo crítico ao excesso de encargos na conta de luz dos brasileiros-- os subsídios bancados por cobranças na tarifa de energia demandarão 22 bilhões de reais neste ano.

(Reportagem de Ricardo Brito)

Fonte: Reuters

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