Petróleo digere efeitos do coronavírus com volatilidade

Publicado em 28/01/2020 17:18
A perspectiva de que o surto impacte a economia chinesa e mundial gera pessimismo nos mercados

O sentimento de aversão ao risco continua a prevalecer nos mercados financeiros, gerando pressão sobre os ativos de risco. Em contexto de cautela e confirmações das pessoas infectadas com o coronavírus, os futuros do petróleo negociam a maior parte do pregão lateralmente, apesar de manter a volatilidade alta.

"O mercado dá sinais de consolidação: há um equilíbrio entre agentes que acreditam em maior baixa e adotam posições vendidas, com aqueles que acreditam que a reação recente foi exagerada, e que as cotações devem se recuperar", avalia o analista de Inteligência de mercado da INTL FCStone, Fábio Rezende.

O petróleo possui o agravante de que as restrições a viagens na China, justamente durante a Semana Dourada do Ano Novo Chinês – principal período de viagens do país – devem reduzir consideravelmente e imediatamente o consumo de combustíveis. "É impossível se medir a extensão dos impactos do surto e se os preços atuais já os refletem ou não", pondera Rezende. O mercado tem usado a epidemia de SARS de 2002/03 como base de comparação, tendo em vista as semelhanças entre os vírus, porém existem diferenças importantes de conjuntura que precisam ser consideradas.

Do lado baixista, tem-se que o potencial de impacto de uma epidemia na China no mercado internacional e no consumo global de derivados de petróleo é significativamente maior do que no período da SARS. O consumo chinês de combustíveis passou de 5,8 mbpd em 2003 para mais de 14 mbpd em 2019. O PIB do país, por sua vez, passou de USD 2,9 tri em 2003 para USD 10,3 tri em 2018. A China também se tornou um país muito mais globalizado: o número de passageiros de voos internacionais passou de 6,2 milhões em 2000, para 51,6 milhões em 2016, ampliando as chances de exportação do vírus para outros países.

Já no lado altista, tem-se que a resposta do governo chinês para contenção da propagação tem sido muito mais rápida e eficiente do que em 2002/03. O novo coronavírus também parece apresentar taxas de contágio e fatalidade menores do que o causador da SARS, embora ainda não haja um consenso em relação a isso.

 

Fonte: INTL FCStone

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