S&P 500 fecha em queda pelo 7º pregão e sofre maior tombo semanal desde crise de 2008

Publicado em 28/02/2020 21:32

NOVA YORK (Reuters) - O índice S&P 500 fechou em queda pelo sétimo pregão consecutivo nesta sexta-feira, sofrendo seu maior tombo semanal desde a crise financeira global de 2008, devido aos temores de que a rápida expansão do coronavírus possa levar a uma recessão.

Mas as ações recuperaram lgum terreno ao final de uma sessão volátil.

O Dow Jones e o Nasdaq também registraram suas maiores perdas percentuais semanais desde outubro de 2008.

O Nasdaq obteve um ligeiro ganho de 0,01% nesta sexta, depois de afundar até 3,5% durante a sessão. Já o Dow, após recuar até 4,2% na sessão --equivalente a mais de 1 mil pontos-- encerrou o dia em recuo de 1,4%.

Porém, após o fim do pregão, os contratos futuros do S&P 500 subiam cerca de 1% e o fundo de índice (ETF, na sigla em inglês) Invesco QQQ Trust avançava 1,3% no pregão estendido.

Na quinta-feira, todos os três índices confirmaram o ingresso em território de correção, acumulando queda de mais de 10% desde o último recorde histórico de fechamento.

As ações encontraram algum suporte depois de o chairman do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell, dizer que os fundamentos da economia norte-americana permanecem fortes e que o banco central agiria conforme apropriado para fornecer apoio.

Mas os investidores tinham passado a maior parte do dia se desfazendo de ações e migrando para os títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries), ativos de segurança. Isso empurrou a taxa do Treasury de dez anos à sua quarta mínima recorde nesta semana.

Alguns investidores expressaram preocupação em começar o fim de semana, no qual não podem realizar negociações com base na divulgação de novos relatórios sobre o vírus.

"Para obter um sinal claro, o mercado precisa de evidências de que está sob controle, sem surgimento do vírus em novos países e que não tenhamos um surto significativo nos Estados Unidos", disse Jack Janasiewicz, estrategista-chefe de portfólio da Natixis Investment Managers.

O índice Dow Jones <.DJI> caiu 1,39%, a 25.409 pontos, enquanto o S&P 500 <.SPX> perdeu 0,823833%, a 2.954 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq <.IXIC> avançou 0,01%, a 8.567 pontos.

Futuros de taxas de juros nos EUA ampliam altas após Powell e embutem múltiplos cortes de juros para este ano

(Reuters) - Os contratos futuros de taxas de juros dos Estados Unidos dispararam a novas máximas depois de o chairman do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell, afirmar que a autoridade monetária está monitorando de perto os avanços do surto de coronavírus e que "usaria suas ferramentas e atuaria conforme apropriado para apoiar a economia".

Os preços dos contratos futuros de taxas de juros têm subido nos últimos dias, com a aposta dos investidores de que o Fed irá responder ao maior risco advindo do coronavírus com cortes nas taxas de juros e outras formas de afrouxamento da política monetária para lidar com a crescente pressão em torno das condições financeiras.

Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, operadores de juros futuros veem agora uma chance em 100% de o Fed reduzir as taxas no próximo encontro dos formuladores de política monetária, nos dias 17 e 18 e março, em Washington. O juro básico nos EUA está entre 1,50% e 1,75%.

Os preços futuros refletiam uma chance aproximada de 50% tanto para um corte de 25 pontos-base quanto para um de 50 pontos-base.

Powell diz que Fed está pronto para agir contra riscos advindos de coronavírus

(Reuters) - O chairman do Federal Reserve, Jerome Powell, disse nesta sexta-feira que o banco central "agirá conforme apropriado" para apoiar a economia diante dos riscos da epidemia de coronavírus, embora tenha ressalvado que a economia continua em boa forma.

"Os fundamentos da economia norte-americana permanecem fortes", disse Powell em comunicado divulgado em meio a uma contínua onda de vendas nas bolsas de valores globais e conforme os mercados nos EUA caminhavam para a pior semana desde 2008.

"No entanto, o coronavírus apresenta riscos crescentes para a atividade econômica. O Federal Reserve está monitorando de perto os desenvolvimentos e suas implicações para as perspectivas econômicas. Usaremos nossas ferramentas e agiremos conforme apropriado para apoiar a economia."

A declaração --sinalizando a disposição do Fed de agir se a emergência de saúde causada pela doença conhecida como COVID-19 continuar a se espalhar e impactar a economia-- veio em resposta às crescentes expectativas de que o Fed cortará as taxas de juros em sua próxima reunião de março.

As ações reduziram brevemente as perdas após os comentários de Powell, e operadores de futuros de taxas de juros reforçaram apostas de que o banco central dos EUA reduzirá as taxas de juros em 0,50 ponto percentual na sua reunião de meados de março e outro 0,50 ponto até julho.

"O risco econômico criado pelo COVID-19 levará o Fed a cortar taxas nesta primavera (Hemisfério Norte)", disse o economista do Northern Trust Carl Tannenbaum.

Até que que Powell falasse, as autoridades do Fed se concentraram amplamente no fato de que o surto de vírus não parecia prejudicar os dados econômicos dos EUA, e a maioria sinalizou que esperavam que o surto fosse contido e que qualquer dano econômico fosse modesto.

Nesta sexta-feira, no entanto, os investidores estavam prevendo a ação do Fed com tanta certeza que poderia ser difícil para o banco central não agir por temor de que frustrar essas expectativas pudesse causar danos por si só.

A promessa de Powell de "agir conforme apropriado" ecoa uma frase usada por ele pela primeira vez em junho de 2019, quando o mercado sentia os riscos das incertezas nas políticas comerciais.

O Fed pulou um corte nas taxas de juros na reunião que ocorreu duas semanas depois, mas promoveu uma redução de 0,25 ponto percentual em julho e mais dois cortes dessa magnitude nas reuniões subsequentes.

Desta vez, ao caracterizar o vírus como apresentando riscos "em evolução" e dizendo que o Fed usará suas ferramentas para "apoiar" a economia, a chairman do Fed pareceu deixar aberta a porta para ações potencialmente maiores e mais rápidas, se necessário.

Foi assim que aparentemente investidores no mercado de contratos futuros de taxas de juros do Fed entenderam.

Agora, eles estão precificando mais de 80% de chance de um novo intervalo alvo do Fed de 1% a 1,25% para os custos de empréstimos de curto prazo até 18 de março, quando o Fed se reunir, abaixo do atual intervalo de 1,5% a 1,75%. Os preços também mostram que operadores esperam que as taxas caiam para a faixa de 0,5% a 0,75% até julho.

Fonte: Reuters

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