Trump diz que restrições por coronavírus podem levar a milhares de mortes

Publicado em 24/03/2020 18:29 e atualizado em 24/03/2020 20:41

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira que as restrições relacionadas ao coronavírus, que têm fechado negócios em muitas regiões dos Estados Unidos, poderão levar a mortes.

"Você vai perder mais pessoas colocando um país em uma recessão ou maciça depressão. Você vai perder pessoas. Você terá suicídios aos milhares", disse o presidente à Fox News. Trump não mencionou nenhuma evidência para apoiar a afirmação.

"Temos que fazer nosso país voltar ao trabalho. Nosso país quer voltar ao trabalho", disse ele. "Essa solução é pior que o problema. Novamente, pessoas, muitas pessoas --na minha opinião, mais pessoas-- vão morrer se permitirmos que isso continue. Temos que voltar ao trabalho. Nosso povo quer voltar ao trabalho."

O surto já infectou mais de 50 mil pessoas nos Estados Unidos e matou pelo menos 660, fechou milhares de empresas e levou os governadores a ordenarem que cerca de 100 milhões de pessoas --quase um terço da população do país-- fiquem em casa.

Trump quer reativar economia até a Páscoa apesar de propagação do coronavírus

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiu nesta terça-feira em defender a reativação da economia até meados de abril, apesar de uma disparada de casos de coronavírus, minimizando a pandemia como fez nos primeiros momentos ao compará-la a uma gripe sazonal.

No dia 16 de março, Trump e sua equipe de combate ao coronavírus divulgaram recomendações para que toda a população do país reduza as interações sociais e profissionais durante 15 dias na tentativa de diminuir a disseminação do vírus.

Mas o presidente republicano, que busca a reeleição em novembro, começou a se irritar com as repercussões econômicas.

Durante uma transmissão ao vivo do canal Fox New, ele disse que gostaria que os negócios reabrissem as portas até a Páscoa, que será comemorada em 12 de abril.

"Eu adoraria ter o país aberto e ansioso para passar a Páscoa", disse.

O presidente disse que os EUA não adotaram medidas drásticas para combater os acidentes de carro e as mortes de gripes semelhantes àquelas que está tomando para o coronavírus, e que os norte-americanos podem continuar a praticar medidas de distanciamento social, que especialistas em saúde dizem ser cruciais para evitar infecções, mas ao mesmo tempo voltar ao trabalho.

"Perdemos milhares e milhares de pessoas por ano para a gripe. Não desligamos o país. Você pode destruir um país assim ao fechá-lo."

Trump tem sido criticado por colegas republicanos e outros por dizer que gostaria de reativar a economia enquanto o Pentágono e outros preveem que o surto pode durar meses.

Larry Hogan, governador republicano de Maryland, disse à CNN nesta terça-feira: "Não achamos que estaremos prontos de maneira nenhuma para sair disto em cinco ou seis dias ou algo assim, ou seja lá quando estes 15 dias terminarem a partir do momento em que ligaram este relógio imaginário."

A Fox também tem sido criticada por seu tratamento do vírus, já que os apresentadores de alguns programas de opinião o minimizaram no período inicial da proliferação.

O presidente, que no início da crise disse que o vírus estava sob controle, está atordoado com seu impacto na economia e no mercado de ações.

"Nosso povo quer voltar ao trabalho", disse ele no Twitter na manhã desta terça-feira.

-- "Ele praticará o distanciamento social e tudo o mais, e os idosos serão cuidados de forma protetora e amorosa. Conseguiremos fazer duas coisas juntas. A CURA NÃO PODE SER PIOR (de longe) DO QUE O PROBLEMA!"

Trump: decisão de abrir economia será baseada em fatos e números

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 24, que a decisão de abrir a economia do país, em meio à pandemia de coronavírus, será "baseada em fatos e números". "O objetivo é aliviar medidas de distanciamento social", reforçou o republicano em coletiva de imprensa na Casa Branca.

Trump voltou a mencionar o domingo de Páscoa como possível data para a reabertura da economia americana. "Vamos continuar avaliando dados", afirmou, depois de dizer que quer o país "aberto" o mais rápido possível.

"Podemos começar a ver uma luz no fim do túnel", declarou Trump. O líder da Casa Branca disse, também, que "ninguém viu algo assim recentemente", em referência à pandemia, mas afirmou que a crise do coronavírus é "de saúde e não financeira".

Pacote

Trump afirmou que o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, continua "trabalhando" com o Congresso para aprovar um pacote fiscal trilionário no Senado, com o objetivo de tentar conter os impactos econômicos do coronavírus.

"Aprovaremos o maior e mais ousado pacote de estímulos da história", declarou o republicano, em coletiva de imprensa na Casa Branca. A proposta do governo americano já foi rejeitada duas vezes no Senado, em meio a divergências entre democratas e republicanos.

 

Fonte: Reuters/Estadão Conteúdo

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