Economia vai começar a melhorar no último trimestre, diz Campos Neto

Publicado em 01/04/2020 07:39

Por José de Castro e Gabriel Ponte

SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, previu nesta terça-feira que a economia brasileira vai começar a melhorar a partir do último trimestre do ano, com recuperação "boa" em 2021.

Campos Neto disse que o BC vai revisar sua projeção para variação real do PIB neste ano, atualmente em zero.

"Eu acho que é difícil fazer uma previsão, mas nós entendemos que no último trimestre já vai estar começando a melhorar e no ano que vem é um ano de recuperação boa", disse Campos Neto em entrevista à CNN Brasil.

Ele citou que a economia vinha dando sinais de retomada, mas que houve uma interrupção como se tivesse "caído um meteoro".

O governo estima variação positiva do PIB de 0,02% para este ano, mas o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, já disse que a previsão do Ministério da Economia pode estar defasada.

No mercado, a expectativa é que o PIB retraia 0,48%, pela mediana das estimativas da pesquisa Focus do BC. Mas algumas casas já preveem contração de mais de 3%.

Na entrevista desta terça, Campos Neto disse que a situação atual da economia pede algum tipo de estímulo fiscal e lembrou que as medidas já anunciadas pelo BC podem injetar 1,2 trilhão de reais no sistema financeiro nacional.

Questionado sobre o prazo para elaboração da Medida Provisória que trata da linha emergencial de crédito a ser operacionalizada pelo BNDES para financiar a folha de pagamento de empresas, Campos Neto disse que a MP deverá "sair" até a quarta e que ainda está dentro do prazo.

"Acho que nós estamos confiantes de que na semana que vem já teremos algo de concreto nesse sentido", disse.

O programa, anunciado na sexta-feira passada, soma 40 bilhões de reais para financiar por dois meses a folha de pagamento das pequenas e médias empresas com recursos do Tesouro e dos bancos, para fornecer respiro de caixa às companhias em meio à pandemia do coronavírus.

CÂMBIO E POLÍTICA MONETÁRIA

Campos Neto voltou a defender o que chamou de princípio da separação --em que o câmbio é flutuante, o instrumento da política monetária é a taxa de juros e as medidas macroprudenciais atuam para a estabilidade do sistema financeiro--, mas reconheceu que, "no limite", existe alguma conexão entre esses fatores.

O presidente do BC frisou que a autoridade monetária tem um arsenal "muito grande" para o câmbio, que o BC está bem preparado, mas sem ter o objetivo de defender nível de câmbio, e sim de manter a funcionalidade do mercado.

Campos Neto lembrou ainda os 60 bilhões de dólares em linhas de swap com o Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) e destacou que o real tem oscilado "junto" com outras moedas de mercados emergentes.

O dólar fechou perto de 5,20 reais nesta terça-feira e saltou mais de 29% no primeiro trimestre, com o real encabeçando a lista de perdas entre 34 rivais do dólar no período.

Sobre o uso da Selic como forma de estimular a economia, Campos Neto ponderou que, para que esse instrumento tenha eficácia, é preciso credibilidade e que influencie a curva de juro de forma que gere liquidez.

"Se não existir credibilidade, o movimento da Selic vai ter pouco valor, porque não é a Selic que determina as condições financeiras", disse.

A curva de DI projeta 100% de chance de outro corte de 0,25 ponto percentual na meta Selic até junho. A Selic está atualmente em 3,75% ao ano, mínima histórica.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Ataque russo a navio de grãos na costa de Odessa, na Ucrânia, mata dez pessoas
Wall Street abre em alta com recuperação de chips antes de balanços de megacaps
Ibovespa abre em leve alta de olho no Oriente Médio
Taxas dos DIs têm altas leves; rendimentos dos Treasuries sobem
Exportações para o Golfo crescem 1,25% em junho e sinalizam retomada
ApexBrasil anuncia plano de R$ 130 milhões para diversificar exportações após decisão dos EUA sobre a Seção 301